Terminal de BRT no Rio sofre com baixa demanda

Terminal BRT, na época em que foi a mais importante entrada para o Parque Olímpico

Movimento no Terminal Centro Olímpico é menos de 10% do previsto em dias comuns

ALEXANDRE PELEGI

O famigerado legado olímpico para a mobilidade urbana dos cariocas começa a mostrar problemas. Um deles é a subutilização, que tem afetado, por exemplo, a linha 4 do Metrô do Rio, que sofre com a falta de passageiros. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/25/legado-da-olimpiada-linha-4-do-metro-do-rio-sofre-com-falta-de-passageiros/

O BRT Transolímpico também opera com passageiros abaixo da expectativa: 30 mil por dia, quando se estimavam 70 mil.

O sistema de BRT, ainda incompleto, sofre com a baixa procura de usuários, como o Terminal Centro Olímpico, na Barra. Segundo o consórcio que gerencia o sistema, cerca de 200 passageiros pagantes ingressam por dia na estação, número de pessoas que equivale a menos de 10% dos 2.200 usuários/dia para a qual ela foi originalmente projetada.

Na época da Olimpíada mais de 60 mil pessoas chegaram a utilizar o Terminal em um único dia de jogos, quando esta estação foi a mais importante entrada para o Parque Olímpico.

Moderno e grandioso, as plataformas novas do Terminal ficam desertas a maior parte do dia, num contraste com o restante da cidade, onde o carioca convive com rodoviárias e terminais superlotados.

Um dos problemas para a baixa procura está no divórcio entre planejamento e realidade: projetado para fazer a conexão dos BRTs Transolímpico e Transcarioca, e de integrar parte do Viário da Barra, o terminal convive com um entorno vazio. As arenas esportivas são pouco utilizadas, e o edifício do Centro de Imprensa dos Jogos ainda aguarda, vazio, um comprador.

Uma estação em meio a um deserto de pessoas só poderia permanecer vazia, ainda mais quando moradores e trabalhadores de condomínios das imediações têm outras estações de BRT mais próximas. Além disso, uma única linha faz ponto no Terminal semi-deserto (o parador Jardim Oceânico-Centro Olímpico), e nenhuma linha alimentadora utiliza o espaço. De quebra, os passageiros ainda reclamam do enorme intervalo entre os ônibus, espera que pode chegar a 40 minutos, segundo mostra reportagem do jornal O Globo.

Quando comparado a outros terminais BRT, o Terminal do Centro Olímpico perde de goleada: Jardim Oceânico – 60 mil passageiros por dia; Alvorada – 17 mil passageiros entram, desembarcam 17 mil e 34 mil passam pelas plataformas vindos da Transoeste e transferindo-se para a Transcarioca (ou vice-versa).

Ouvida pela reportagem do jornal carioca, a diretora de Relações Institucionais do BRT, Suzy Balloussier, afirma que “o movimento esperado não veio, mas mantemos todo o sistema pronto para receber o público diário previsto de 2.200 pessoas por dia”.

Enquanto isso, o Rock in Rio vai fazer o Terminal Centro Olímpico reviver os bons tempos dos Jogos: vai funcionar 24 horas direto, com uma estimativa para as duas semanas dos shows de transportar perto de cem mil pessoas diariamente.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Afinal o que interessa é a alta demanda das mala$$$$$$$$$$$$.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Daniel Duarte disse:

    Em Curitiba agora criou-se uma onda de carros lotação, fazem as mesmas linhas de ônibus com preços equivalentes, acredito que isso vai aumentar com a criação de grupos de passageiros através de aplicativos como whatsapp.
    Só com transporte coletivo de qualidade para concorrer com isso, linhas de ônibus que ficam presas ao trânsito, vão perder espaço para as lotações repaginadas.

    1. Paulo Gil disse:

      Daniel Duarte, boa noite.

      Isto é reflexo da inércia do puuuuuuuuuuder.

      Não faz o que tem de fazer, quem sabe faz.

      Mas como o puuuuuuuder apesar de todas a inércia ele é soberano ao interesse público.

      Ai faz a caça as bruxas e volta tudo dantes como no quartes de Abrantes.

      Abçs,

      Paulo Gil

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