Laboratório da EMTU estuda sistema para cobrar tarifa proporcional ao trecho que o passageiro usar da linha de ônibus

Publicado em: 20 de outubro de 2017

Veículo da Metra. Empresa deve ter chat on line para passageiro durante a viagem, segundo núcleo de inovação da EMTU.

Metra vai bancar reforma em laboratório e deve ter aplicativo pelo qual o passageiro vai se comunicar coma empresa durante o trajeto.

ADAMO BAZANI

O assunto é polêmico e antigo nos transportes. É correto o passageiro que anda somente em um trecho da linha de ônibus pagar a tarifa inteira, afinal, em tese ele “usou menos o transporte”?  Ou a cobrança proporcional poderia prejudicar quem mora mais longe e, habitualmente tem renda menor, e passaria a pagar mais?

Como equilibrar os já complicados repasses e remuneração pelos serviços de transportes, cujas planilhas hoje já são confusas mesmo com tarifas únicas nas linhas? E o papel social dos transportes? Hoje, existe um subsídio cruzado nas tarifas quanto à distância percorrida: quem paga e anda pouco ajuda a deixar mais barata a passagem de quem fica mais tempo no ônibus. Por exemplo: uma tarifa de R$ 4,30, de a cobrança fosse proporcional ao uso, que anda pouco poderia pagar R$ 2,00, mas quem mora mais longe, poderia ter de desembolsar até R$ 5,50.

É justo isso?

Mas quem anda menos é obrigado a pagar por quem anda mais?

Esse equilíbrio não é o poder concedente quem deveria proporcionar?
Mas como faria isso? Por subsídios diretos? E a questão dos cofres públicos, sem dinheiro para saúde, educação e os próprios transportes, com obras insuficientes de corredores de ônibus, por exemplo, como ficaria?

A questão é tão polêmica que já foi capaz de mudar cenário eleitoral na capital paulista, numa época não muito distante.

Na campanha de 2012, o deputado Celso Russomano, que pleiteava a prefeitura de São Paulo e liderava as pesquisas de intenção de votos, apresentou uma proposta de mudar o Bilhete Único, com cobranças de tarifas diferentes de acordo com o trecho percorrido.

Numa entrevista na época, ao Jornal O Globo, cientista político Claúdio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas, considerou suicídio na campanha, do ponto de vista eleitoral, a proposta de Russomano de tarifar com preços diferentes os passageiros de ônibus de acordo com a distância percorrida.

 “A bala de prata, na verdade quase um suicídio, foi a proposta de tarifar o ônibus com base na distância percorrida. Foi uma proposta equivocada. Quando atacado sobre isso, a resposta dele foi vaga e isso explicitou a baixa densidade.” – disse.

Também cientista político, Antonio Carlos Almeida, autor do livro “A Cabeça do Eleitor”, disse que a proposta mostrou amadorismo eleitora de Russomano, na ocasião.

“O Bilhete Único é bem aceito pela população. Não se mexe com uma coisa dessa. O Russomanno perdeu por causa dessa ideia. A proposta mostrou que a campanha era amadora.” – explicou.

Ambos apontam a proposta como mais fatal à candidatura de Russomano a proposta de cobrar passagens de ônibus diferentes por trecho que a ligação de seu partido com a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, que tem milhões de seguidores no Brasil, mas também tem milhões de pessoas que se antipatizam com a denominação neopentecostal.

O que muitos especialistas defendem é que algumas linhas, principalmente as mais extensas e as metropolitanas, possam ter faixas tarifárias controladas por meio da tecnologia.

Não é raro, ainda pelo desenho de muitos sistemas de transportes, as linhas metropolitanas serem usadas para deslocamentos municipais.

De toda a forma, enquanto as discussões sobre equilíbrios financeiros e custeios ocorrem, a tecnologia deve ser desenvolvida para oferecer soluções confiáveis, caso seja indicada a cobrança de tarifas diferenciadas por trecho em determinadas linhas de ônibus urbanos.

