ENTREVISTA: Piracicabana vai intensificar renovação de frota em 2018

Diretor de Trilhos da BR Mobilidade, Julio Zapata (à esquerda), e diretor da Viação Piracicabana e da BR Mobilidade, Alceu Cremonesi Junior (centro), conversam com repórter Adamo Bazani

Diretores da empresa e da BR Mobilidade dizem que resultados com ônibus elétrico e híbrido têm sido satisfatórios, mas fazem críticas ao sistema atual de trólebus. Pagamento de tarifa de VLT deve terá novidades como QR Code em celular

ADAMO BAZANI

A Viação Piracicabana, que opera os transportes municipais em Santos e em Praia Grande, e a BR Mobilidade, que atua com ônibus intermunicipais em nove cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista, vai intensificar a renovação da frota a partir de 2018.

O diretor da Viação Piracicabana e da BR Mobilidade, Alceu Cremonesi Júnior, em entrevista exclusiva ao Diário do Transporte, na última sexta-feira, 20 de outubro de 2017, na garagem-sede em São Vicente, disse que o objetivo é reduzir ainda mais a idade média dos ônibus em operação. O ritmo de renovação foi prejudicado nos últimos três anos devido à crise econômica que afetou ou país.

“Tem uns três anos que a gente não renova [a frota] na mesma velocidade que fazíamos no passado, e a gente espera a partir do ano que vem retomar um pouco dessa velocidade de renovação. Ainda não temos um número definido, mas pretendemos renovar pelo menos de 10% a 15% da frota para baixar um pouco mais a nossa idade média atual [de frota], que já é baixa, na comparação com restante do país”.

OUÇA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA (em duas partes):

ENTREVISTA-BRMOB-PARTE-1

ENTREVISTA-BRMOB-PARTE-2

Atualmente, a média de idade de frota das duas empresas que operam no Litoral é de quatro anos.

Ao todo, na região, as empresas operam 900 ônibus. Deste total, 510 ônibus são da BR Mobilidade,  do sistema EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos; 305 são da Viação Piracicabana, do sistema municipal de Santos e 85 são ônibus municipais de Praia Grande, também da Viação Piracicabana.

Média de idade é em torno de 4 anos. Frota entre municipais e intermunicipais chega a 900 veículos.

Os ônibus de Praia Grande são os que possuem idade média mais baixa, os ônibus de Santos ficam numa posição intermediária e os metropolitanos têm a idade média mais elevada, mas dentro do limite de quatro anos.

Toda a frota, explicou Alceu, está com idade média inferior ao estipulado pelos poderes concedentes: prefeitura de Santos, prefeitura de São Vicente e EMTU, do Governo do Estado de São Paulo.  Pelo fato de a idade dos veículos ser baixa, toda a frota possui itens de acessibilidade, como elevadores para cadeira de rodas, poltronas especiais para passageiros com limitações de movimento e, ainda existem alguns modelos com rampa e piso central.

Em Santos e em Praia Grande, todos os ônibus possuem Wi-Fi para acesso gratuito à internet. Para os serviços intermunicipais, não há Wi-Fi nos ônibus, mas nos terminais de Santos e Praia Grande.

 

Frota metropolitana é a que tem idade mais elevada, mas dentro da média de quatro anos

Ônibus municipais de Santos também devem ser renovados

Ainda em Santos, 152 ônibus municipais da Viação Piracicabana possuem ar-condicionado e até janeiro serão entregues mais 30 veículos com refrigeração. No sistema municipal de Praia Grande, dos 85 veículos, em torno de 35 ônibus já possuem ar-condicionado. Por questão de remuneração da tarifa, não há ar-condicionado nos ônibus metropolitanos do sistema EMTU.

VLT COM PAGAMENTO POR QR CODE:

VLT deve ter novidades quanto à segurança e pagamento de passagem

A BR Mobilidade também opera o trecho de 11,8 quilômetros de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, entre o Terminal do Porto, em Santos, e o Terminal Barreiros, em São Vicente. Há ainda outros dois trechos em projeto, que serão operados pela BR Mobilidade, mas que dependem de licitações para obras, a serem realizadas pela EMTU.   O certame para construção do segundo trecho, entre Conselheiro Nébias e o Valongo, em Santos deve ser iniciado ainda neste ano. Já a terceira fase, que compreende o trecho entre o Terminal Barreiros e o bairro Samaritá, em São Vicente, ainda não tem previsão de data.

