Transportes Metropolitanos de São Paulo terão laboratório para desenvolvimento de tecnologias para mobilidade

Laboratório vai funcionar em espaço compartilhado entre a Metra e a EMTU, em São Bernardo do Campo

“[E] LAB – Experimentos em Transportes” deve criar aplicativo de celulares para melhorar serviços da Metra, no Corredor ABD, e para toda rede metropolitana da EMTU

ADAMO BAZANI

Tem sido cada vez maior a quantidade de jovens antenados às novas tecnologias e que, com seus conhecimentos técnicos e ideias inovadoras, podem trazer soluções que há muito tempo as organizações mais tradicionais, como gerenciadoras de transporte, têm buscado e não encontram, seja pela burocracia ou falta de habilidade em lidar com o ritmo das transformações e as novas linguagens e anseios da população.

Dar espaço e oportunidade a esses jovens pode significar um ganho de tempo muito grande em relação às formas tradicionais de contratação de empresas que trabalham com tecnologia e inovação. Seriam necessárias longas licitações, entraves jurídicos apareceriam pela frente, fora o alto custo para se fazer esses contratos. E, muitas vezes, as empresas hoje no mercado não teriam as mesmas ideias e praticidade desta atual geração de técnicos e empreendedores.

Por isso que a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos e a Metra, operadora do Corredor Metropolitano ABD, entre São Mateus e Jabaquara, na capital paulista, passando por cidades do ABC, colocam em funcionamento a partir desta segunda-feira, 03 de julho de 2017, o [E] LAB – Experimentos em Transportes, um laboratório de pesquisa voltado à busca de soluções para a eficiência do transporte metropolitano por ônibus.

Inicialmente, participarão do laboratório os finalistas da 1ª Hackatona Metropolitana EMTU-Metra, pela qual foram selecionadas três equipes que apresentaram ideias para melhorar a vida dos passageiros com a ajuda da tecnologia. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/24/aplicativo-que-torna-passageiro-mais-atuante-nos-transportes-vence-hackatona-emtumetra/

Em seis meses, as três equipes vão finalizar as ideias vencedoras da disputa que ocorreu em março deste ano. Entre as propostas estão aplicativos para deixar os passageiros mais atuantes nos transportes, reportando em tempo real problemas e sugestões. Outra ideia é, com um aplicativo específico, permitir com que passageiros e motoristas possam programar todos os dias os melhores roteiros para o Serviço Ligado, que atende os estudantes com deficiência e né muito dinâmico. Muitas vezes, a criança falta à escola e a mãe não tem como avisar em tempo hábil, gerando uma viagem desnecessária da van do Ligado. Com o aplicativo, o motorista recebe o aviso em tempo real e o sistema pode reprogramar a rota.

As equipes também devem criar ferramentas no próprio celular que ofereçam uma interação entre os próprios passageiros pelo aplicativo, com serviços de informação nos moldes do que faz o Waze com os carros, mas com alertas de texto também.

As melhorias com auxílio da tecnologia deverão ser sentidas em breve pelos passageiros do Corredor Metropolitano ABD que já é bem avaliado, recebendo de acordo com a ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, notas superiores até mesmo em relação ao Metrô nos quesitos de qualidade.

Isso porque, além das três equipes da Hackatona, participará um quarto grupo que vai desenvolver um aplicativo específico para gestão e operação do Corredor. Os passageiros vão ter na palma da mão, pelo celular, informações vindas diretamente do CCO – Centro de Controle Operacional e do GPS dos ônibus e trólebus em tempo real, podendo interagir também com a operadora Metra.

O laboratório não será destinado apenas à Metra e à EMTU, que também vão abrir espaço para as outras empresas operadoras de ônibus, tanto das linhas municipais ou intermunicipais, das cidades das regiões metropolitanas de São Paulo.  A Metra e a EMTU também vão disponibilizar o laboratório para universidades que queiram criar projetos inovadores e criativos para o transporte metropolitano e necessitem de um apoio técnico.

A vantagem, neste caso, é que o mundo acadêmico estará bem perto da realidade do mercado, conhecendo na prática o funcionamento de uma empresa de transportes coletivos de passageiros e da gerenciadora pública.

O espaço, que tem 16 técnicos e especialistas da EMTU/Metra para decisões da área, funcionará todos os dias úteis das 7h às 23 h e das 9h às 18 horas nos finais de semana e feriados.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Transportes Metropolitanos de São Paulo terão laboratório para desenvolvimento de tecnologias para mobilidade

  1. Amigos, boa noite.

    Como todos sabem, ideias e produtos tem valor comercial.

    Quanto vão pagar para esses jovens.

    Quanto pagam por ideias, tenho algumas.

    Mas $em royalties NADA feito.

    No aguardo dos valore$.

    Att,

    Paulo Gil

  2. O esquema de propinas no Transporte Público do Rio de Janeiro não é exclusividade deles. No estado de São Paulo tem que ser bem maior.

  3. O segmento de Transportes de Passageiros é totalmente retrógrado e ultrapassado pois com licitações com período longo os modelos operacionais ficam obsoletos e assim as empresas não investem pois o poder público não cobra avanços tecnológicos tornando um sistema ineficaz ainda pior.

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