OPINIÃO: Fracasso nacional

motos acidentes Mortes em acidentes de trânsito em São Paulo caíram em todas as categorias,menos com motociclistas. No acumulado de cinco anos, o número de mortes em acidentes com motos cresceu 16,8%. A frota de motos em 2013 correspondia a 13,1% dos veículos de São Paulo, mas as ocorrências com mortes representam 35% das mortes ocorridas no trânsito.

ANTENOR PINHEIRO

O Código de Trânsito Brasileiro/CTB chega aos 20 anos de sua aprovação e não há o que comemorar, pois o país continua na lista dos cinco mais violentos do mundo. A Organização Mundial de Saúde/OMS diagnosticou como epidemia a situação brasileira e não por menos o país aderiu à Década Mundial de Segurança Viária idealizado, protocolo liderado pela Organização das Nações Unidas/ONU cuja meta é reduzir em 50% o número de mortes no trânsito entre 2011 e 2020.

Mas que nada! Já se passaram sete anos e enquanto outros países signatários do mesmo protocolo alcançam números favoráveis, por aqui a coisa vai mal. Nas cidades, rodovias e estradas o país mantém anualmente cerca de 45 mil mortes, manda para os hospitais mais 200 mil vítimas graves, mutila outras 80 mil e aposenta milhares por invalidez. Com o perdão do trocadilho, um desastre psicológico para as famílias envolvidas e prejuízos permanentes que comprometem os sistemas públicos de saúde e previdência social que rondam R$ 48 bilhões/ ano, conforme números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada/IPEA e Associação Nacional de Transportes Públicos/ANTP.

Não que falte legislação a respeito. Ao contrário, o Brasil possui marcos regulatórios reconhecidos como excelentes por insuspeitos organismos internacionais, dentre os quais a própria ONU/OMS. Mas falta a gestão, a efetividade, a atitude governamental! O problema está na decisão política que permita implementar o que já está posto, a começar da Política Nacional de Trânsito elaborada e oficializada em 2004, mas que não mereceu nos anos seguintes a atenção necessária das três esferas de governo brasileiras – ou seja, não houve decisão para sua implementação.

Outra importante política pública que existe desde 2010 é o Plano de Redução de Acidentes e Segurança Viária, conjunto de 45 ações destinadas a enfrentar o problema com base em cinco pilares: fiscalização, educação, saúde, infraestrutura e segurança veicular. Elaborado pelo Comitê Nacional de Mobilização pela Saúde, Segurança e Paz no Trânsito depois de onerosa mobilização nacional, o Plano dormita há sete anos nas gavetas do DENATRAN e nunca foi colocado em prática.

Enquanto isso, o país continua num enxugar gelo sem fim, desperdiçando recursos financeiros e deliberadamente atribuindo responsabilidades aos que menos têm culpa neste fracasso nacional: os condutores de veículos, pedestres, ciclistas, o cidadão, enfim!

Veja-se o tema proposto para a Semana Nacional de Trânsito/2017, não diferente dos anteriores: Minha escolha faz a diferença! É como se os acidentes e mortes no trânsito fossem culpa exclusiva do cidadão que interage no sistema, e não a decorrência da absoluta ausência de governo. Isto não é ingenuidade, mas comodismo de gestões ineptas reféns da tutela da improvisação, do amadorismo e da falta de estratégias articuladas entre os próprios órgãos que integram o Sistema Nacional de Trânsito (que, aliás, de sistema somente tem o nome!).

Sabem os governantes que a questão da acidentalidade requer políticas públicas urgentes, mas especialmente as vinculadas ao planejamento das cidades, ao desenho urbano, sobretudo à racionalização de suas redes de transportes urbano e rodoviário. Nesse contexto, assusta que autoridades políticas insistam em promover eventos dispendiosos e inócuos como os alusivos à Semana Nacional de Trânsito. Nada acrescentam, e por vezes contrariam a própria legislação.

Não há o que comemorar, pois, mas lamentar que um tema tão relevante continue a merecer o protocolo da hipocrisia oficial. Aos sucessivos governos que têm a atribuição de gerir este passivo, cabem pedir desculpas para a sociedade brasileira e reconhecer que seus discutíveis esforços nos últimos 20 anos são, na realidade, um vergonhoso e imperdoável fracasso nacional!

Antenor Pinheiro – jornalista, perito criminal, especialista em políticas públicas (Universidade Federal de Goiás) e membro da Associação Nacional de Transportes Públicos/ANTP

3 comentários em OPINIÃO: Fracasso nacional

  1. Amigos, boa noite.

    O problema não está no CTB e nem adianta fazer mais leis.

    A pedagogia está errada.

    Eu adoro dirigir e já viajei boa parte do Barsil de carro e já vi muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita aberração e de motorista “profissional” heim.

    Uma vez por semana estou viajando pela Rodovia dos Bandeirantes 170 Km de ida pela manhã e 170 Km de volta a tarde e a toda semana vejo cada coisa de arrepiar.

    Dizem que a fiscalização é por câmeras, mas porque não param os motoristas que fazem aberrações e caçam a carta dele na hora, não é detalhe são aberrações.

    Uma vez tomei um taxi que o motorista deu uma desculpa para não preencher o recibo, que com certeza ele não sabia escrever ou era analfabeto.

    Sexta feira passada uma moça simplesmente resolveu mudar de faixa e de saída na Avenida dos Bandeirantes e simplesmente ela ficou quase parada na faixa branca, até hoje não acredito no que ela fez e por ai vai.

    A forma como são redigidas as perguntas do curso de reciclagem é ridícula, não prova nada e não recicla nada nem nenhum motorista.

    Tem pessoas “habilitadas” que não tem condições nem de dirigir carrinho de feira.

    Motos e bikes estão aumentado de quantidade, portanto o maior índice de acidentes com motos e bikes é PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL.

    Relembrando que outro dia eu vi uma colisão frontal de duas bikes, sendo que uma estava na contra mão.

    E se desse um óbito ???????????//

    Bikes precisam de documentos e placas, mas..

    O problema do Barsil é não fazer o que precisa e só infernizar a vida do contribuinte.

    Peçam para alguma Universidade desenvolver um curso de verdade para habilitar uma pessoa a dirigir, com simuladores, vídeos, palestras e etc.

    O resto é balela.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Élio J. B. Camargo // 20 de outubro de 2017 às 19:17 // Responder

    A participação das motos nos acidentes fatais neste ano, em S. Paulo, conforme o Infosiga, caiu para 34%, mas as de pedestres subiu para 47%. A SMT precisa adotar um verdadeiro e sério programa de segurança viária. As administrações precisam ser responsabilizadas, conforme determina o CTB, por essa omissão.

  3. É facil saber os motivos para tanto acidentes, é só andar nos limites de velocidades das vias de São Paulo e ver quantos veículos te ultrapassam, principalmente nas Marginais.Motos estão liberadas para ultrapassar os limites estabelecidos? Quem dirige dentro das normas estabelecidas dificilmente se envolve em acidentes.Dirijo desde 1970 e nunca me envolvi em acidentes, cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém, , é o que diz o dito popular.

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