EAOSA opera com ônibus clandestinos, é alvo de 101 apreensões, mas continua com veículos irregulares

Publicado em: 3 de julho de 2017

Ônibus da EAOSA que não faz mais parte dos registros da EMTU, mas continuava a circular

Ações da EMTU foram entre janeiro de 2017 e terça-feira da semana passada.  Reportagem viajou em um dos veículos sem registro e constatou problemas que colocam em risco a segurança de passageiros

ADAMO BAZANI

Quando se fala em ônibus clandestinos, a primeira imagem que vem à mente é daqueles veículos operados por particulares, sem condições de tráfego e que circulam sem autorização.

Entretanto, passageiros de ônibus metropolitanos do sistema da EMTU na Área 5, do ABC Paulista, também viajam em veículos não registrados, com problemas de conservação, mas operados por empresas regulares.

Foi o que constataram o Diário do Transporte e a Rádio ABC, que após constantes reclamações de leitores e ouvintes realizaram uma viagem em um dos veículos da empresa.

O trajeto entre Santo André e Mauá foi feito pela reportagem no dia 23 de junho de 2017.

Em pleno horário de pico, foram mais de 20 minutos de espera por qualquer uma das linhas da EAOSA e Viação Ribeirão Pires, ambas do mesmo grupo, que passam pela Rua Coronel Alfredo Fláquer (próximo ao 500), em  Santo André. A reportagem chegou ao ponto às 17h41, mas só às 18h03 apareceu um ônibus da linha 158 BI1 – São Caetano do Sul (Bairro Santo Antônio / Mauá – Jardim Zaíra). A tarifa não é nada baixa: R$ 5,40.

O ônibus era um articulado com 15 anos de uso, modelo Carroceria Caio Apache S21 / Chassi Mercedes-Benz OF-1722M, prefixo 994, placas BWY 5481.

Após mais de uma hora de viagem, o desembarque da reportagem foi na Av. Antônia Rosa Fioravante , próximo da Av. Governador Mário Covas Júnior, em Mauá.

Foi o tempo suficiente para ouvir diversas reclamações de passageiros e verificar várias irregularidades, muitas das quais que poderiam colocar em risco a segurança dos usuários.

A reportagem encontrou problemas como: fios do sistema elétrico expostos, sinais de infiltração no forro próximos aos alçapões de ar e saída de emergência, além de borrachas de vedação mal conservadas. Sobre estas irregularidades, os passageiros reclamaram que em dias de chuva, a água entra no veículo por estes pontos.

Mas os problemas não pararam por aí.  A lona da articulação apresentava partes rasgadas. Por algumas destas partes, era possível colocar a mão para fora do ônibus. O material também estava bastante sujo.

Os balaústres para os passageiros se apoiarem tinham entradas de parafusos descobertas. Em uma delas era possível até colocar o dedo dentro.

Sobre um dos bancos para pessoas com deficiência, o balaústre estava solto.

Também foram encontrados problemas como parafusos e rebites em relevo e cortantes nos balaústres, podendo machucar as mãos dos passageiros. Algumas luminárias estavam quebradas.

Os adesivos sobre as portas, onde devem estar informações como telefone para reclamações, nome da empresa e prefixo do veículo, estavam apagados.

Veja vídeo:

OUÇA MATÉRIA, RECLAMAÇÕES DE PASSAGEIROS E COMENTÁRIOS NA RÁDIO ABC:

Eaosa opera com veículos clandestinos

As operações da empresa EAOSA são gerenciadas pela da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, responsável por controlar o sistema.

O Diário do Transporte a Rádio ABC procuraram a gestora que informou que o veículo não é registrado, já tinha sido apreendido em agosto do ano passado e que não deveria estar operando. O problema é recorrente.

