Carris deve fechar o ano com prejuízos de R$ 20 milhões e está mais perto da privatização

Carris tem necessitado de recursos dos cofres públicos. Há uma chance antes da privatização

Má administração, falta de padronização de frota e bloqueio de repasses podem colocar fim à uma das poucas empresas públicas de ônibus do país

ADAMO BAZANI

Uma das poucas empresas públicas de ônibus ainda em circulação no país, se aproxima da privatização, caso sua situação econômica não seja resolvida até o final deste ano.

A Carris, empresa pública de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, deve fechar 2017 com prejuízo de R$ 20 milhões. A companhia completou 145 anos existência nesta segunda, inclusive chegou a operar bondes a cavalo, e a crise se agravou em 2012. A prefeitura desde então tem de colocar dinheiro de impostos na empresa para que não feche as portas. Somente no ano passado, foram R$ 55 milhões.

A previsão de déficit para o ano foi divulgada nesta segunda-feira, 19 de junho de 2017.

Além do mau uso do dinheiro ao longo da história, excesso de cargos e erros administrativos, outros problemas também interferem na saúde financeira da companhia, como a falta de padronização da frota, que aumenta os custos de reposição e compra de peças.

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Estação de Bondes da Carris em 1873
ônibus década 1970
Empresa tinha uma das frotas mais modernas do Rio Grande do Sul nos anos 1970

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, disse no início do ano que se a situação da empresa não melhorar, o poder público deixará de repassar recursos e a empresa será privatizada.

Os repasses a Carris só aumentam com o decorrer dos anos. Em 2012, saíram dos cofres públicos para a empresa, R$ 5,3 milhões. Em 2013, o valor foi para R$ 28 milhões. No ano de 2014, a prefeitura injetou R$ 49 milhões na Carris. Em 2015, o valor caiu um pouco, para R$ 48 milhões, mas em 2016 a prefeitura teve de colocar nos cofres da Carris R$ 55 milhões.

A Companhia de Carris de Ferro Porto-Alegrense foi fundada em 1872, e, no ano seguinte, iniciou suas atividades com a linha do Menino-Deus. O ponto de partida da linha era na estação central da companhia, conforme mostra a foto de 1875. A bitola era de 1 metro, e os veículos foram adquiridos junto ao fabricante americano John Stephenson & Co. Eram inicialmente 11 carros fechados, nove abertos e um trole de linha.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes