SPTrans estuda aumentar intervalos de ônibus nas linhas da madrugada

Segundo prefeitura, há diferença de três vezes entre os custos operacionais do dia e da madrugada.

Medida pode ser alternativa para reduzir custos de operação da Rede Noturna que, segundo a gerenciadora do sistema, são três vez maiores por passageiro que nos horários habituais

ADAMO BAZANI

Uma das principais bandeiras da gestão Fernando Haddad em relação à área de transportes, a Rede Noturna, formada por 150 linhas de ônibus que circulam na cidade de São Paulo, pode sofrer alterações na atual gestão.

Mas os motivos não são relacionados, numa primeira análise, a posições políticas ou descontinuidade administrativa e, sim, à situação financeira da prefeitura e, especialmente do setor de transportes na cidade que, neste ano, deve precisar de subsídios de mais de R$ 3 bilhões, sem contar que parte de repasses do sistema às empresas de ônibus que deveriam ser realizados em 2016 devem ficar para a conta do início de 2018.

Para mexer o menos possível nas 150 linhas, a administração estuda tomar medidas que visam reduzir os custos da Rede Noturna.

Entre as possibilidades está aumentar os intervalos em algumas destas linhas e, assim, podendo reduzir a frota ou número de viagens.

“Quando a gente pensa em mexer na rede noturna é porque estamos sufocados com o valor [do custo] por passageiro, que custa três vezes mais caro transportar na rede noturna do que na rede do dia. ” – disse o secretário municipal de mobilidade e transportes Sérgio Avelleda, em encontro de influenciadores digitais realizado neste último sábado, 19, na capital paulista, que teve participação do Diário do Transporte.

“O ideal seria até expandir [a Rede Noturna], mas o problema é que nós temos um cobertor que está muito curto. Talvez quando implantaram esta Rede Noturna, tinha uma realidade financeira mais favorável. Mas nesta conta ao mesmo tempo se ampliou o Passe Livre, se ampliou a gratuidade para pessoas com mais de 60 anos de idade. Tudo isso junto elevou o subsídio [ao sistema de transportes] a mais de R$ 3 bilhões. No ano passado pagaram R$ 2,5 bilhões, mas ficaram devendo 400 [milhões]. Neste ano nós vamos pagar R$ 2,7 bilhões e vamos deixar o R$ 400 milhões do ano passado para o ano que vem. Um subsídio que começou em São Paulo baixíssimo e foi crescendo. E se a gente não fizer nada, ele [o subsídio] não vai parar de crescer.” – disse Avelleda no encontro, fazendo referências à gestão passada, de Fernando Haddad à frente da prefeitura e Jilmar Tatto na secretaria de transportes.

A Rede Noturna foi criada em 28 de fevereiro de 2015. Antes, havia 98 linhas que atendiam de maneira não uniforme a cidade e que funcionavam 24 horas.

Diferentemente destas 98 linhas anteriores, as 150 linhas, sendo 49 estruturais, que ligam terminais com intervalos de 15 minutos e as 101 locais, que ligam os bairros aos terminais, com intervalos de 30 minutos, operam somente da meia noite às quatro da manhã.

Antes da Rede, os ônibus 24 horas transportavam por mês, em média, 550 mil passageiros. Já em julho deste ano, foram 991.869 usuários, ou seja, a procura pelo sistema aumentou, em especial nas áreas de atendimento de saúde e aos fins de semana.

O aumento da demanda, entretanto, segundo os dados da SPTrans, não representou “divisão maior do bolo” e redução dos custos por passageiros.

De acordo com slides apresentados por técnicos da SPTrans no encontro, a Rede da Madrugada tem, em média, custo mensal de R$ 7,5 milhões. O custo por passageiro hoje na rede comum, ainda segundo a apresentação, é de R$ 2,57 enquanto que o custo por passageiro na madrugada é de R$ 7,57

Hoje a frota da Rede Noturna é composta por 544 veículos, dos quais 249 para as linhas estruturais, 226 para as linhas locais e 69 de reserva.

