Empresas de ônibus dizem estar preocupadas com intenção de Doria passar corredores para viações

No ABC, empresa que opera trólebus cuida de corredor. Contrato é de 25 anos

Presidente do SPUrbanuss, Francisco Christovam, diz que se realmente a medida ocorrer, custos de corredores devem ser separados da tarifa

ADAMO BAZANI

O prefeito de São Paulo João Doria declarou várias vezes que estuda a possibilidade de, na nova licitação dos transportes, passar a responsabilidade pela manutenção e ampliação dos corredores de ônibus da cidade para as empresas operadoras.

O objetivo seria tirar este encargo da prefeitura e, ao mesmo tempo, passar o serviço para quem conhece mais de perto a realidade operacional do sistema.

Entretanto, as empresas de ônibus veem com ressalva a proposta de Doria.

O presidente do SPUrbanuss, entidade que reúne as companhias do sistema estrutural (linhas com veículos maiores), Francisco Christovam, disse ao Diário do Transporte que será necessário separar estes custos dos gastos de transportes, caso contrário, as tarifas e os subsídios vão aumentar ainda mais do que o previsto. Somente neste ano, com os aumentos de gratuidades entre 2013 e 2016 e com o congelamento da tarifa por Doria, os complementos devem chegar a R$ 3,3 bilhões.

“Nos preocupa. Não é possível assumir mais esta conta no custo do sistema. Se jogar o custo da infraestrutura, tanto de implantação como de manutenção, vai acabar funcionando como mais uma gratuidade. Hoje as gratuidades são embutidas no preço ao passageiro pagante e nos subsídios ao sistema. Aí a tarifa para o pagante vai ficar alta demais. A população não vai entender mais esta conta e as pessoas vão sair do transporte público. As empresas operadoras não vão se furtar de assumir mais esta responsabilidade, mas desde que se separe os custos de transportar pessoas dos custos de se manter e implantar infraestrutura e aí, quando se fala em corredores, não é só o pavimento, tem também as estações, canteiros e até semáforos”

O representante das companhias de ônibus também afirmou que só será possível assumir infraestrutura caso o tempo de contrato seja mais logo. A atual lei determina prazo de 20 anos, mas Doria cogita 10 anos na nova licitação e, para isso, movimenta aliados a fim de alterar a legislação.

“Em 10 anos de contrato não é possível exigir grandes investimentos de qualquer concessionária e nem precisa ser necessariamente de transportes. Baixar [o tempo de contrato] para 10 anos parece ser fora da realidade do que a cidade precisa em termos de transportes. Por exemplo, ônibus menos poluente dura mais que isso. Se o contrato exigir que implantemos ou ampliemos infraestrutura, é impossível dar conta. Algumas obras de corredores, em seu ritmo normal, sem nenhum entrave, podem demorar quase a metade do tempo de contrato proposto. E para prefeitura pagar tudo em dez anos, também vai ser pesado para a cidade.” – continuou Francisco Christovam que conversou com o Diário do Transporte na Transpublico, feira de mobilidade urbana realizada na capital paulista na última semana.

Na Grande São Paulo, o Corredor ABD, é regido por um contrato que transfere à empresa de ônibus a responsabilidade pela manutenção do espaço.

O sistema tem 33 quilômetros no eixo principal que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, ao Jabaquara na zona Sul, passando por Diadema, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá (Terminal Sônia Maria).

A empresa operadora Metra mantém o pavimento, as 110 paradas, os nove terminais, o jardim nos canteiros (Corredor Verde), iluminação e a rede de trólebus.

Entretanto, o contrato foi assinado em maio de 1997 e vai até 2022, com condições diferentes de remuneração.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Urashima disse:

    Essa proposta de passar aos operadores a manutenção do viário é absurda. O passageiro do transporte coletivo terá que bancar a manutenção da cidade. Oras, então para que pagamos impostos, ISS, IPTU, IPVA senão para que a prefeitura faça os investimentos e a zeladoria necessária. Nas ruas e avenidas em apenas carros transitam. Será que estes motoristas também vão arcar com sua manutenção? Acho que, e realmente não faz sentido, da mesma forma que não faz sentido transferir a responsabilidade de manutenção de corredores de ônibus e sua ampliação para os operadores. Vale lembrar que a partir deste ano, A EMTU autorizou a cobrança de R$ 1,00 em alguns terminais do corredor ABD devido aos custos de manutenção da via assumidos pela operadora.
    Sobre a diminuição nos prazos dos contratos de 20 anos para 10 anos, significa dizer que será uma licitação apenas para manter os serviços no nível atual.

  2. William de Jesus disse:

    Cada dia que passa eu entendo menos o que o Doria está planejando. Ele não está fazendo nada pela cidade, e sim repassando responsabilidades certas para o duvidoso. Ora, e pra que serve o secretário de transportes se todo o sistema é cuidado por quem opera? Pra que SPtrans? Se a gerenciadora de trasportes da cidade não tem conhecimento suficiente daquilo que ela controla, então podem extingui-la, será mais uma economia para a cidade. Deveriam transformar a SPTrans uma Urbs igual de Curitiba, para que a coisa fiquei mais organizada.

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Isso é muito bom em duas situações:

    1) Quando há sobras de verbas e os custos são cobertos numa boa e todos “eles” ganham,
    como os casos da lava jato.

    2) E na teoria.

    Quando a fonte seca o bicho pega.

    O Prefeito é muiiiiiiiiiiiiiiiiiito inteligente, ele está tirando as responsabilidades das costas dele, a próxima gestão que ficará com o abacaxizão.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKkkkkkk

    Preparem-se vamos ver o que vai virar o corredor ABD em 2022.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Desse jeito não haverá mais a PMSP, Sampa será privado, pois privada já é.

    Cadê a Cidade Linda ?? Aonde é ?? Alguém pode me informar ??

    MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

  4. Mais já na gestão do Haddad isso estava previsto.

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