A EMTU, em nota, informou que entre 1º de janeiro de 2016 e 27 de junho de 2017 realizou 101 apreensões de veículos da EAOSA, apenas por ausência de vistoria ou operação sem cadastro. Confira a nota na íntegra:

A empresa EAOSA agiu de forma irresponsável, colocando em risco a segurança dos usuários. O ônibus citado (prefixo 994, placa BWY 5481) não consta no cadastro da EMTU e estava circulando de maneira irregular, sendo passível de apreensão. O veículo foi apreendido em 30/08/2016, conforme o Auto de Infração e Imposição de Penalidade de Apreensão de Veículo– APAV 16452.

Na tarde da última terça-feira (27/06) e na manhã desta quarta-feira (28/06) todas as linhas operadas pela EAOSA foram monitoradas pela fiscalização, que não constatou a operação do veículo denunciado.

No período das 5h às 11h de hoje (28/06) foi realizado acompanhamento operacional sigiloso das linhas 158TRO, 158BI1, 160TRO e 382TRO nos principais terminais localizados em Mauá. As partidas autorizadas foram cumpridas, porém, o veículo citado não operou.

Novas fiscalizações serão realizadas, e, na constatação de irregularidades, serão aplicadas as penalidades pertinentes.

Acrescentamos que, no período de 01/01/2016 a 27/06/2017, foram apreendidos 101 veículos da empresa EAOSA por ausência de vistoria e/ou não cadastro.

Ninguém da EAOSA foi localizado para comentar.

Não é de hoje que a EAOSA circula com ônibus sem registro e sem autorização. Em 18 de abril de 2013, o site Diário do Transporte (a época, Blog Ponto de Ônibus) fez uma reportagem que já mostrava a operação de veículos clandestinos.

Na ocasião, após a denúncia, a EMTU apreendeu o ônibus. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2013/04/18/exclusivo-emtu-apreende-onibus-pirata-da-eaosa/

A EAOSA pertence ao Grupo BJS – Baltazar José de Sousa, que está em recuperação judicial desde 2011 amparada pela Justiça de Manaus, em processo envolvendo a empresa Solimões Turismo – Soltur e outras duas viações coligadas que chegaram a operar na capital do Amazonas.

Entre as empresas operadas pelo grupo BJS estão EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André (EMTU), Viação Ribeirão Pires (EMTU), Viação Triângulo (EMTU), Viação Imigrantes (EMTU), Viação Riacho Grande (EMTU), Urbana (EMTU), Viação São Camilo (EMTU) e EUSA – Empresa Urbana Santo André (SATrans – linhas municipais de Santo André).

O empresário Baltazar José de Sousa na garagem em Mauá

Considerado pelo MPF – Ministério Público Federal um dos maiores devedores individuais da União, com mais de R$ 1 bilhão em débitos, Baltazar tem outros empreendimentos e imóveis de grande porte, como uma casa de alto padrão no bairro Jardim, área nobre de Santo André, e a garagem que é ocupada pela Suzantur, operadora que detém todas as linhas do sistema municipal de Mauá.

A entrada da Suzantur na cidade causou polêmica, já que ocorreu após polêmico processo de descredenciamento da Viação Cidade de Mauá, também de Baltazar, e da empresa Leblon Transporte de Passageiros, que opera no sistema de Curitiba e Fazenda Rio Grande, no Paraná.

A entrada da Leblon, em 2010, em Mauá representou a quebra do monopólio de mais de 30 anos de Baltazar na cidade. Baltazar até então operava as empresas Viação Barão de Mauá e Viação Januária.

VCM – Viação Cidade de Mauá e Leblon foram acusadas pelo ex-prefeito de Mauá, Donisete Braga (PT), por supostamente consultarem sem autorização da prefeitura os dados de bilhetagem eletrônica.