Jovens de stratups (empresas de inovação) e profissionais estão desenvolvendo justamente isso no [E]Lab, laboratório de tecnologia da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, em, São Bernardo do Campo.

A iniciativa de desenvolvimento tecnológico é de uma equipe que venceu a Maratona de Inovação 2017, promovida pelo Instituto Superior de Inovação e Tecnologia –Isitec, com a coparticipação da EMTU, vinculada à Secretaria de Transportes Metropolitanos.

A proposta consiste em colocar um validador na porta de entrada dos ônibus e outro nas saídas. Inicialmente, seria descontada toda a tarifa, mas na hora de desembarcar, seria devolvido o valor proporcional ao trecho não utilizado.

Muitos logo podem bradar. “Mas eu já vi isso… isso já existe ..”. ou comentar com um simples, irônico e pouco acrescentador… “Novidade?”

Mas, a novidade é a integração de todos os dados de embarque e desembarque e das tarifas proporcionais ao GPS dos ônibus e ao Gerenciamento e Supervisão – CGS, (o CCO da EMTU) com dados transmitidos em tempo real e com maior confiabilidade.

Os sistemas anteriores testados apresentaram falhas em relação à confiabilidade dos dados. Foram registrados descompassos entre os descontos tarifários e a geolocalização dos ônibus, por exemplo.

O trabalho da equipe de desenvolvimento terá auxílio de técnicos da EMTU, da Metra e do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia – Isitec.

FALA AÍ:

Outro projeto que está sendo desenvolvido no [E]Lab é o aplicativo de celular “Fala, aí” para passageiros da Metra, no corredor São Mateus-Jabaquara/Diadema-Brooklin.

Trata-se de uma ferramenta pela qual o passageiro poderá se comunicar com a empresa, em tempo real, durante a viagem e relatar impressões como lotação, limpeza dos ônibus e até mesmo casos de assédios.

Será um chat com resposta imediata dos funcionários. Chamado Infurbano, o aplicativo também poderá ser usado para os passageiros se informarem sobre linhas, trajetos e paradas.

A ideia é que quem tiver o software no celular se conecte no ônibus. Ao desembarcar, pela geolocalização, o programa se desconecta automaticamente. Isso evita que o celular gaste bateria sem necessidade e distorções como acionamento do chat sem os passageiros estarem no ônibus.

Como já noticiou o Diário do Transporte, no laboratório da EMTU também está sendo desenvolvido um aplicativo que mostra aos passageiros quais ônibus estão mais ou menos lotados na linha, para facilitar a escolha na hora de usar o transporte coletivo. Muitas vezes, vale mais a pena deixar um ônibus lotado passar e esperar o próximo mais vazio que já está bem perto. Mas essa decisão é difícil porque o passageiro hoje não sabe da lotação do próximo ônibus e nem sempre ao certo quando o veículo vai passar.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/09/27/sensores-que-contam-passageiros-em-tempo-real-nas-portas-sao-instalados-em-onibus-da-metra-e-ideia-recebe-premio-internacional/

EMPRESA DE ÔNIBUS VAI BANCAR REFORMA DE LABORATÓRIO:

Inaugurado em julho deste ano, de forma improvisada, o [E]Lab, laboratório de mobilidade da EMTU, onde são desenvolvidas todas estas ideias deve passar por reforma para o espaço se tornar mais adequado.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Parcerias + Inovação da EMTU, Renata Veríssimo, à imprensa do Governo do Estado de São Paulo, todos os custos serão bancados pela Metra, empresa que opera ônibus e trólebus nos 45 quilômetros do sistema São Mateus-Jabaquara/Diadema-Brooklin.

