“Nova Busscar” lança site e inicia processo de contratação

Nova Busscar fará apenas modelos rodoviários

Inicialmente serão funcionários das áreas de engenharia, design e projetos

ADAMO BAZANI

Formalmente, os sócios da Caio Induscar assumiram a Busscar na manhã desta segunda-feira, 12 de junho de 2017, e já abriram processo de contratação de novos trabalhadores.

O intuito é de começar ainda neste ano a produzir as primeiras unidades de ônibus rodoviários em Joinville, nas instalações da Busscar. As vendas estão previstas para ocorrer no primeiro semestre de 2018.

A Caio continuará se concentrando em veículos urbanos, na unidade sede de Botucatu, no interior de São Paulo.

A “Nova Busscar”, como tem sido chamada, iniciou o processo de contratação de novos funcionários.

Inicialmente, serão contratados trabalhadores das áreas de projetos de design, engenharia, manutenção, administração e segurança patrimonial.

Currículos devem ser cadastrados, mandando e-mail para os endereços que estão neste site, clicar em:

http://novabusscar.com.br/

O ex-executivo da Busscar, Sergio Souza, será o gerente-geral da Nova Busscar.

BREVE HISTÓRICO:

A Busscar foi fundada oficialmente como Nielson no dia 17 de setembro de 1946, com iniciativa de Augusto e Eugênio Nielson que começaram uma pequena oficina em Joinville, atuando na construção de móveis e utensílios e fazendo reparos em carrocerias de caminhões e cabines. Em 1948, a Nielson fez seu primeiro veículo de transporte coletivo, uma jardineira – ônibus simples feito de madeira. O veículo da Nielson foi uma encomenda da empresa Abílio & Bello Cia Ltda, que fazia a linha Joinville – Guaratuba, em Santa Catarina.

Foi na época do surgimento empreendimento dos Nielson, que o Brasil começava assistir mais intensamente o crescimento das cidades e também das relações comerciais entre as diferentes localidades. Tudo isso demandava uma maior oferta de transportes. Assim muitos empreendedores compravam chassis de caminhão, como da Ford e da GM, e precisavam transformá-los em ônibus para enfrentar as difíceis estadas de terra e verdadeiros atoleiros. Nesta época, a Nielson & Cia Ltda. tinha o comando do patriarca da família, Bruno, e do filho Harold.

Em 1958, um dos marcos para a Nielson foi o projeto de estrutura metálica para os ônibus.

No início dos anos de 1960, ganhavam as estradas os modelos Diplomata, carroceria de dois níveis que lembravam os Flxibles norte-americanos que, quando foram importados pela Expresso Brasileiro Viação Ltda eram chamados de Diplomata. A Nielson então conquistava definitivamente o mercado.

Nos anos de 1980, Nielson cresce mais e no segmento de rodoviário travava disputa acirrada com a Marcopolo e no segmento urbanos, a briga era com a Caio, praticamente de igual para igual.

A linha Diplomata tinha recebido novas versões e o Urbanuss ganhava atenção dos frotistas.

Por uma estratégia de negócios, a Nielson mudou a marca para Busscar. Inicialmete a marca foi conhecida como Busscar-Nielson. Surgiram os rodoviários El Buss e Jum Buss  e os urbanos da linha Urbanuss.

Em 2002, a Busscar começa enfrentar dificuldades financeiras. A família Nielson alegava problemas motivados pela variação cambial e também dificuldades de créditos, mas já havia também erros administrativos internos. O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social chegou a realizar empréstimos para empresa, que não foram plenamente honrados. A recuperação não foi plena, havendo novamente outro problema financeiro em 2004. A última crise da Busscar começou em 2008, quando a empresa começou a atrasar salários.

Em janeiro de 2010, a Busscar criou um programa de demissões voluntárias para redução de custos. Ainda em crise, a empresa atrasou salários e benefícios, o que motivou uma greve em 15 de abril de 2010.

Para saldar dívidas, os primeiros bens da Busscar foram leiloados em setembro de 2011. A expectativa era arrecadar R$ 1,5 milhão, mas só foi possível conseguir R$ 21 mil.

No dia 3 de novembro de 2011, o juiz Maurício Cavallazi Povoas, da 5ª Vara Cível de Joinville,  aceitou o pedido de recuperação judicial feito pela Busscar. No dia 31 de dezembro de 2011, a empresa apresentou o plano.