Entretanto, segundo o diretor da BR Mobilidade, Alceu Cremonesi Júnior, em breve deve haver novidades para o VLT da Baixada Santista.

“A gente deve estar já para o mês que vem inovando com uma tecnologia pela qual será possível imprimir nas máquinas de autoatendimento das estações do VLT ou receber na tela do celular um QR Code (Código Bidimensional). O bloqueio da estação vai conseguir ler este QR Code, validar a passagem, seja no papel ou pela tela do celular.” – revela.

Cremonesi ainda explicou que hoje o Cartão BR Mobilidade, que dá acesso ao VLT, ônibus municipais de Santos e metropolitanos do sistema EMTU, pode ser carregado nas máquinas de autoatendimento das estações de VLT ou ser solicitado pela internet, com o recebimento gratuito em casa. Pela internet também é possível comprar créditos do Cartão.

O VLT deve ter um sistema de sinalização no ano que vem CBTC – Communications-Based Train Control, Controle de Trens Baseado em Comunicação, que vai permitir maior segurança, mesmo com mais trens na via, andando mais próximos uns dos outros.

Três novas composições de VLT chegaram ao pátio do Terminal do Porto e, após ajustes por parte do fabricante, também devem estar em circulação.

ÔNIBUS NÃO POLUENTES E TRÓLEBUS:

Micro-ônibus 100% elétrico em Santos. Viabilidade econômica é ainda avaliada

Alceu Cremonesi também disse ao Diário do Transporte que, até o momento, a operação com um ônibus híbrido e um micro-ônibus 100% elétrico na cidade de Santos tem sido satisfatória. Ainda não é possível avaliar a viabilidade econômica dos dois modelos porque estão há pouco tempo na frota, mas do ponto de vista operacional, até o momento, não houve problemas significativos e o desempenho das duas unidades tem sido considerado bom pela Viação Piracicabana.

Ônibus híbrido também recebeu elogios de empresa

“Sobre o híbrido, que começou um pouco antes, em meados de maio para cá, há cerca de cinco meses, esse veículo tem se demonstrado extremamente interessante, raramente fica indisponível para a operação, praticamente não deu problema neste período. É um ônibus que tem um apelo técnico diferente: da partida até 20 km/h, funcionada com uma bateria elétrica, e a partir de 20 km/h, o motor a diesel assume a tração do veículo.” – explicou.

Ponto de recarga de bateria de micro-ônibus elétrico. Parede também recebeu pintura com tema ambiental.

A respeito do micro-ônibus, há menos tempo na frota, até o momento, a unidade tem correspondido às expectativas.

“É o primeiro micro-ônibus 100% elétrico fabricado no Brasil. Esse veículo está conosco há aproximadamente dois meses e meio. Os resultados têm sido muito interessantes porque embora eu ainda não tenha conseguido mensurar pelo fato de eu ter uma quilometragem pequena para medir o custo, mas operacionalmente tem ido bem. Tem se mostrado extremamente eficiente. A autonomia das baterias de 250 quilômetros é o suficiente para o micro rodar o dia inteiro na linha que atende hoje na municipal de Santos, a linha 20. Existe também uma aceitação do nosso cliente, do nosso passageiro, bastante interessante, pela pegada ecológica, pela característica do veículo. Produzimos também uma pintura externa, um visual diferenciado e tem sido uma grata satisfação operar este veículo até pela aceitação que tem tido do nosso público. É uma experiência muito nova e vamos deixar andar um pouquinho mais para construirmos uma ideia mais forte sobre sua viabilidade” – explicou.

O ônibus híbrido é um modelo B215RH, da Volvo, que possui dois motores: um a combustão (diesel) e o outro é elétrico A carroceria é modelo Viale BRT, da Marcopolo.

Já o micro-ônibus é um modelo D7M da chinesa BYD, feito em Campinas, com carroceria Volare, da Marcopolo, modelo Volare.e Acess.

O micro-ônibus opera a linha 20 que liga o Gonzaga ao centro.

Já híbrido, que estava na linha 20, foi transferido, a pedido da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos, para a linha 4, entre a Ponta da Praia e a Praça Mauá, no centro.

