Propina no Rio de Janeiro deixou ônibus 12% mais caro
Publicado em: 15 de agosto de 2017
Operação Ponto Final, deflagrada pelo MPF, denunciou que em 2009 reajuste no valor das passagens de ônibus intermunicipais foi de 7%, quando aumento deveria ter sido de 2%
ALEXANDRE PELEGI
Vários fatores concorrem para formar o preço da tarifa de um sistema de ônibus: custos de capital, custos com pessoal, despesas com peças e acessórios e despesas administrativas. O que parece ser uma simples fórmula, no entanto, fica muito diferente quando envolve um fator obscuro chamado “corrupção”.
Se os custos de pneu ou combustível, ou ainda salários e benefícios de motoristas, podem ser calculados e auditados, a corrupção é a grande incógnita que impactou o bolso do cidadão do Rio Janeiro toda vez que tomava um ônibus para ir trabalhar.
Esta é a dúvida que fica na cabeça de muitos quando se busca explicação para a origem dos recursos que teriam sido pagos pela “caixinha da propina” das empresas de ônibus do Rio ao ex-governador Sérgio Cabral. De onde saiu esse dinheiro?
O Ministério Público Federal, que vasculhou a incestuosa relação entre empresas de ônibus e poder executivo no Rio de Janeiro, mostra parte dessa história: o presidente do Detro (Detro – Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro), Rogério Onofre, em 2009 decidiu reajustar o valor das tarifas intermunicipais em 7,05%, quando o índice deveria ter sido de apenas 2%. Logo, algo bem fora dos índices que deveriam nortear qualquer cálculo tarifário.
Essa diferença gritante entre índices não apenas engordou os lucros de empresários, como foram regar generosamente os bolsos de membros do governo do Estado, à época dirigido pelo peemedebista Sérgio Cabral.
O jornal carioca “Extra” fez uma simulação de quanto esse aumento fora de propósito impactou no valor final da tarifa. E o resultado é impressionante: quase 12%.
Pelos cálculos feitos pelo jornal e referendados por economistas, a diferença de quase 5% a mais, reajustada pelo mesmo índice utilizado para a variação dos preços das passagens (IPCA), corresponderia hoje a 11,9%.
Ou seja, do valor de uma viagem que custa R$ 15,50 (o jornal usa o preço da linha 1512, Vilar dos Teles-Castelo), R$ 1,85 corresponde ao valor autorizado acima do índice em 2009. Imagine pagar esse valor a mais todos os dias?
Num momento em que empresas de ônibus lutam por aumentar receitas diante de uma recessão econômica aguda, o péssimo exemplo dos empresários do Rio de Janeiro só vem reforçar a percepção popular de que tarifa de ônibus é sinônimo de “caixa preta”. E pode colocar em risco todo o sistema público de ônibus urbano no país.
A necessidade de transparência é hoje a única maneira de o setor de ônibus ganhar apoio popular para justas reivindicações de um transporte que é essencial – até por ser o principal – para o trabalhador brasileiro. E permitir, mais ainda, que os custos do sistema sejam devidamente identificados, a começar das gratuidades. Afinal, quem espalha benesses de olho no voto do cidadão são os políticos populistas, que geram despesas, mas se negam a trabalhar por fontes de receitas permanentes para o sistema de transporte coletivo.
Logo, a luta por fontes sustentáveis de financiamento, como a Cide (o imposto sobre a gasolina), requer a transparência nos custos que movem o sistema. Para pedir dinheiro, é preciso demonstrar à sociedade que ele será bem utilizado em favor de todos. Bons políticos repelem maus empresários, assim como empresários corretos não aceitam malandragens políticas.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte



Amigos, bom dia.
Conforme consta no post acima:
“Essa diferença gritante entre índices…”
E or órgão de controle, não detectaram essa diferença?
O que diz o TCM-RJ, o TCE-RJ, o MP-RJ.
Ninguém detectou nada ?
Quem cala consenti.
Mas nessa altura do “campeonato”, o $$$$$ já era.
MUDA BARSIL.
Att,
Paulo Gil