Atendimento a acidentes de trânsito tem alta de 19% em São Paulo
Publicado em: 11 de setembro de 2017
De janeiro a julho foram 6.118 pessoas feridas em acidentes de trânsito contra 5.146 em 2016. Esta é a primeira vez que este índice aumenta desde 2014
ALEXANDRE PELEGI
O número de pessoas atendidas em prontos-socorros da Prefeitura de São Paulo por causa de acidentes de trânsito teve aumento em 2017.
Os dados, trazidos hoje pelo jornal O Estado de SP, demonstram que entre janeiro e julho os atendimentos cresceram 18,9% na comparação com o mesmo período de 2016. Os números foram coletados junto à Secretaria Municipal de Saúde por meio do sistema Tabnet, que contabiliza as entradas de pacientes para o Sistema Único de Saúde (SUS), do governo federal.
O dado preocupante está no fato desta ser a primeira vez que tal índice aumenta desde 2014.
De janeiro a julho foram 6.118 pessoas feridas em acidentes de trânsito contra 5.146 em 2016. O dado colhido pela reportagem do Estadão junto à secretaria municipal se refere ao total de atendimento nos hospitais e não detalha o número de mortos. Nem inclui os feridos em acidentes e que tiveram atendimento em hospitais particulares ou da rede estadual e federal.
Apesar de haver uma clara relação entre o aumento de acidentes de trânsito e o atendimento nos serviços de saúde, a Prefeitura alega não ser possível fazer tal relação porque parte das ocorrências pode ter acontecido fora da cidade.
No entanto, os dados da Secretaria de Saúde repetem as estatísticas fornecidas por outros organismos como as Polícias Civil e Militar, que apontam alta de mortes no trânsito:
Polícia Civil: estatísticas apontam 32% de aumento nos acidentes (homicídio culposo) entre janeiro e junho, quando comparados 2016 e 2017. Em 2017 ocorreram 264 casos, sendo que em 2016 foram 200 ocorrências;
Infosiga: o Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga), do governo estadual, aponta aumento de 10% de acidentes em julho de 2017 – 66 óbitos em 2017 para 70 em 2017).
Em nota, a Prefeitura de São Paulo respondeu ao jornal:
“Do total de registros contabilizados, 30% (1.728 ocorrências) se referem a casos em que o endereço dos acidentes não foi informado – isto é, nesses casos não há certeza de que esses sinistros aconteceram dentro do Município de São Paulo ou se apenas foram atendidos em unidades de saúde da capital”.
O jornal, no entanto, observa que nos anos anteriores “a proporção de endereços de acidentes não informados era a mesma, ou seja, 30%”.
Numa distribuição espacial dos dados pode-se verificar que os centros médicos da zona sul foram os que mais registraram atendimentos, com destaque para o Jabaquara (930 registros) e Capela do Socorro (921). Os extremos da zona leste também concentraram casos, como Ermelino Matarazzo (835) e Itaim Paulista (543).
VIOLÊNCIA, O GRANDE PROBLEMA DO TRÂNSITO NO PAÍS
Os dados relativos à capital derrotam qualquer otimismo: cerca de 50 pessoas são atingidas pela violência do trânsito a cada dia, das quais dez por atropelamentos. Em média morrem mais de dois paulistanos por dia. Para ficar em 2016, 854 pessoas morreram na capital e 19.235 ficaram feridas. Pelas estatísticas atuais, estes números serão maiores quando o ano de 2017 chegar ao fim.
Se formos olhar para o país, contamos a cada ano cerca de 40 mil mortes por causa do trânsito, que gera, ainda, mais de 200 mil feridos. Cabe destacar que os homens são os mais letais, pois respondem por 93% dos acidentes com mortes. Em números, temos que 794 mortes no trânsito paulistano em 2016 foram causadas por homens ao volante.
A Prefeitura de São Paulo está anunciando iniciar uma campanha esta semana contra os acidentes de trânsito.
O curioso é que há ótimos exemplos que podemos seguir. Mas eles exigem esforço, continuidade e ação coordenada entre vários agentes. E, claro, um forte aperto na fiscalização.
A Espanha é um ótimo caso a ser copiado: começou o século com uma taxa de mortes no trânsito acima da média europeia, e hoje tem índices melhores do que a França. O engenheiro Pere Navarro foi o diretor geral de Tráfego na Espanha entre 2004 e 2012, período no qual a taxa de óbitos caiu de 11 para 4 por 100 mil habitantes.
Pere, que já esteve recentemente no Brasil algumas vezes, dá o mote: “Dados confiáveis são essenciais para a tomada de decisões e medidas de monitoramento. A transparência é fundamental para ganhar a confiança dos cidadãos”.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

