HISTÓRIA: 9 de Julho, o orgulho de São Paulo

Um Nielson Diplomata JO. Empresa marcou história do Vale do Ribeira, Litoral e Capital

 

A data que marca a luta por Constituição também é lembrada na história dos transportes

ADAMO BAZANI

O dia 9 de julho, considerada uma das datas mais importantes para o estado de São Paulo, foi quando começou a Revolução Constitucionalista, a revolta contra a ditadura de Getúlio Vargas.

Os paulistas queriam mais liberdade, democracia e pediam que o então presidente Vargas formulasse, com ajuda de parlamentares, uma nova Constituição.

Entretanto, o presidente não queria essa flexibilização.

As tensões começaram pelo menos um ano antes, até que no dia 9 de julho, não foi possível mais segurar o anseio da população.

No dia 23 de maio de 1932, durante a realização de um ato político no centro da cidade de São Paulo, em prol da democratização, a polícia agiu duro contra os manifestantes. Quatro estudantes foram mortos. Em homenagem a eles, o movimento passou a se chamar MMDC – iniciais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

A sigla MMDC e a data 23 de maio, que dá nome a uma das avenidas mais famosas da capital, também são de amplo conhecimento dos paulistas.

Cartaz convocando à luta pela Constituição

São Paulo acabou perdendo a luta armada, mas ajudou o país a dar, anos depois, um importante passo para luta em prol da democracia.

A derrota foi nas armas, mas no orgulho São Paulo ganhou.

Referências ao dia 9 de julho podem ser encontradas em praças, viadutos, ruas e avenidas em diversas partes do estado de São Paulo.

Como o setor de transportes também é ligado à história e à identidade de uma região, não poderiam faltar empresas de ônibus com esse nome.

Uma delas, que também foi um dos marcos de sua região por vários anos, foi a Viação 9 de Julho, cuja sede ficava em Registro, e fazia linhas do Vale do Ribeira até o Litoral Sul com extensões para capital Paulista.

Monobloco O-364 da 9 de Julho. Conforto para motoristas e passageiros

Não é exagero nenhum dizer que a empresa de ônibus ajudou no crescimento da região.

Começando a operar no final dos anos 60, trazia pessoas dos municípios do Vale do Ribeira até Santos, onde já havia mais desenvolvimento.

Ônibus da 9 de Julho na rodoviária de Santos nos anos de 1980

Esta ligação também auxiliou os investidores a enxergarem de uma maneira mais atenciosa as necessidades e as oportunidades que haviam nesta parte do Estado de São Paulo.

Na maior parte de sua atuação, a 9 de julho operava com as inconfundíveis cores azul e vermelha e branca, em faixas discretas, mas muito bem dispostas na lataria dos veículos.

Ônibus Thamco Falcão Mercedes-Benz. A diversidade de modelos era outra característica da empresa

A frota era bastante diversificada de acordo com os serviços, com veículos mais simples de motor dianteiro até os mais sofisticados de três eixos.

Em 1998, a empresa foi comprada pelo grupo do empresário Belarmino de Ascenção Marta.

Comil Condottiere 3.40 da 9 de julho. Ao fundo, ônibus da Breda

Monobloco O-370 RSD, da 9 de Julho, para viagens maiores

A potência do Volvo B58, com carroceria Diplomata também marcou história

Surgia a Intersul que iniciou suas atividades em abril de 1999, quando assumiu linhas da antiga Viação Nove de Julho. A empresa passou a operar todas as ligações entre o Vale do Ribeira e a Capital, Baixada Santista e Litoral Sul do Estado, além das linhas regionais do Vale do Ribeira.

Desde 2015, a empresa agora se chama Valle Sul.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

14 comentários em HISTÓRIA: 9 de Julho, o orgulho de São Paulo

  1. Amigos, boa tarde.

    Adamo sensacional matéria, combinado duas histórias a politica e a do buzão, PARABÉNS!.

    As fotos são simplesmente sensacionais, muito obrigado, viajei no tempo,

    Quem não se lembra dos 9 de Julho.

    Perto do Terminal Buta, tem a RUA MMDC, também em homenagem.

    Pena que a democracia descambou e está dando no que deu.

    Muita democracia também vira casa da Maria Joana.

    “Se estiver no comando, COMANDE.”

    Att,

    Paulo Gil

  2. Anderson Alessandro // 9 de julho de 2017 às 17:55 // Responder

    Um complemento: havia uma garagem da 9 de julho em Taboão da Serra, atrás da fábrica CINPAL; essa área foi incorporada a empresa já a alguns anos.

  3. Ismael de Jesus Silva Mendes // 9 de julho de 2017 às 20:17 // Responder

    Um ano antes de ser vendida para o Grupo do Belarmino um dos seus ônibus se envolveu em um grave acidente na BR-116 altura da serra do cafezal metade dos passageiros morreram do acidente e o motorista do ônibus que saiu ás 13:00 do Terminal Rodoviário Tietê sentido Vale do Ribeira o acidente foi causado por imprudência do motorista de uma carreta da empresa F.Souto.

  4. Rodinei Campos da Silveira // 17 de agosto de 2017 às 21:10 // Responder

    Eu e a minha saudosa mãe pegamos um ônibus desta empresa para seguirmos pra Cananéia (no Litoral Sul) em agosto de 86.

    • Romílio José da Silva // 9 de julho de 2018 às 20:12 // Responder

      e eu me lembro muito bem desse acidente migão naquela época trabalhava no Expresso Itamarati mas tinha amizade com o Arlindão inspetor e alguns motoristas era colecionador da revista Carga e Transporte teve uma matéria sobre esse acidente nunca mais me esqueço daquela foto

  5. Minhas primeiras viagens só na adolescencia foram com a 9 de julho. Iguape – São Paulo!

  6. sou do vale ,meu pai e dois tios trabalharam na 9 de julho e depois na intersul,essa empresa deixou saudades,faz parte da minha infancia.

  7. o meu pai que eu nao conheco ele trabalhava nessa empresa mais ele morreu de acidente!queria saber quem era ele?so sei que ele morava em Cajati SP

  8. era na epoca de !985..minha mae na epoca tava gravida de mim

  9. mauricio cordeiro // 25 de março de 2018 às 16:55 // Responder

    O meu irmão Valdovino cordeiro trabalhou na empresa linha cananeia a são paulo.tempo bom

  10. Cresci pegando o 9 de julho moro na praia grande minha família registro e a registro Iguape Eldorado Desde o tempo também da Viação São Miguel Arcanjo saldades

  11. Na minha memória, a 9 de julho está associada a inúmeros acidentes na Regis Bittencourt a “rodovia da morte”. Na época desta empresa a rodovia era em pista simples, e com um tráfego maior que sua capacidade, aliado a imprudência de motoristas provavelmente seja a causa de muitos destes acidentes.
    Até acredito que a venda dela tenha sido por causa da situação financeira delicada por causa de indenizações devidas em razão dos inumeros acidentes.

  12. Romílio José da Silva // 9 de julho de 2018 às 20:12 // Responder

    saudade da Nove de Julho,dos parceiros do Arlindão Inspetor bons tempos aqueles

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