A acusação não foi consenso sequer na prefeitura. Em 27 de junho de 2013, a corregedora do município, Thais de Almeida Miana, emitiu um parecer oficial contrário ao descredenciamento, sugerindo uma nova auditoria no sistema, aceitando provas apresentadas pela Leblon de que as consultas realizadas foram autorizadas pela prefeitura. Mas o então prefeito Donisete Braga e o secretário de mobilidade urbana, Paulo Eugênio Pereira Junior, ignoraram o parecer e continuaram o descredenciamento que começou pela Leblon.

Parecer da corregedora do município de Mauá contrário ao descredenciamento da Leblon sem apuração

As ações de ambos tiveram custo político. Paulo Eugênio Pereira Junior não conseguiu se eleger deputado estadual em 2014 e Donisete Braga foi derrotado em 2016, quando tentava se reeleger. A Leblon tinha serviços aprovados pelos passageiros.

A Suzantur até há pouco tempo operava em Mauá e ainda opera em Santo André com ônibus de 15 metros comprados pela Viação Estrela de Mauá.

Mesmo ônibus ainda como Estrela de Mauá e enquanto operava pela Suzantur em Mauá

A Estrela de Mauá foi fundada por Baltazar José de Sousa para disputar a licitação do lote 2 na cidade que teve como vencedor a Leblon. A companhia chegou a operar por meio de liminar na cidade, mas logo foi retirada.

Na ocasião, a Estrela de Mauá foi assumida por David Barioni Neto, ex-executivo da TAM e da Gol Linhas Áreas, de Constantino Oliveira.

Baltazar José de Sousa pertence ao antigo grupo de empresários de ônibus chamado informalmente de Grupo dos Mineiros, liderado por Constantino Oliveira, com a participação de Ronan Maria Pinto, que foi condenado em 2015, em primeira instância por suposta participação num esquema de corrupção na cidade de Santo André que, segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, foi o motivo do assassinato do prefeito Celso Daniel, em janeiro de 2002.

Em 1º de abril de 2016, Ronan Maria Pinto foi preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro na Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros. O empresário de ônibus e dono do jornal Diário do Grande ABC foi solto em 8 de julho de 2016, após pagar R$ 1 milhão de fiança, mas ainda responde processo e usa uma tornozeleira eletrônica.

Ronan Maria Pinto, empresário de ônibus e dono do Diário do Grande ABC, sendo preso pela Polícia Federal.  Foto: Agência Brasil

De acordo com as investigações da Lava Jato, Ronan Maria Pinto, recebeu R$ 6 milhões do esquema de corrupção na Petrobras.

O dinheiro faz parte do empréstimo de R$ 12 milhões, considerado fraudulento pela PGR – Procuradoria Geral da República, feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai junto ao Banco Schahin. O dinheiro, ainda segundo as apurações, foi para o PT – Partido dos Trabalhadores e o empréstimo nunca foi pago.

Em troca, o Grupo Schahin conseguiu também de maneira fraudulenta, ainda segundo as investigações da Lava Jato, um contrato com a Petrobras para operação do navio-sonda Vitória 10000, por US$ 1,6 bilhão.

As investigações indicam que desse total de R$ 12 milhões, aproximadamente R$ 6 milhões de foram para Ronan Maria Pinto.

Ainda de acordo com as apurações e com depoimento do publicitário Marcos Valério, ainda no processo do Mensalão, outro esquema de corrupção no país, o valor foi Ronan Maria Pinto que estaria extorquindo dinheiro do PT – Partido dos Trabalhadores para não envolver os nomes do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos seus ministros Gilberto Carvalho, José Dirceu e José Genoíno no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Rastreamentos da Polícia Federal e da Receita Federal mostram que o dinheiro saiu do Banco Schahin na mesma época em que foram registradas entradas nas contas e Ronan e suas empresas e as datas coincidiam com as informações apresentadas por Marcos Valério.

Sérgio Moro condenou Ronan, em 02 de março de 2017, a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro. O empresário de ônibus e dono de jornal responde em liberdade agora.

