Representantes da nova Busscar se reúnem com Governo do Estado de Santa Catarina para acertarem reativação total da fábrica em Joinville

Imagem de 2013, com ônibus inacabados na empresa, ainda na gestão da família Nielson

Conforme antecipou o Diário do Transporte, já existem funcionários trabalhando para preparar a produção, que deve começar no primeiro semestre de 2018

ADAMO BAZANI

Representantes da Nova Busscar se reuniram com governo do Estado de Santa Catarina para acertar os detalhes da reabertura definitiva da fábrica de carrocerias, que estava sem produção desde 2013, por causa de falência decretada pela Justiça, ainda na gestão empresarial da família fundadora, Nielson.

Investidores e advogados da Carbuss, empresa criada para a compra e uso da marca Busscar, discutiram o início da produção com o secretário-ajunto da Secretaria da Fazenda de Santa Cataria, Rodrigo Prisco Paraíso, e com o secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Estado de Santa Catarina, Carlos Chiodini.

O encontro, que ocorreu na última quarta-feira, 04, foi confirmado pelo Governo do Estado de Santa Catarina.

No dia 21 de março de 2017, o juiz da 5ª Vara cível de Joinville, Valter Santin Júnior, aprovou em sentença definitiva a compra da Busscar por um grupo de investidores por R$ 67,15 milhões, após três tentativas de leilão que não terminaram vazias. Entre estes investidores estão sócios da Caio Induscar, empresa que tem a liderança no segmento de ônibus urbanos, mas pouca expressividade no mercado de rodoviários.

A previsão de início da produção da Nova Busscar está mantida para o primeiro semestre de 2018.

As contratações na nova Busscar continuam. Já são cerca de 80 profissionais atuando na manutenção predial e de equipamentos e também nos setores de engenharia e desenvolvimento de produtos. As vagas para a linha de produção ainda serão abertas.

Também esteve na reunião um dos donos da Exit Comunicação, agência responsável pela análise de mercado e projeto de atuação da nova Busscar, Paulino Duarte.

Em entrevista ao Diário do Transporte em outubro, durante a feira de mobilidade Transpúblico, que ocorreu na Capital Paulista, o diretor-industrial da Busscar, Maurício Lourenço da Cunha, disse que a empresa terá novos modelos de ônibus rodoviários, sem, no entanto, romper com as principais características de design da marca. Na ocasião, eram 55 empregados trabalhando na planta de Joinville. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/31/entrevista-busscar-ja-tem-funcionarios-trabalhando-e-linha-de-produtos-sera-reformulada/

Quem tiver interesse em trabalhar na empresa deve enviar currículo para este e-mail: curriculos@novabusscar.com.br

Já foram mais de 10 mil currículos cadastrados. A preferência na contratação será para ex-funcionários da Busscar.

Diplomata 380, ainda com a marca Nielson, um dos ônibus mais requintados dos anos 1980

BREVE HISTÓRICO:

A Busscar foi fundada oficialmente como Nielson no dia 17 de setembro de 1946, com iniciativa de Augusto e Eugênio Nielson que começaram uma pequena oficina em Joinville, atuando na construção de móveis e utensílios e fazendo reparos em carrocerias de caminhões e cabines. Em 1948, a Nielson fez seu primeiro veículo de transporte coletivo, uma jardineira – ônibus simples feito de madeira. O veículo da Nielson foi uma encomenda da empresa Abílio & Bello Cia Ltda, que fazia a linha Joinville – Guaratuba, em Santa Catarina.

Foi na época do surgimento empreendimento dos Nielson, que o Brasil começava assistir mais intensamente o crescimento das cidades e também das relações comerciais entre as diferentes localidades. Tudo isso demandava uma maior oferta de transportes. Assim muitos empreendedores compravam chassis de caminhão, como da Ford e da GM, e precisavam transformá-los em ônibus para enfrentar as difíceis estadas de terra e verdadeiros atoleiros. Nesta época, a Nielson & Cia Ltda. tinha o comando do patriarca da família, Bruno, e do filho Harold.

Em 1958, um dos marcos para a Nielson foi o projeto de estrutura metálica para os ônibus.

No início dos anos de 1960, ganhavam as estradas os modelos Diplomata, carroceria de dois níveis que lembravam os Flxibles norte-americanos que, quando foram importados pela Expresso Brasileiro Viação Ltda eram chamados de Diplomata. A Nielson então conquistava definitivamente o mercado.

Nos anos de 1980, Nielson cresce mais e no segmento de rodoviário travava disputa acirrada com a Marcopolo e no segmento urbanos, a briga era com a Caio, praticamente de igual para igual.

A linha Diplomata tinha recebido novas versões e o Urbanuss ganhava atenção dos frotistas.

Por uma estratégia de negócios, a Nielson mudou a marca para Busscar. Inicialmete a marca foi conhecida como Busscar-Nielson. Surgiram os rodoviários El Buss e Jum Buss  e os urbanos da linha Urbanuss.