Umas das alternativas no primeiro semestre foi alterar o tipo de ônibus que operam de madrugada, aumentando a quantidade de veículos básicos e midis e diminuindo o total de Padrons e Articulados, que têm maior capacidade.

Os índices de qualidade de prestação de serviços na madrugada são melhores do que no restante do dia.

Enquanto nos horários habituais o índice de cumprimento de viagens é de 90%, o da madrugada é de 96%. Maior, contudo, é a diferença entre a rede do sistema convencional e a rede da madrugada quando o quesito é pontualidade. Segundo a SPTrans, enquanto a pontualidade das partidas na madrugada é de 96%, no decorrer do dia apenas pouco mais da metade das partidas dos ônibus é pontual: 58%

Avelleda disse no encontro que a Secretaria de Mobilidade e Transportes está aberta às sugestões, mas que atitudes para baratear a rede terão de ser tomadas. O secretário voltou a alfinetar a gestão anterior.

 “ Por nós a oferta de transportes seria melhor, a infraestrutura seria muito melhor, os ônibus seriam muito mais modernos , mas tudo isso precisa se encaixar na realidade, sem populismo. Quando se faz uma medida muito boa, mas esta medida não tem sustentabilidade financeira, um dia você vai quebrar em algum lugar” – complementou o secretário Sérgio Avelleda, que defendeu a medida do prefeito João Doria em congelar a tarifa dos ônibus em R$ 3,80 neste ano.

“Alguém pode dizer. Ora, mais aumenta a tarifa. Mas as pessoas não estão com dinheiro para pagar a tarifa. Do outro lado, a gente tem 14 milhões de desempregados no Brasil e não há mais espaço para mexer no dinheiro das pessoas e dizer para elas: me dá mais dinheiro para sustentar o sistema. Não demos reajuste da tarifa mesmo porque não tinha como dar. As pessoas não vão aguentar pagar. Fizemos medidas, aumenta a integração, racionaliza o passe-livre [estudantil] , não é que reduziu o passe-livre, mas disciplinou o uso para voltar a ser como sempre foi. Até na época que só havia a meia passagem sempre foi desse jeito. Para o estudo dávamos uma ida e uma volta com quatro integrações no sentido. Agora tinha até um contraste, quem pagava meia passagem tinha essa limitação, quem não pagava nada não tinha limitação nenhuma. A gente não faz estas medidas por prazer. A gente tem de fazer com o recurso que tem, o melhor para todos. Não aumentar a tarifa foi a decisão política correta de, com o menor recurso, fazer o melhor para todos” – afirmou ainda Avelleda no encontro.

Veja a apresentação na íntegra

 

https://www.facebook.com/SPTransOficial/videos/1590685884317096/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Estava dando uma olhada na frota disponível e achei algo fora do normal
    249 Frotas no sistema estrutural
    226 Frotas no sistema local
    69 Frotas reservas,
    Nenhum sistema trabalha com essa frota reserva quase 15% isso eleva os gastos. Se esses números estiverem certos o buraco este ai reduza a frota disponível na reserva para 8% que seriam aproximadamente 38 ônibus reduzindo custo de 31 ônibus no sistema noturno.

  2. Analisa as linhas, trechos parecidos podem ser agrupados numa mesma linha, retira parte dos reservados pra retirar o custo do veículo e dos motoristas a disposição, reveja a questão da gratuidade, ainda mais porque não faz sentido a gratuidade num transporte de 2,57 valer igualmente para 7,xx. Um jeito de aumentar a arrecadação é fazer estudos pra saber para onde as torcidas vão após os jogos de quarta/quinta a noite, assim você arrecada sem precisar gerar novos custos. Alterar o intervalo de 15 para 20 minutos retirando 1 partida por hora.

    1. William de Jesus disse:

      Não é tão simples assim. As linhas da madrugada que foram criadas foram muito bem pensadas. É muito dificil pegar linhas que se sobrepõe e, se isso ocorre, é já proximo do terminal. Antes eu achava que SP tinha muitas poucas linhas operando e que poderia ter mais, mas a verdade é que é desnecessario.

