Polícia Federal deflagra Operação Descarrilho por fraudes no VLT de Cuiabá
Publicado em: 9 de agosto de 2017
Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Delação premiada de ex-governador forneceu combustível para investigações
ALEXANDRE PELEGI
A PF deflagrou na manhã desta quarta-feira (9) a “Operação Descarrilho”, que investiga crimes de fraude a procedimento licitatório, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais durante processo de escolha e execução do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá e Várzea Grande.
Nas investigações já realizadas foram colhidos indícios de pagamentos de propina envolvendo empresas, agentes públicos e o consórcio executor da obra.
Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
O inquérito, que corre na 7ª Vara Federal do Mato Grosso, aponta indícios de acertos de propinas com representantes de empresas integrantes do Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande. As obras estavam previstas para a Copa do Mundo de 2014, mas estão paradas desde dezembro daquele ano.
O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), que comandava o governo do estado à época de licitação do modal, admitiu em depoimento ao MPF ter feito um acordo para receber R$ 18 milhões do grupo CR Almeida, um dos integrantes do Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande. A informação integra o pedido do MPF que resultou na Operação Descarrilho.
Silval Barbosa negou que tenha havido fraude na licitação. Ele admitiu, no entanto, que tratou do pagamento de propina por parte das empresas integrantes do consórcio vencedor.
Segundo o MPF, “Silval Barbosa negou a existência de fraude à licitação, mas admitiu que houve tratativas referentes ao pagamento de propina por parte de empresas integrantes do consórcio vencedor do certame, revelando a ocorrência dos crimes de corrupção ativa e passiva, bem como lavagem de dinheiro. As informações por ele prestadas, por outro lado, após atividade de cruzamento com elementos de prova que instruem os autos, consubstanciada na Informação n° 059/2017 — NIP/SR/PF/MT (anexa e à qual integra esta representação per relationem), são consentâneas com documentos e constatações verificadas no curso da investigação“.
EX-GOVERNADOR PEEMEDEBISTA ACABOU NA PRISÃO:
O ex-Governador Silval Barbosa foi preso em setembro de 2015 durante a operação Sodoma, que investigava a existência de uma suposta organização criminosa de cobrança de propina de empresários em troca da manutenção de contratos vigentes com o estado do MT.
No dia 13 de junho de 2017 a juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a prisão domiciliar do ex-governador, mediante o uso de tornozeleira eletrônica. O peemedebista Silval teve benefício à prisão domiciliar mediante entrega de R$ 46 milhões em bens e após confessar os crimes que cometeu.
Em julho deste ano Silval fechou um acordo de delação premiada, considerada “monstruosa” pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso chegou ao gabinete dele para homologação no início de agosto, chamando a atenção pelo grande volume de informações. Segundo Fux, depois da Lava-Jato, “esta é a maior operação“.
Em sua delação, o ex-governador envolveu até o ministro da Agricultura do governo Temer, Blairo Maggi (PP). Segundo ele, Maggi teria participado da montagem de um esquema para liberar dinheiro de precatórios estaduais em troca do apoio de parlamentares do Estado.
A NOVELA TRÁGICA DO VLT DE CUIABÁ
A obra estava prometida para a Copa do Mundo de 2014: o moderno VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), de Cuiabá, foi anunciado com pompa e circunstância pelo então governador Silval Barbosa, do PMDB. Na verdade, o sonho do VLT acalentava a população desde 2009, quando Cuiabá foi escolhida como sede dos jogos da Copa ao lado de outras 11 cidades.
Em 2011, quando a indefinição pela escolha do sistema de transporte ainda gerava dúvidas entre os possíveis modais (VLT ou BRT), uma comitiva de políticos de Mato Grosso, liderada pelo então governador Silval Barbosa, viajou à Europa para conhecer o funcionamento de um metrô de superfície, o VLT. O grupo ficou seis dias entre Londres e Porto, em Portugal.
Em Portugal a comitiva matogrossense foi ciceroneada pelo presidente do Metrô do Porto, onde conheceu de perto o VLT, modelo que passou a ser então o preferido pelo governo estadual. O blog “O Livre”, de Cuiabá, lembra que em 10 anos de operação “o sistema portuense acumulou 10 balanços anuais negativos e, em relação a 2010, o ano de 2011 teve sua situação financeira agravada em 12,7%. A dívida acumulada era de R$ 7,7 bilhões, conforme dados do próprio Metrô do Porto, a empresa que administra o VLT”.
Desde 2014 a obra do VLT de Cuiabá-Várzea Grande já consumiu mais de R$ 1 bilhão, deixando prontos apenas seis quilômetros de trilhos por onde os trens, importados da Espanha, nunca circularam para atender a população. Paradas ao relento no pátio da concessionária já há três anos, as composições são flagrantes da megalomania política e do desperdício de dinheiro público.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte



Amigos, boa noite.
Sééééééééééééério ???
E quando chegará nos Aerotrens de Sampa ??????
Roda ou Implode ??
Quando ??
Att,
Paulo Gil