Operação Lava-Jato trava obras de mobilidade urbana em todo o país. Linha 6-Laranja do Metrô de SP é caso emblemático

Dentre várias obras importantes, Lava Jato paralisou projetos que somam mais de R$ 90 bilhões em todo o Brasil. Lista inclui grandes empreendimentos de mobilidade urbana, como obras de metrô, corredores de ônibus e rodovias

ALEXANDRE PELEGI

R$ 90 bilhões em obras paradas em todo o país, e sem previsão de retomada. Este é o estrago causado pela Operação Lava Jato que inclui grandes empreendimentos de mobilidade urbana, como metrôs e corredores de ônibus, além de rodovias. A lista inclui também outros setores da economia, como universidades, centros de saúde, instalações industriais e investimentos da Petrobrás.

Apesar dos projetos terem sido paralisados por diferentes motivos, como suspeição de sobrepreço, divergências em relação ao valor das obras e falta de financiamento ou recursos próprios, todos eles guardam em comum um fato único: as empreiteiras envolvidas no maior escândalo de corrupção do País. O levantamento das obras, feito pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), é matéria do jornal O Estado de SP deste domingo (18).

Dentre as obras de mobilidade urbana o levantamento cita o BRT Via Livre Leste-Oeste (liga o Centro do Recife ao município de Camaragibe, na Região Metropolitana) e o Ramal da Copa, em Pernambuco. O consórcio construtor, formado pelas empreiteiras Mendes Júnior e Servix, abandonou as obras. Segundo a Secretaria de Cidades de Pernambuco, dos R$ 168,6 milhões do projeto, R$ 136 milhões já foram investidos. Novas empresas estão sendo contradas, e os serviços estão sendo retomados aos poucos.

Mas para o presidente da consultoria Inter.B, Claudio Frischtak, ouvido pelo Estadão, dois dos maiores símbolos da paralisia dos investimentos são a Linha 6 do metrô de São Paulo e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). “São dois desastres”, afirma Frischtak.

BRT LESTE-OESTE DE RECIFE:

As seis estações do BRT de Recife, localizadas ao longo da avenida Conde da Boa Vista, no Centro da cidade, estão há dois anos e meio com as obras paralisadas. Em maio informávamos que esta situação estava prestes a mudar, segundo prometia a Secretaria Estadual das Cidades (Secid). (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/17/recife-vai-recuperar-estacoes-de-brt-do-corredor-leste-oeste/)

As estações integram o Corredor Leste-Oeste, que deveria ter sido finalizado para a Copa de 2014. A construtora responsável, envolvida na Operação Lava Jato, abandonou os canteiros de obras do Corredor ainda em novembro daquele ano.

No site do Governo de Pernambuco, o Corredor Via Livre Leste/Oeste promete possibilitar que os passageiros do município de Camaragibe se desloquem até o Centro do Recife através de três linhas de BRT em operação. “Este corredor conta atualmente com 15 estações em funcionamento e atende uma demanda de 50 mil usuários por dia. A expectativa é que esse número chegue a 180 mil pessoas/dia quando o corredor estiver operando em sua totalidade com oito linhas e 26 estações”.

LINHA 6-LARANJA DO METRÔ DE SÃO PAULO:

As obras da Linha 6-Laranja (Brasilândia – São Joaquim), que envolvem R$ 9,9 bilhões de investimentos, estão paradas desde o ano passado. As empreiteiras que compõem o consórcio construtor estão envolvidas na Operação Lava Jato – Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC.

Sem conseguir fechar o financiamento com o BNDES para continuar a construção, as obras foram paralisadas no dia 5 de setembro de 2.016, segundo as empresas “devido às dificuldades vivenciadas na contratação do financiamento de longo prazo, condição indispensável à continuidade do Projeto.” Detalhe: a obra estava com apenas 15% do projeto executado. (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/09/06/move-sp-anuncia-paralisacao-das-obras-da-linha-6-laranja/)

O governo Alckmin diz aguardar uma solução até o início do mês de julho quando, caso isso não ocorra, dará início a um processo de rescisão contratual. Mas a novela vem se arrastando desde o ano passado.