No entanto, não houve os resultados e o plano não se mostrou viável. Em junho de 2012, a Justiça determinou que fosse apresentado um novo plano.

Não houve resultados positivos novamente.

Depois de uma dívida que se aproximou de R$ 2 bilhões, contando juros, impostos e débitos com fornecedores, trabalhadores e bancos, a empresa teve a falência decretada em 27 de setembro de 2012 pelo juiz Maurício Cavalazzi Povoas. A decisão, no entanto, foi anulada em 27 de novembro de 2013, após recursos judiciais. No entanto, os recursos caíram em 5 de dezembro de 2013. A família Nielson chegou a apresentar um novo pedido de recuperação judicial, mas o juiz Luis Felipe Canever, de Santa Catarina, após negativa por parte dos credores, decretou no dia 30 de setembro de 2014, nova falência da encarroçadora de ônibus Busscar, que já foi uma das maiores do Brasil.

Os negócios continuam na América Latina com a atuação em parceira de outros grupos, com destaque para as operações na Colômbia.

A Busscar Colômbia foi formalizada no ano de 2002 sendo fruto de uma aliança entre a indústria local Carrocerías de Occidente, empresa fundada em 1995, e a Busscar Ônibus do Brasil, fundada pela família Nielson em 17 de setembro de 1946.

Foram várias tentativas de leilão da Busscar, três somente em 2016. Todas esvaziadas. A cada uma delas, o valor caía.

– Primeira tentativa: 15 de março de 2016, as três unidades fabris (Unidade Joinville SC – Fábrica de Carrocerias / Unidade Pirabeiraba – Joinville SC – Fábrica de Peças / Unidade Rio Negrinho SC – Fábrica de Peças)  custariam R$ 369.305.922,65 (trezentos e sessenta e nove milhões, trezentos e cinco mil, novecentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos)

– Segunda tentativa: 29 de março de 2016.  O valor seria de R$ 221,5 milhões (incluindo ativos reivindicados na Justiça, e incertos) ou, na prática, R$ 176,5 milhões (descontados os ativos) por todas as empresas do grupo. – 60% do valor do primeiro leilão

– Terceira Tentativa: No dia 8 de julho, terminou sem lance o terceiro leilão da empresa. Seria aceita oferta de quantia igual ou superior a 49% do valor da avaliação- do primeiro leilão.  R$ 133.151.088,11. Também sem propostas.

No final de outubro de 2016, foi apresentada uma proposta de compra por R$ 67,15 milhões por um grupo de investidores com o objetivo de retomar as produções em meados de 2017.

Em dezembro do mesmo ano, foi liberado um lote de R$ 18 milhões para saldar parte das dívidas trabalhistas.

Também em dezembro de 2016, dois grupos internacionais, o português a Imparável Epopeia UniPessoal Ltda e o chinês Liaoyuan Group demonstraram interesse na compra da Busscar.

Em 07 de janeiro de 2017 terminou o prazo para as empresas estrangeiras apresentarem a documentação exigida.

A proposta ficou somente pelo grupo da Caio. No dia 08 de janeiro, advogado da Caio esteve em Joinville e confirmou valor proposto de R$ 67,15 milhões.

Em 21 de março de 2017, o juiz da 5ª Vara cível de Joinville, Valter Santin Júnior, aprovou em sentença definitiva a compra da Busscar por sócios da Caio, encarroçadora de ônibus de Botucatu/SP, que tem como principal sócio o Grupo Ruas, de empresas de ônibus de São Paulo. O valor da compro foi de R$ 67,15 milhões. O montante foi dividido em um sinal de R$ 9,4 milhões e mais 50 parcelas do restantepelos próximos quatro anos, compreende as unidades da Busscar em Joinville, Pirabeiraba e Rio Negrinho, assim como seus terrenos, edificações, maquinário e móveis, além da maca. As parcelas terão correção monetária.

No dia 22 de março de 2017, os sócio-diretores da Caio/Induscar Marcelo Ruas e Maurício Lourenço da Cunha foram à Joinville, em Santa Catarina e assinaram o documento de compra da Busscar, na 5ª Vara Cível na cidade.

Em 28 de março de 2017, a assessoria de comunicação da Caio informou, em primeira mão ao Diário do Transporte, que na compra também envolveu a marca Busscar.