“Teremos paredes envidraçadas, mobiliário ajustável a diferentes composições no ambiente e outras mudanças para tornar o espaço multiuso e estimular projetos de mobilidade urbana

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

Comentários

  1. Eu já comentava essa ideia quando as tarifas da RMSP ainda não haviam passado dos R$5, e essa era uma tarifa máxima que poderia ser cobrada (a mínima seria R$1), mas a configuração dada pelo E-Lab é melhor ainda, devolvendo ao passageiro o que ele não usasse, como também evitando que alguém pague na catraca a tarifa de um trecho menor e desça no trecho maior, prejudicando financeiramente a linha. Pena que com os operadores e gestores atuais a implantação será morosa….

  2. William de Jesus disse:

    Bom dia!

    Concordo com a ideia, mas o fato de colocar catracas na entrada e na saída do ônibus torna isso inviável. Quanto tempo esperar parado até que todos os passageiros passem a catraca para desembarcar? Não tem como fazer igual ocorre aqui em são paulo, onde tem um espaço na frente antes da catraca. O passageiro poderia passar a catraca de entrada e em seguida a de saída e ficar ali no espaço, pagando desproporcionalmente.

    Acho que o maior problema aí, além das questões ja levantadas, é essa: Duas catracas no ônibus? Tempo de desembarque? Perda de espaço e funcionalidade? Se muitos já não gostam de usar o transporte público com o que temos, imagina com mais esse “filtro”..

    No caso dos corredores onde a Metra opera, é perfeitamente possível instalar catracas nas plataformas, sendo algumas de entrada e outras de saída. Dessa forma agilizaria o embarque/desembarque do ônibus e não haveria tanta confusão. Seria parecido com o que ocorre em Curitiba, nas estações-tubo.

    Só um adendo: Celso Russomano não perdeu em 2012 por causa da proposta de cobrar proporcionalmente a passagem, aliás essa foi uma das propostas que o fez ficar mais forte em SP. O que derrubou ele foi uma denúncia dentro da Igreja Universal de que os pastores estariam pedindo voto ao Russomano nos cultos, e em menos de 15 dias ele perdeu praticamente todo o eleitorado

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Isso é simplesmente modismo.

    Aqui nas linhas de Itapevi a Sampa há mais de 50 anos é assim, e o pior, mesmo com o BOM ainda tem a “passagem em papel com cores diferentes e numerados”.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKkkkkkkkkk

    Já mandei estas fotos para o Diário há tempos.

    Automatizar isto é o óbvio e nem precisa de duas catracas, basta fazer um algorítimo ou uma simples continha, em função do local embarcado, uma conta inversa.

    Pelo amor de Deus outro validador NUNCA.

    Quanto ao “FALA AI”, não adianta; pois a EMTOSA e a Fiscalizadora sempre foram e são surdas.

    Talvez se fizerem o “RESPONDE AI”, quem sabe…

    Mas só vendo pra crer.

    Com relação a essa enormidades de dados que querem registrar, de nada adianta a não ser para meras estatísticas, uma vez que a Jestão do buzão pela EMTOSA e Fiscalizadora, NÃO possuem dinâmica, são INERTES.

    DINÂMICA é imprescindível na gestão da mobilidade seja lá em qual modal for, mas em especial no buzão, pois o buzão é flex, podendo se fazer novos arranjos a qualquer momento.

    Parem de fazer marketing e façam o que realmente tem de fazer.

    Botem os Aerotrens para rodar, eliminem as tão conhecidas sucatas, licitem a Área 5, o resto é perfumaria & marketing.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  4. Marcos disse:

    Essa e a mais justa tarifacao…muita gente trabalha apenas 5 km da residencia…e por ter que pagar a tarifa cheia prefere ir de carro pois gastara bem menus que pagar 2 passagens…se esse sistema estivesse em vigor muitos que trabaham perto deixaria o carro em casa e iam de onibus…..e que fosse de tp a ts pagaria a tarifa cheia..,isso e o justo….o problema que tem gente que lucra muita com a situacao atual e nao quer perder isso

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