LINHA 6-LARANJA: DE PROMESSA EM PROMESSA, OBRA NÃO TEM MAIS PRAZO VISÍVEL DE CONCLUSÃO

Em setembro de 2016 o Governo de São Paulo já anunciava que poderia decretar a caducidade do contrato de concessão firmado com a concessionária Move São Paulo. À época, autoridades do Estado diziam que iriam tentar evitar a medida por meio de negociação com o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para conseguir um empréstimo de longo prazo. (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/09/28/governo-do-estado-de-sao-paulo-nao-descarta-romper-contrato-de-construcao-da-linha-6-do-metro/)

No mesmo mês de setembro de 2016 o secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, descartou procurar empréstimos em outras fontes que não o BNDES: “São R$ 550 milhões que foram sacados, R$ 325 milhões de capital de giro. O BNDES já começou o financiamento, vemos com bastante dificuldade neste momento a possibilidade de outros órgãos internacionais, mesmo porque o financiamento não é do governo”, disse ele.

Numa sequência de anúncios que, a cada vez, jogavam a conclusão da obra para datas mais distantes, em junho de 2016 o Governador Alckmin já informava que a Linha 6 só iria ficar pronta em 2021, ou seja, um ano a mais em relação a última promessa, que foi 2020.

No site da Concessionária Move São Paulo estão citados os benefícios que a Linha 6-Laranja trará para a cidade quando concluída:

O tempo médio de viagem para todo o trecho da Linha 6-Laranja, que atualmente é feito de ônibus em 1h30, será realizado em cerca de 23 minutos.

Com o início da operação, previsto para 2020, o deslocamento para quem reside na região noroeste da cidade e precisa se dirigir à região central será muito mais rápido e seguro.

Com as integrações com outras linhas de metrô e trem ficará mais fácil, cômodo e econômico se deslocar para as outras regiões da cidade.

Integração com Metrô

Estações Higienópolis-Mackenzie (Linha 4-Amarela) e São Joaquim (Linha 1-Azul)

Integração com Trem

Estação Água Branca (Linha 7-Rubi e Linha 8-Diamante)

PROMESSAS E PREVISÕES DA SECRETARIA DE TRANSPORTES METROPOLITANOS PARA A GRANDE SÃO PAULO:

Em matéria publicada pelo Diário do Transporte nesta sexta-feira (dia 16 de junho), citávamos que praticamente todos os planos de transporte da Grande São Paulo estão em atraso. E citávamos: “Um dos casos mais indefinidos é o da linha 6-Laranja do Metrô. Terminou nesta quinta-feira, 15 de junho de 2017, o prazo dado pelo Governo do Estado de São Paulo para que o ‘Consórcio Mova-se’ encontrasse uma solução para conseguir  financiamento do BNDES para a obra. E não há resposta ainda.” (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/06/16/confira-as-promessas-e-previsoes-da-secretaria-de-transportes-metropolitanos-para-a-grande-sao-paulo/)

Leia o trecho da matéria sobre a obra do Metrô que não tem data para ser concluída:

“Linha 6-Laranja Metrô: A ligação entre a região de Brasilândia e a estação São Joaquim na região central de São Paulo, que deve atender a mais de 630 mil pessoas por dia é uma das mais indefinidas. O secretário de Transportes Metropolitanos disse no evento sobre mobilidade da UITP no dia 13 de junho que “o governo está fazendo todo o esforço para a PPP [Parceria Público Privada] ser retomada”. Terminou nesta quinta-feira, 15 de junho de 2017, o prazo dado pelo Governo do Estado de São Paulo para que o “Consórcio Mova-se” encontrasse uma solução para conseguir  financiamento do BNDES para a obra. As intervenções estão paralisadas desde porque o consórcio Move São Paulo, que venceu a licitação, suspendeu os trabalhos alegando falta de recursos. O consórcio está com dificuldades de obter financiamento pelo BNDES e é formado pela Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC Engenharia, toda citadas na Operação Lava Jato. Conforme noticiou o Diário do Transporte,  em primeira mão, no dia 08 de março, o prazo final dado pelo Governo do Estado foi 15 de junho, podendo assim, haver nova licitação. O Move São Paulo solicitou empréstimo de R$ 5,5 bilhões. Por causa da paralisação das obras, o Governo do Estado de São Paulo pediu anuência da Assembleia Legislativa e levará a solicitação ao BNDES de remanejamento de R$ 200 milhões, que estavam previstos para linha 6-Laranja, para linha 5- Lilás, prevista para se prolongar até a Chácara Klabin. A linha 5 já opera entre Capão Redondo e Adolfo Pinheiro. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/08/alckmin-pede-remanejamento-de-r-200-milhoes-da-linha-6-laranja-para-a-linha-5-lilas/