      Sobre as gratuidades, concordo plenamente. Mas isso não será mexido agora. O grande problema é esse: o pessoal só ve o próprio umbigo e quer que se lasque o resto! Ora, se eu sou estudante e tenho plena possibilidade de pagar minha passagem, por que vou reclamar que não consigo usar meu bilhete para ir a outro lugar que não a escola (o que ocorria direto: estudantes que aproveitavam a brecha deixada pelo Haddad e usavam o bilhete mensal pra ir pra onde queriam). Quanto os idosos, concordo que esses deveriam pelo menos de pagar 20% a 30% da passagem, e os que realmente nao tem condições, aí sim usar gratuitamente

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Só agora descobriram que linha noturna é mais cara ??

    Isso é que dá fazer as coisas na base da cortesia com o chapéu do contribuinte e sem contabilidade.

    O cerco ta fechando.

    Muito em breve o descongelamento da tarifa.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Att,

    Paulo Gil

  4. Urashima disse:

    As linhas noturnas de São Paulo foram uma conquista oriunda de décadas de reivindicações. Servem a aqueles que estão indo ou voltando do trabalho. Servem a aqueles que estão indo se divertir, ou voltando da diversão. Servem a toda a população, em especial aqueles que não dispõem de recurso suficientes para gastar com taxis ou ubers da vida. Transporte coletivo é um Direito Social.
    O secretário fala em custos de R$7,5 mi por mês, mas esses valores não fazem nem cócegas perto do montante do dispêndio que o sistema necessita. Só para lembrar, em Fevereiro último essa administração abriu licitação para publicidade na ordem de R$ 100 mi por ano por 04 anos. Logo se vê que a questão não é falta de recursos e sim a prioridade dada aos recursos.
    Se a PMSP que reduzir custos, que troque a tecnologia dos carros nas linhas de bairro, colocando os micro-ônibus no lugar dos Padrons. Também não há necessidade de veículos articulados nessas linhas. O que não é aceitável é aumentar os intervalos, pois esperar até 30 minutos pelo ônibus não é ideal porém ainda aceitável, porém ter que esperar 40 minutos, como a SPTRANS anunciou e voltou atrás, isso fará com que a situação volte a era anterior, com as 98 linhas que operavam com intervalo de 50 minutos ou mais.
    Tomara que o sistema seja mantido, com as linhas atuais e com os intervalos atuais, pelo bem do sistema e principalmente dos usuários do sistema.

    1. William de Jesus disse:

      Amigo, também enxergo dessa forma. As linhas do sistema estrutural não tem o que mudar, pois o fato de maioria delas trafegarem em corredores e, principalmente, o fato dessas empresas não terem uma frota de microônibus impede que isso seja feito. Mas a linhas locais, essas sim, podem perfeitamente operar com microônibus, pois são operadas pelas ex cooperativas que ainda tem uma frota grande de microônibus. E se o problema for os micros, coloque os miniônibus mesmo.

      Eu sou usuário das linhas da madrugada e posso afirmar que é possivel muito bem fazer um meio termo. Ex: Das madrugadas de segunda feira à quinta, podem operar com veículos menores pois a demanda é muito baixa. De sexta até a madrugada de domingo, ai sim, colocar veiculos padron ou até articulados, pois a demanda aumenta quase 3x dos outros dias. Tudo isso, sem precisar mexer no intervalo

      O maior problema que vejo nisso tudo é que a solução é sempre uma que prejudique o passageiro: tire frota, aumente o intervalo entre um ônibus e outro, etc

  5. alfredo Masculino disse:

    Voltem com a CMTC, chega de encher o bolso dos mesmos empresários que há décadas vivem chorando mas não largam o osso.Motoristas e cobradores ganham menos que nos anos 90, menos que os companheiros de cidades do interior, Sorocaba, por exemplo. Sempre a mesma conversa, muda o Prefeito e tudo continua igual.

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