Os R$ 6 milhões, segundo a Força Tarefa da Lava Jato, foram usados para Ronan pagar dívidas com fabricantes de ônibus e concluir a compra do jornal local Diário do Grande ABC.

Na condenação, Sérgio Moro diz que Ronan montou um esquema sofisticado e um “malabarismo financeiro” para camuflar a origem e o caminho do dinheiro, envolvendo uma empresa de agenciamento e assessoria chamada Remar, de Oswaldo Rodrigues Vieira Filho, que foi citado também por outros membros do suposto esquema de empréstimo fraudulento no âmbito das investigações da Lava Jato.

De acordo ainda com as conclusões de Sérgio Moro, o caminho do dinheiro do Banco Schahin para Ronan foi o seguinte:

– Os R$ 12 milhões que saíram do Banco Schahin foram transferidos para conta bancária do Frigorífico Bertin, de José Carlos Bumlai

– R$ 6 milhões foram para pagar dívidas de campanha do PT e outros R$ 6 milhões para Ronan, mas não diretamente para o empresário de ônibus.

– Os quase R$ 6 milhões para Ronan Maria Pinto foram primeiro para a Remar Agenciamento e Assessoria Ltda, de Oswaldo Rodrigues Vieira Filho, empresário do Rio de Janeiro que já havia sido citado por outros membros do esquema.

– Foi a partir deste momento que, segundo os procuradores, o dinheiro começou a ser pulverizado. Do total de quase R$ 6 milhões, a Remar repassou R$ 2,94 milhões para Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus que tinha como principal sócio, Ronan Maria Pinto

– Da Expresso Nova Santo André foram repassados R$ 1,2 milhão para a conta de Maury Campo Dotto, um dos sócios do Diário do Grande ABC.

– A Remar passou diretamente para a conta de Dotto R$ 210 mil

– Ronan também usou parte do dinheiro com origem fraudulenta para comprar ônibus para suas empresas. Segundo o rastreamento do dinheiro, R$ 1,37 milhão para a Mercedes-Benz e R$ 1,13 milhão para a encarroçadora Caio. As fabricantes não são investigadas porque o negócio foi legal. O que os procuradores dizem é que a origem do dinheiro é ilegal, não havendo conhecimento por parte da encarroçadora e da fabricante de chassis.

O empresário nega e diz que todas as transações foram legais, envolvendo recursos justificados à Receita Federal. Ronan Maria Pinto também nega a existência e envolvimento em suposto esquema de corrupção na área de transportes, com participação do Partido dos Trabalhadores, na época em que Celso Daniel era prefeito de Santo André.

Sobre o Grupo dos Mineiros, apesar de os empresários ainda trocarem alguns contatos, já não há mais o mesmo envolvimento entre eles, como entre os anos de 1980 e início de 2000, quando expandiram sua atuação para a região metropolitana e interior de São Paulo.

Os principais membros do Grupo dos Mineiros eram Constantino de Oliveira (Nenê Constantino), Ronan Maria Pinto, Baltazar José de Sousa, Renato Fernandes Soares e Mário Elísio Jacinto.

OUTRAS EMPRESAS DE BALTAZAR OPERAM COM ÔNIBUS IRREGULARES:

Outras empresas de Baltazar José de Sousa operam com ônibus não registrados, vistoriados ou aprovados pela EMTU. Em março de 2017, o Diário do Transporte trouxe a informação com base no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Os problemas envolviam a EAOSA e a Viação Triângulo. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/03/empresas-de-onibus-do-abc-sao-multadas-por-dispensarem-cobrador-e-usarem-onibus-sem-vistoria/

As multas, entretanto, parecem não intimidar as empresas de Baltazar, que continuam operando com ônibus irregulares e sem registro.