A previsão inicial para inauguração da linha 6 era 2020. A data agora é uma incerteza.

Considerada a linha das universidades, por atender regiões onde estão vários estabelecimentos de ensino, a linha 6-Laranja deve ter integração com a linha 1-Azul e 4-Amarela do metrô e 7-Rubi e  8-Diamante, da CPTM.

Até o momento, foram gastos R$ 1,7 bilhão no empreendimento.”

REPORTAGEM DO “CANAL MOVA-SE” EM 2015 DESTACAVA PROJETO DA LINHA 6:

Realizada em setembro de 2015, portanto um ano antes das obras serem paralisadas, a Concessionária Move São Paulo, responsável pelo projeto da Linha 6-Laranja, participou da Metroferr 2015, a feira da AEAMESP realizada durante a Semana de Tecnologia Metroferroviária.  O Canal Mova-se entrevistou Jaime Zamlung, gerente de Engenharia e Projetos da ‘Move São Paulo’. Passados quase dois anos, a conclusão da Linha 6 é uma incerteza.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

6 comentários em Operação Lava-Jato trava obras de mobilidade urbana em todo o país. Linha 6-Laranja do Metrô de SP é caso emblemático

  1. Adeus Linha 6.
    Se sair do papel algum dia é um milagre.

  2. Quer dizer que as empreiteiras se envolvem no maior escândalo de corrupção do país e quem comete estrago é a polícia por investigá-los? Tendenciosa a forma como o autor aborda a situação.

    • alepelegi@gmail.com // 18 de junho de 2017 às 23:06 // Responder

      Vc não entendeu. O estrago está feito. Quem o causou foi, em primeiro lugar, quem permitiu que isso acontecesse, leia-se poder executivo. Afinal a corrupção é uma parceria nefasta entre público e privado. A polícia está certa em averiguar. O que causa espécie é a morosidade da
      Justiça em condenar (no caso Paulista, como cobram vários jornais).

      • O que foi que não entendi? O autor diz com todas as palavras que “este é o estrago causado pela operação lava jato”. É explícito!

      • alepelegi@gmail.com // 19 de junho de 2017 às 14:46 //

        Estrago causado pela Lava Jato, mas não “causado” pela Lava Jato.

  3. Amigos, bom dia.

    Não foi a lava jato que travou a linha laranja não.

    O problema é um só, qualquer obra desse porte e em especial com o puder público; se não der “X” por cento de lucro nada feito.

    Nada e nunca será feito, afinal qual construtora possui todos os equipamentos necessários para tocar uma obra desse porte.

    Portanto não adianta ficar com ilusão de ótica ou ficção científica, nem há outras construtoras com os equipamentos necessários em qualquer esquina; portanto…

    Não há milagres, nem precisa fazer conta.

    Ou dá o lucro de X% ou para, simples assim.

    É a mesma coisa com relação ao buzão de Sampa, quem tem grana pra comprar o tanto de buzão que os principais grupos tem para tentar substituí-los numa melhor oferta numa licitação.

    Nem sei se dar para contar em uma das mãos.

    Por isso que a licitação não roda, simples assim.

    Aliás licitar o que ???? Se não haverá concorrência de participantes ?????

    RSssssssssssssssssssss

    MUDA E ACORDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

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