Em 2002, a Busscar começa enfrentar dificuldades financeiras. A família Nielson alegava problemas motivados pela variação cambial e também dificuldades de créditos, mas já havia também erros administrativos internos. O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social chegou a realizar empréstimos para empresa, que não foram plenamente honrados. A recuperação não foi plena, havendo novamente outro problema financeiro em 2004. A última crise da Busscar começou em 2008, quando a empresa começou a atrasar salários.

Em 2007, a encarroçadora de ônibus Caio, do Estado de São Paulo, já havia procurado sócios da Busscar para uma fusão. As negociações não avançaram.

Em janeiro de 2010, a Busscar criou um programa de demissões voluntárias para redução de custos. Ainda em crise, a empresa atrasou salários e benefícios, o que motivou uma greve em 15 de abril de 2010.

Em setembro de 2011, antes mesmo da falência da Busscar, sócios da Caio já tinham confirmado interesse na encarroçadora de Joinville. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2011/09/28/busscar-caio-fala-em-primeira-mao-com-blog-ponto-de-onibus/

Em outubro daquele ano, porém, a Justiça indeferiu a proposta dos sócios da Caio que previa pagamento de R$ 40 milhões pelo complexo.

Para saldar dívidas, os primeiros bens da Busscar foram leiloados em setembro de 2011. A expectativa era arrecadar R$ 1,5 milhão, mas só foi possível conseguir R$ 21 mil.

No dia 3 de novembro de 2011, o juiz Maurício Cavallazi Povoas, da 5ª Vara Cível de Joinville,  aceitou o pedido de recuperação judicial feito pela Busscar. No dia 31 de dezembro de 2011, a empresa apresentou o plano.

No entanto, não houve os resultados esperados e o plano não se mostrou viável. Em junho de 2012, a Justiça determinou que fosse apresentado um novo plano.

Depois de uma dívida que se aproximou de R$ 2 bilhões, contando juros, impostos e débitos com fornecedores, trabalhadores e bancos, a empresa teve a falência decretada em 27 de setembro de 2012 pelo juiz Maurício Cavalazzi Povoas. A decisão, no entanto, foi anulada em 27 de novembro de 2013, após recursos judiciais. No entanto, os recursos caíram em 5 de dezembro de 2013. A família Nielson chegou a apresentar um novo pedido de recuperação judicial, mas o juiz Luis Felipe Canever, de Santa Catarina, após negativa por parte dos credores, decretou no dia 30 de setembro de 2014, nova falência da encarroçadora de ônibus Busscar, que já foi uma das maiores do Brasil.

Os negócios continuam na América Latina com a atuação em parceira de outros grupos, com destaque para as operações na Colômbia.

A Busscar Colômbia foi formalizada no ano de 2002 sendo fruto de uma aliança entre a indústria local Carrocerías de Occidente, empresa fundada em 1995, e a Busscar Ônibus do Brasil, fundada pela família Nielson em 17 de setembro de 1946.

Em 15 de fevereiro de 2012 foi anunciada a criação de uma joint venture formada pelos acionistas das duas gigantes da produção de carrocerias de ônibus: Caio e Marcopolo.

A parceria envolve a Twice Investimentos e Participações, integrada por acionistas da Caio Induscar, e a controlada da Marcopolo, Syncropats Comércio de Distribuição de Peças Ltda.

As empresas propuseram em fevereiro de 2013, à Quinta Vara Cível de Joinville, que cuidava do processo de falência da Busscar, o aluguel/arrendamento do Parque Fabril da companhia.

Para isso, pagariam um valor de R$ 300 mil por mês. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2013/02/28/caio-e-marcopolo-querem-alugar-a-busscar/

Foram várias tentativas de leilão da Busscar, três somente em 2016. Todas esvaziadas. A cada uma delas, o valor caía.

– Primeira tentativa: 15 de março de 2016, as três unidades fabris (Unidade Joinville SC – Fábrica de Carrocerias / Unidade Pirabeiraba – Joinville SC – Fábrica de Peças / Unidade Rio Negrinho SC – Fábrica de Peças)  custariam R$ 369.305.922,65 (trezentos e sessenta e nove milhões, trezentos e cinco mil, novecentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos)

– Segunda tentativa: 29 de março de 2016.  O valor seria de R$ 221,5 milhões (incluindo ativos reivindicados na Justiça, e incertos) ou, na prática, R$ 176,5 milhões (descontados os ativos) por todas as empresas do grupo. – 60% do valor do primeiro leilão

– Terceira Tentativa: No dia 8 de julho, terminou sem lance o terceiro leilão da empresa. Seria aceita oferta de quantia igual ou superior a 49% do valor da avaliação- do primeiro leilão.  R$ 133.151.088,11. Também sem propostas.

No final de outubro de 2016, foi apresentada uma proposta de compra por R$ 67,15 milhões por um grupo de investidores com o objetivo de retomar as produções em meados de 2017.

Em dezembro do mesmo ano, foi liberado um lote de R$ 18 milhões para saldar parte das dívidas trabalhistas.

Também em dezembro de 2016, dois grupos internacionais, o português a Imparável Epopeia UniPessoal Ltda e o chinês Liaoyuan Group demonstraram interesse na compra da Busscar.

Em 07 de janeiro de 2017 terminou o prazo para as empresas estrangeiras apresentarem a documentação exigida.

A proposta ficou somente pelo grupo da Caio. No dia 08 de janeiro, advogado da Caio esteve em Joinville e confirmou valor proposto de R$ 67,15 milhões.

Em 21 de março de 2017, o juiz da 5ª Vara cível de Joinville, Valter Santin Júnior, aprovou em sentença definitiva a compra da Busscar por sócios da Caio, encarroçadora de ônibus de Botucatu/SP, que tem como principal sócio o Grupo Ruas, de empresas de ônibus de São Paulo. O valor da compro foi de R$ 67,15 milhões. O montante foi dividido em um sinal de R$ 9,4 milhões e mais 50 parcelas do restantepelos próximos quatro anos, compreende as unidades da Busscar em Joinville, Pirabeiraba e Rio Negrinho, assim como seus terrenos, edificações, maquinário e móveis, além da maca. As parcelas terão correção monetária.

No dia 22 de março de 2017, os sócio-diretores da Caio/Induscar Marcelo Ruas e Maurício Lourenço da Cunha foram à Joinville, em Santa Catarina e assinaram o documento de compra da Busscar, na 5ª Vara Cível na cidade.

Em 28 de março de 2017, a assessoria de comunicação da Caio informou, em primeira mão ao Diário do Transporte, que na compra também envolveu a marca Busscar.

No dia 29 de março de 2017, o Sindicato dos Mecânicos de Joinville decide não impugnar a venda. Mesmo o valor de R$ 67,15 milhões sendo bem abaixo que os débitos trabalhistas de R$ 250 milhões, a entidade disse acreditar ser a solução mais concreta de um problema que se arrasta há anos. Um eventual outro comprador, por exemplo, poderia não produzir mais ônibus, usando os imóveis para outros fins.

Em 12 de junho de 2017, os sócios da Caio assumem formalmente a massa falida da Busscar.

A nova administração da empresa lançou no ar um site para cadastramento de currículos para iniciar um processo de contratação.

Em 04 de julho de 2017, entrevista publicada no site Diário do Transporte, o diretor Industrial da Caio Induscar e um dos investidores da Busscar, Maurício Lourenço da Cunha, diz que Caio e Busscar poderão atuar em sinergia, trocando informações, conhecimentos, estruturas de distribuição e tecnologia, no mercado de transportes.

Em 30 de agosto de 2017, o diretor Industrial da Caio Induscar e um dos investidores da Busscar, Maurício Lourenço da Cunha, voltou a falar com o Diário do Transporte e revelou que a empresa já tinha 55 funcionários trabalhando, entre os quais, engenheiros para elaborar novos produtos.

Em 04 de outubro de 2017, representantes da Carbuss, empresa criada para a operar a Busscar e a marca, se reuniram com o secretário-ajunto da Secretaria da Fazenda de Santa Cataria, Rodrigo Prisco Paraíso, secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Estado de Santa Catarina, Carlos Chiodini, com o objetivo de acertar os detalhes da reabertura da fábrica. Também esteve no encontro, um dos donos da Exit Comunicação, agência responsável pela análise de mercado e projeto de atuação da nova Busscar, Paulino Duarte.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

8 comentários em Representantes da nova Busscar se reúnem com Governo do Estado de Santa Catarina para acertarem reativação total da fábrica em Joinville

  1. Marcos Alan Cardoso Cardoso // 7 de outubro de 2017 às 20:44 // Responder

    Como faço pra ser vendedor dessa empresa

  2. Amigos, bom dia.

    E o EFEITO BARSIL continua firme e forte.

    É muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita burrocracia, para se reativar uma planta industrial, que gerará empregos e divisas, tem-se de efetuar uma reunião com o governo do estado.

    Realmente empresário brasileiro tem uma paciência enorme.

    Afinal a empresa é privada.

    Ou este tipo de empresa não existe mais no Barsil; pelo visto acho que não.

    MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Será que o diplomata 350 vai voltar é meu sonho ter um 112

    • Isso tá parecendo o pedido do Itamar Franco para a Volkswagen voltar a produzir o Fusca. A Carbuss vai fabricar modelos ainda mais atualizados do que aqueles que fazia até 2013.

  4. Joao José de Oliveira // 8 de outubro de 2017 às 19:08 // Responder

    Que venha com muita força e novidade força BUSSCAR.

  5. Antonio Carlos De Siqueira // 8 de outubro de 2017 às 20:06 // Responder

    A buscar sempre teve tecnologia qualidade e confiabilidade no seu trabalho por isso que está de volta quem tem qualidade nunca sai do mercado.

  6. não se trata de burocracia, mas o famoso pedido de benefícios ao governo.

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