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Briga por controle da Itapemirim pode complicar compra da Passaredo

Quem garante é Andrea Cola, neta do fundador da Itapemirim, Camilo Cola, que briga na Justiça para retomar o controle da empresa de ônibus.

ALEXANDRE PELEGI

Conforme anunciamos nesta segunda (dia 3), a empresa de transporte rodoviário Itapemirim comprou a Passaredo Linhas Aéreas. (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/07/03/passaredo-linhas-aereas-e-vendida-para-grupo-da-viacao-itapemirim/). Mas a proposta de compra de uma companhia aérea regional por outra do setor rodoviário vai ter de primeiro superar o céu dos obstáculos legais para seguir adiante. Quem garante é Andrea Cola, neta do fundador da Itapemirim, Camilo Cola, que briga na Justiça para retomar o controle da empresa de ônibus.

A briga judicial pelo controle da Itapemirim parece distante de um fim próximo (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/13/camilo-cola-diz-que-itapemirim-foi-vitima-de-golpe-e-novo-grupo-afirma-que-contratou-auditoria/). Camilo Cola, o fundador da empresa criada em 4 de julho de 1953,  alega ter sido vítima de um golpe na recuperação judicial do grupo Itapemirim. Os atuais compradores, os empresários Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia, esta última nomeada presidente da companhia, foram contratados no âmbito do processo de recuperação judicial do grupo Itapemirim. E compraram o grupo na sequência. O grupo envolve a Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.

Com o anúncio da compra da Passaredo, Andrea Cola reitera que a transferência de controle da Itapemirim para os empresários Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia – em outubro do ano passado – foi feita de forma irregular. A posição de uma das herdeiras da Itapemirim está no jornal Valor Econômico desta quarta-feira (dia 5).

Andrea relembra que o negócio original valeria apenas para as linhas operadas diretamente pela Itapemirim, mas no final acabou envolvendo todas as empresas do grupo, incluindo imobiliárias e imóveis.

Conforme anunciamos aqui, em maio último a família Cola entrou com ações na 13ª Vara Civil Especializada Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória (ES) para anular a transferência de controle da companhia e bloquear a venda de ativos da empresa.

Problemas envolvendo demissões sem pagamento de direitos tem sido constantes, acusa Andrea Cola, informação confirmada pelo sindicato dos motoristas de Vitória.

O pedido de recuperação judicial do Grupo Itapemirim, de março de 2016, é um processo que envolve dívidas trabalhistas e com fornecedores de R$ 330 milhões e passivos tributários da ordem de R$ 1 bilhão.

Além da disputa judicial, outro obstáculo para a compra da Passaredo pela Itapemirim é que esta ainda não teve aprovado em assembleia de credores o plano de recuperação judicial. Já a Passaredo, com sede em Ribeirão Preto (interior de SP), também enfrenta processo de recuperação judicial desde 19 de outubro de 2012. O plano envolvia dívidas superiores a R$ 150 milhões, e foi aprovado pelos credores em maio de 2013, mas ainda não foi concluído.

Segundo a matéria do Valor Econômico, a Passaredo não divulga balanços desde 2014, quando registrava ativos de R$ 284,1 milhões para um patrimônio líquido negativo de R$ 110,29 milhões. Em junho de 2016, a Passaredo anunciou a demissão de 300 funcionários, para 700 pessoas, e reduziu a frota, de 14 para sete aeronaves. Os destinos atendidos diminuíram de 26 para 20.

O atual controlador da Passaredo, José Luiz Felício Filho, e o presidente da aérea, Adalberto Bogsan, não responderam as perguntas da reportagem do Valor.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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