Em 22 de junho de 2017, no Diário Oficial, também foi informada a operação de ônibus sem registro, desta vez pela Viação Ribeirão Pires. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/06/22/mesmo-com-multas-empresas-de-onibus-do-abc-continuam-com-irregularidades/

LICITAÇÃO QUE ESTÁ HÁ 11 ANOS ATRASADA PODERIA RESOLVER O PROBLEMA:

Em 2012, reportagem flagra porta de EAOSA caindo e sendo recolhida pelo motorista em linha seletiva que era operada em Diadema

Os problemas dos transportes metropolitanos no ABC, como atuação de empresas do perfil da EAOSA, poderiam em parte ser resolvidos se a EMTU conseguisse fazer a licitação das linhas que atendem a Área 5 correspondente à região.

A primeira tentativa de licitação ocorreu em 2006 e envolveu outras quatro áreas operacionais da Região Metropolitana de São Paulo, além do ABC. Apenas a área 5 não foi licitada. A EMTU tentou por seis vezes licitar as operações no ABC.

Não apenas Baltazar José de Sousa, mas todos os outros empresários que atuam na região, esvaziaram o certame por cinco vezes. Os donos empresas de ônibus alegam que o ABC tem custos maiores que das outras quatro áreas, como salários de motoristas e cobradores, e contas de consumo, como de água e energia elétrica, e assim, não poderiam ser feitas as mesmas exigências e remunerações que do restante da região metropolitana.

Também alegavam que projetos de novos modais para região, como o monotrilho da linha 18 e o Expresso da CPTM (uma linha paralela ao trajeto da linha 10 Turquesa) impactariam na demanda dos ônibus metropolitanos.

Na última tentativa, foi Baltazar que travou a licitação com base numa decisão da Justiça de Manaus, onde tem empresas em recuperação judicial. Segundo a defesa de Baltazar, se houvesse licitação, o empresário não poderia permanecer operando, teria sua renda reduzida, o que prejudicaria a recuperação judicial.

Passados 11 anos, não há previsão de o monotrilho sair do papel e nem do Expresso da CPTM. Apenas nos horários de pico, a companhia de trens opera um serviço semi-expresso que faz paradas em Santo André, São Caetano do Sul e Estação Tamanduateí na capital paulista, pelo mesmo ramal da linha 10 Turquesa (Rio Grande / Brás).

Em setembro do ano passado, a EMTU lançou proposta audiência pública para licitação do sistema, novamente incluindo a Área 5.

A previsão era de que o edital seria lançado entre dezembro de 2016 e janeiro deste ano, com entrega das propostas em março. Entretanto, até agora, início de julho, a EMTU ainda não lançou a licitação, alegando equacionar as questões financeiras de cada área operacional e estudar mais de 600 contribuições no período de consulta pública.

EAOSA JÁ FOI REFERÊNCIA DE TRANSPORTES:

Quem hoje vê a situação da EAOSA, não imagina que há algumas décadas, a empresa que é uma das mais tradicionais do ABC Paulista, já foi referência em transportes no país.

A EAOSA foi fundada em 1935, por Amaro Martins da Silva, Pedro Pioli, Otto Schett, José Manoel da Silva e Benedicto Ferreira da Costa e passou por famílias tradicionais do ABC como Passarelli, Sortino e Bataglia.

Para se ter uma ideia, a EAOSA chegou a operar linhas entre o ABC e Santos e foi uma das primeiras empresas do País a importar para serviços urbanos, modernos (para a época) ônibus GM dos Estados Unidos entre 1945 e 1949.

No pós guerra iniciou-se um movimento de modernização da frota nacional de ônibus. Um dos modelos com maior número de unidades importadas foi o GMC, como o da foto, na garagem da Empresa Auto-Ônibus de S. André, em 1949. As especificações deste tipo de veículo eram bem mais avançadas do que os que eram habitualmente empregados nas frotas, e esse tipo de veículo estabeleceu uma nova referência no setor

Uma reportagem do antigo Diário do Grande ABC de 15 de abril de 1973, fala sobre as renovações de frota da empresa. O Diário do Grande ABC era de Edson Danilo Dotto e Fausto Polesi .