De acordo com Alceu Cremonesi Júnior, por causa das características operacionais, que permitem melhor aproveitamento da frenagem regenerativa que gera energia elétrica e aumenta a capacidade das baterias, o consumo do diesel no híbrido caiu em torno de 25%

Na linha 20, o híbrido fazia 1,93 litro por quilômetro e, na linha 04, a média de consumo é de 2,38 litros por quilômetro.

O mesmo entusiasmo da Viação Piracicabana quanto ao elétrico puro e ao híbrido não pode ser observado em relação aos trólebus.

São seis veículos na frota, ano 1987, de fabricação da Mafersa. Os trólebus não pertencem à empresa, e sim à prefeitura, mas por contrato, a Viação Piracicabana tem de operar e fazer a manutenção dos veículos, da rede aérea e subestação. As unidades também são destinadas à linha 20.

“É complicado falar do trólebus. Primeiro porque nós temos um modelo ano 1987. É uma tecnologia já um tanto quanto ultrapassada, está difícil encontrar fornecedores para fazer as peças de reposição. Eu diria que é uma operação bastante difícil, é uma tarefa bastante difícil, colocar estes trólebus para rodar diariamente. Nós produzimos algumas peças dentro de casa [garagem da empresa], sem nenhuma garantia de fabricante, empresa de ônibus não pode ser obrigada a ter especialidade em fabricar peças. É uma operação extremamente complicada de se fazer. A rede aérea precisa de constantes investimentos, constante manutenção também. Eu não sei qual vai ser o destino da operação destes trólebus. O que posso garantir é que existem tecnologias com a mesma proposta ambiental mais modernas e superiores que este modelo atual. Agora, cabe ao gestor público definir a regra contratual para a operação desse serviço”

GARAGEM , CCO E WI-FI:

CCO permite o acompanhamento em tempo real de 900 ônibus.

Cremonesi também disse que a Viação Piracicabana e a BR Mobilidade vão investir na melhoria do sistema de gerenciamento dos serviços.

A garagem principal, que fica em São Vicente, possui um CCO – Centro de Controle Operacional, que acompanha, por meio do GPS dos ônibus e equipamentos de monitoramento, em tempo real a operação de todos os 900 ônibus.

Na identificação de qualquer problema que possa interferir na prestação de serviços, já há protocolos de ação para minimizar os impactos para os passageiros, como interrupção das vias de tráfego.

Equipes em guinchos, carros e motos estão espalhadas pelas cidades do litoral onde circulam os ônibus da Viação Piracicabana e BR Mobilidade

Equipes de fiscalização e socorro estão espalhadas pelas áreas atendidas pelas linhas. São três guinchos, quatro carros e cinco motos para atendimentos mais rápidos. Esses veículos de apoio são distribuídos em pontos estratégicos para chegarem antes aos locais de ocorrência.

A garagem principal possui áreas grandes onde são realizadas as manutenções corretivas, preventivas (de acordo com o manual do fabricante) e preditivas (mais específicas de acordo com a operação da empresa).

Existem protocolos de manutenção corretiva, preventiva e preditiva

Na garagem de São Vicente há sistema de reuso que aproveita em média de 65% da água consumida na lavação dos ônibus.

A Viação Piracicabana e a BR Mobilidade possuem três garagens principais, em São Vicente (base 1), Santos (base 2) e Praia Grande (base 3).

Também há vários pontos de apoio nos municípios atendidos: Peruíbe, Itanhaém, Bertioga, Praia Grande, São Vicente, Santos e Cubatão.

CAMPANHAS:

A BR Mobilidade também informou que tem investido em comunicação para o passageiro.

Campanhas para orientação quanto à segurança na linha da VLT e sobre o uso do Cartão BR Mobilidade, segundo a empresa, são alguns dos exemplos.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em ENTREVISTA: Piracicabana vai intensificar renovação de frota em 2018

  1. Amigos, bom dia.

    Bacana a matéria, dá para ter uma noção da complexidade que é uma empresa de buzão.

    Uma dúvida:

    O VOLARÃO é de quem ? Da BR ou da PM Santos ?

    A inscrição BR MOBILIDADE pode ser mais criativa, ficou muito feio.

    Quanto ao trólebus de Santos, este já era, afinal 30 anos e falta de peças, esquece.

    E depois tem mais, rede elétrica aérea já era.

    ACORDA SANTOS.

1 Trackback / Pingback

  1. ENTREVISTA: Suzantur vai testar ônibus híbrido em Santo André e 100 ônibus novos de Mauá começam em dezembro – Diário do Transporte

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: