Sindimoc reivindica, e câmeras de vigilância em ônibus metropolitanos serão testadas na Grande Curitiba
Publicado em: 6 de setembro de 2017
A instalação de câmeras de segurança no interior dos ônibus era a principal reivindicação dos trabalhadores diante da violência crescente
ALEXANDRE PELEGI
Em protesto contra a falta de segurança nos transportes em Curitiba e região metropolitana, motoristas e cobradores têm realizado uma série de atos desde segunda-feira, dia 04.
Após um cobrador ser morto esta semana dentro de um ônibus, e de um motorista ser esfaqueado dentro de um ligeirinho – além de casos de arrastões e assaltos nos últimos dias – uma comissão de segurança foi criada para discutir os pedidos da categoria.
A instalação de câmeras de segurança no interior dos ônibus é a principal reivindicação dos trabalhadores.
Segundo o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), desde julho várias reuniões já foram realizadas, e apenas a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) apresentou uma tentativa de solução para o pedido dos motoristas e cobradores. A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) ainda avalia a situação, segundo informa o Sindimoc.
A Comec afirma que neste mês os testes dos equipamentos de monitoramento vão começar a ser feitos na RMC. Seis empresas de tecnologia estão testando seus sistemas nos ônibus de diferentes permissionárias, para que o resultado seja analisado posteriormente pelo Comitê Permanente de Segurança no Transporte Coletivo Metropolitano.
Quanto às câmeras nos ônibus de Curitiba, a Urbs informa que analisa a instalação nos coletivos. A empresa municipal relata que o sistema municipal possui 500 câmeras de monitoramento em terminais do transporte coletivo e estações-tubo, conectadas 24 horas ao Centro de Controle de Operação (COC). Os ônibus da frota das linhas urbanas contam com botão de pânico, que ao ser acionado alerta o COC e também as empresas de ônibus.
PARALISAÇÕES:
Ontem, assim como no dia anterior, os motoristas e cobradores fizeram uma paralisação das 9 às 10 horas da manhã. Todos os ônibus que tinham ponto nas praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Praça Osório, Praça Zacarias e Tiradentes, além da Travessa Moreira Garcês e Rua Nestor de Castro, ficaram sem rodar.
Para hoje (6), nova manifestação está marcada entre 15h e 16h, devendo afetar as mesmas linhas.
O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) afirmou em nota que membros do Sindimoc estavam “sequestrando os ônibus das empresas para levá-los aos locais de protesto da categoria pela falta de segurança no transporte coletivo”.
Mas a única sugestão que a entidade patronal deu para reduzir a onda de violência foi a utilização do cartão transporte, para reduzir o dinheiro no interior dos veículos.
Em nota, o Sindimoc respondeu ao Setransp, afirmando que o patronato deveria mostrar mais compromisso com a segurança dos trabalhadores e usuários do transporte coletivo. “Mesmo que seus diretores andem em carros blindados, esse problema também é deles. Cada vez mais passageiros têm optado por outros modos de deslocamento, em face aos índices crescentes de criminalidade nos ônibus”.
OUTRAS DEMANDAS
Para agilizar a comunicação de assaltos no interior dos ônibus os trabalhadores do transporte coletivo pediam a criação de um setor de inteligência. Este setor reuniria representantes do Sindimoc, das forças de segurança e das empresas.
O Sindimoc afirma que este pedido já foi aceito, o que permite que os órgãos de segurança pública tenham acesso a relatórios e levantamentos dos locais e das linhas com mais ocorrências de furto, roubo, vandalismo, assédio sexual e fura-catraca.
Os trabalhadores também solicitaram cursos e palestras para motoristas e cobradores para instruí-los a lidar com situações de risco. A Comec informou que estas ações estão sendo agendadas.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte



Comentários