A reportagem fala sobre a chegada dos moderníssimos, para época, Monoblocos O 362 HSLT, fabricados pela Mercedes Benz. Foram 40 unidades.

A matéria detalha os ônibus:

“A parte interna possui muitas inovações em matéria de ônibus, como direção hidráulica que permite maior conforto para o motorista e melhor maleabilidade …” – Isso em 1973. Hoje os EAOSA não possuem isso.

E continua : “…quatro alto-falantes transmitindo som de frequencia modulada para todos os passageiros, além de contagiros e ventiladores”.

A matéria traz a palavra do diretor da antiga EAOSA, Rogerio Emílio Sortino:

“nossa empresa foi fundada em 1935, começando com dois carros antigos que levavam dois dias para ir a São Paulo (Capital) e voltar, depois iniciamos com uma frota de ônibus e hoje pudemos comprar os monoblocos. Os novos ônibus são dotados de suspensão com molas espirais, o mesmo sistema de um carro de passeio, sendo portanto mais confortáveis e macios; além da maior segurança do sistema incluindo os novos freios.”.

Rogerio Emilio Sortino revelou que na época a EAOSA tinha 100 motoristas, que seguiam regras de conduta.

“Existe um regulamento interno que proíbe aos motoristas de trafegarem de portas abertas, negar atendimento aos passageiros, beber em horário de serviço e ultrapassar 60 km/h” – disse Sortino, em 1973

Antigo Diário do Grande ABC destaca renovação da EAOSA

Moradores mais antigos e historiadores confirmaram que de fato o regulamento era cumprido e, se o motorista não seguisse, o que às vezes acontecia, era punido.

A reportagem constatou na época: “Os ônibus passam nos pontos de 15 em 15 minutos sendo que o primeiro sai às 03h40 da manhã e o último para às 03h30”

Monobloco O362 da EAOSA trazia conforto para os passageiros na época

Legenda: Monobloco O362 da EAOSA trazia conforto para os passageiros na época

Para noticiar a aquisição, a revista “Sua Boa Estrela”, da Mercedes Benz, no mesmo ano, fala da importância econômica de Santo André, devido sua forma industrial, algo que mudou também, e ressalta:

“Para atender à movimentação constante de pessoas entre os centros econômicos da região, a cidade conta com empresas muito bem dirigidas, apoiadas em veículos de alto rendimento e que suportam com facilidade o difícil tráfego urbano da Metrópole. E é em Santo André uma das bem mais aparelhadas companhias e transporte coletivo, a EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André, que se utiliza somente de monoblocos Mercedes Benz, característicos em suas cores alegres e modernas”.

Revista “Sua Boa Estrela” da Mercedes-Benz destaca qualidade da EAOSA

Em 1984, Baltazar a EAOSA. Nos primeiros 15 anos, havia renovações de frotas de maneira constante, com grandes lotes sendo comprados. A empresa era até utilizada em propagandas de fabricantes de carrocerias e chassis.

Propaganda da Ford e Thamco com ônibus da EAOSA

A partir de 2000, as dívidas foram chegando e Baltazar não mais honrava todos os compromissos. Problemas em licitações e distribuições de linhas em outras regiões, inclusive na capital paulista, também cercavam empresário.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Arthur Lira disse:

    Para a área 5 operar corretamente, só tirando essas empresas. Porque com elas operando a licitação nunca vai sair.

  2. Eu disse:

    Interessante. Se o ônibus em questão foi apreendido, alguém liberou ele, visto que está rodando de novo. Ônibus apreendido não vai para o pátio da EMTU? Se foi, quem liberou? Por quê?

  3. vagligeirinho disse:

    Não estou aqui para defender criminoso, mas tenho uma questão: existe afinal alguma empresa interessada em entrar nesta área e reformular tudo? Pois acho estranho mais de 4 anos estar esta situação toda e a EMTU não ligar o alerta vermelho (o amarelo já está há pelo menos 2 anos).

