Idosos representam 1/3 das mortes por atropelamento em São Paulo

Tempo de travessia não é suficiente para idosos atravessarem com calma e segurança Conexão Planeta

Aposentados representam 22,4% dos óbitos (77 dos mortos), seguidos por moradores de rua (27 dos mortos)

ALEXANDRE PELEGI

Os idosos são alvo fácil no trânsito de São Paulo. É o que demonstra relatório anual de acidentes de trânsito de 2016, divulgado pela CET (Companhia de Engenharia de Trânsito). Os números são preocupantes: uma em cada três pessoas mortas por atropelamento tinha 60 anos ou mais.

Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP mostrou recentemente o quão grave é o problema da travessia em São Paulo para as pessoas de mais idade. Conforme publicamos aqui (Semáforos de SP penalizam população idosa – https://diariodotransporte.com.br/2017/05/04/semaforos-de-sp-penalizam-populacao-idosa/) o estudo constatou que a velocidade média de pedestres paulistanos acima dos 60 anos, ao cruzar uma rua, é de 2,7 km /hora. Para se entender o que isso significa, os sinais de travessia da capital funcionam com base em 4,3 km/hora, ou estão sincronizados para que o pedestre percorra 1 metro de via a cada 12 segundos.

Já divulgáramos que, pelos dados da CET-SP relativos a 2016, o pedestre continua sendo a grande vítima da violência do trânsito na capital (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/06/12/dados-da-cet-sp-demonstram-pedestre-e-a-maior-vitima-da-violencia-do-transito-na-capital/). Agora, com dados setorizados por idade, ficamos sabendo mais, que o idoso é também uma grande vítima.

No total morreram 343 pessoas em 330 atropelamentos em 2016. Desse número, 114 das vítimas (33,2%) tinham 60 anos ou mais. Quando olhamos para as faixas etárias dos idosos, temos que 27 óbitos são relativos a idosos com mais de 80 anos. Já entre os idosos na faixa de 70 a 79 anos, foram 43 o número de mortes, quase a mesma quantidade identificada na faixa dos 60 aos 69 anos, ou seja, 44 mortes.

Quando os dados são analisados por grupos sociais, tem-se que, dentre os atropelamentos com vítimas fatais em São Paulo, os aposentados representam 22,4% dos óbitos (77 dos mortos), seguidos por moradores de rua (27 dos mortos).

Tempo de travessia:

A prefeitura prometeu no dia 3 de maio, ao lançar a campanha Maio Amarelo, que vai aumentar o tempo semafórico para a travessia.

O programa foi lançado pelo secretário Sergio Avelleda, que anunciou, dentre outras medidas pontuais, a intenção de estender o tempo de travessia para pedestres programados nos semáforos da cidade.

Hoje a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes afirma que o aumento do tempo de travessia de pedestres nas principais vias da cidade será de, no mínimo, 20%. E que a mudança já foi feita na avenida Mateo Bei (zona leste), sendo que outras vias receberão o programa ainda neste semestre.

Além disso, a Secretaria afirma ter criado programas de conscientização no trânsito e em empresas de ônibus.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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