    Do jeito que está, tá bagunçado demais. O ruim é esta bagunça jurídica também, que trava tudo.

    Acho que falta também maior apoio da imprensa para cair em cima desta história.

    1. blogpontodeonibus disse:

      Sobre empresas interessadas, apurei que até tem sim. Mas e o medo?
      É só lembrar do caso Leblon em 2010 e Júlio Simões em 2008.

  4. Julio disse:

    Como assim esse veículo é 2002, quando chegaram em Mauá em 2005, disseram que esse lote era 0 KM.
    Falando da licitação,. Tem que ter um esforço da EMTU para haver o interesse das empresas, lembrando que a suzantur gosta de uma licitação, e pode pegar para ela as linhas da EAOSA, pois, a garagem dá suzantur fica do lado da antiga garagem das empresas do Baltazar.

    1. blogpontodeonibus disse:

      2002 mesmo. Pode levantar a placa. Nem todos eram zero. E a Suzantur fica numa propriedade de Baltazar

  5. Walter Domingues filho disse:

    Pq até hoje a emtu ñ foi investigada para dar explicações sobre o fato dñ bloquear arrancar ñ. a emprosa e sim o Baltazar .Pq ele q é o bandido .qtas vzs foram a traz dele e ñ o prenderam .Pq esses onibus são presos e são liberados para rodar novamente .alguém está levando algum por fora e é lá de cima da emtu está claro só ñv qm ñ qué .

  6. Walter Domingues filho disse:

    E se investigar outras empresas .verão q o Baltazar é dono de várias outras empresas q opera no ABC .e na gde SP .

  7. Luciano Marques Cordeiro disse:

    Ele tem vários processos trabalhistas na justiça Paulista não paga ninguém e não tem juiz que faça ele pagar essas dívidas trabalhistas que vem se arrastando a anos e anos na justiça

  8. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Nos tempos aúreos dos O 362, foi distribuído até calendário da São Camilo se não me engano aquele que era verde e preto, meu pai ganhou um e me deu, fiquei com esse calendário por anos, depois desintegrou.

    Mas, como tudo muda …

    Sensacional as fotos, mas o assunto não é novidade desde 1998, quando eu passava diariamente na Avenida Goias e todo dia tinha um EAOSA quebrado.

    Fora o relaxo da Triângulo desde 1992, que nem número de linha tinha.

    Isso só tem um culpado A JESTORA a EMTOSA.

    Sugiro ao Diário fazer uma matéria com o governador, pois esse desleixo por parte da EMTOSA é recorrente há 20 anos.

    Será isso improbidade administrativa ???

    Nem sei como classificar esse desmando por parte da EMTOSA.

    A empresa tá na dela, o jestor não faz nada mesmo, pau na máquina, vamos faturar na pizza de sucata.

    MUDA BARSIL, aliá acho que eu vou mudar o término do comentário.

    NADA MUDA NESSE BARSIL.

    Att,

    Paulo GIl.

  9. pedro disse:

    O Baltazar manda mais na EMTU que o governo do estado pra dar jeito nessa patifaria só tocando fogo em todos os carros nas garagens das empresas desse pilantra par não sobrar nenhum pois enquanto esse safado estiver a frente dessa empresa a licitação nunca sai . Aliás onde anda aquele bandido do Donisete braga filho da puta que ferrou com a leblon e mais ainda com a população de Mauá?

  10. Denilson disse:

    Esses tipos de problemas como infiltrações no teto do ônibus e nos alçapões, parafusos e rebites em relevo, infiltrações na articulação de ônibus articulados, luminárias quebradas, balaústres com furos que podem machucar os passageiros, além de baratas e bancos em péssimo estado de conservação encontram-se também em linhas da Viação Santo Ângelo em Colombo na região metropolitana de Curitiba. Há isso também em outras cidades da RMC. Venham e confiram!!!

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