No dia 29 de março de 2017, o Sindicato dos Mecânicos de Joinville decide não impugnar a venda. Mesmo o valor de R$ 67,15 milhões sendo bem abaixo que os débitos trabalhistas de R$ 250 milhões, a entidade disse acreditar ser a solução mais concreta de um problema que se arrasta há anos. Um eventual outro comprador, por exemplo, poderia não produzir mais ônibus, usando os imóveis para outros fins.

Em 12 de junho de 2017, os sócios da Caio assumem formalmente a massa falida da Busscar.

CAIO “NAMORAVA” HÁ MUITO TEMPO A BUSSCAR:

O namoro entre a empresa de Botucatu, atualmente especializada apenas em ônibus urbanos, e que não preenche o mercado de ônibus rodoviários, é antigo.

Em 2007, a Caio já havia procurado sócios da Busscar para uma fusão. As negociações não avançaram.

Em setembro de 2011, antes mesmo da falência da Busscar, a Caio já tinha confirmado interesse na encarroçadora de Joinville. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2011/09/28/busscar-caio-fala-em-primeira-mao-com-blog-ponto-de-onibus/

Em outubro daquele ano, porém, a Justiça indeferiu a proposta da Caio que previa pagamento de R$ 40 milhões pelo complexo.

Em 15 de fevereiro de 2012 foi anunciada a criação de uma joint venture formada pelos acionistas das duas gigantes da produção de carrocerias de ônibus: Caio e Marcopolo.

A parceria envolve a Twice Investimentos e Participações, integrada por acionistas da Caio Induscar, e a controlada da Marcopolo, Syncropats Comércio de Distribuição de Peças Ltda.

Em 2013, a Caio voltou a apresentar outra proposta, desta vez para aluguel da Busscar.

Esta proposta também foi recusada pela justiça. Todas as propostas foram apresentadas em período anterior à crise econômica.

As empresas propuseram à Quinta Vara Cível de Joinville, que cuida do processo de falência da Busscar, o aluguel/arrendamento do Parque Fabril da companhia.

Para isso, pagariam um valor de R$ 300 mil por mês. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2013/02/28/caio-e-marcopolo-querem-alugar-a-busscar/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

35 comentários em “Nova Busscar” lança site e inicia processo de contratação

  1. Tomara que a qualidade dos ônibus continue sendo Busscar, ao invés de se adotar o padrão Caio de ônibus rodoviários.

    • Empresa nova buscar vai ser a melhor de joinville ! Vai salvar a crise do desempregado na cidade! Quero fazer parte da Nova equipe da nova buscar e ser um profissional de sucesso. Juntos somos fortes e sucesso Nova Buscar

  2. olair jorge rodrigues // 12 de junho de 2017 às 18:39 // Responder

    ola boa noite estou ansioso pra volta a trabalhar la de novo na minha aria trabalhava na fabricação de peças trabalhava em varia maquinas

  3. Oi meu nome é GILSON sou encanador e gostaria de trabalhar com vcs pois amo o que faço

  4. Espero que retomem a produção do Urbanus Pluss e do Urbanus Ecoss, só que mais modernos. Quem era cliente dessa empresa também se beneficia com a volta da encarroçadora ja que podem precisar de peças sobressalentes.

  5. Pelo menos o nome Busscar sera preservado.

  6. Amigos, boa noite.

    Faltou criatividade nessa marca.

    Melhor seria:

    “BUZCAIO”

    Afinal, os “Nilson” nunca mais.

    Mas …

    Att,

    Paulo Gil

  7. Luilson de Melo Leite // 13 de junho de 2017 às 18:44 // Responder

    Olá gostaría de saber se vai abrir vaga pra Soldador?

  8. Fabio Marcelo Koehler // 14 de junho de 2017 às 07:58 // Responder

    Bom dia srs
    Gostaria de passar um curriculo para o setor de engenharia poderiam me passar um e mail para que eu possa enviar.

    att
    Fabio

  9. Parabéns por uma parceria e um novas oportunidade a pessoa que preciso de emprego

  10. Eu queria ter o dinheiro do Joesley e a paciência do administrador do site….kkkkkk

  11. J. Miguel de Oliveira // 16 de junho de 2017 às 17:01 // Responder

    preciso enviar um currículo para a nova busscar, como eu faco isso?

  12. Bacana, sucesso aos novos donos! Creio que o Haroldo Nielsen esteja agora em paz!
    Grande camarada!

  13. Nossa Buscar de volta!amava o que fazia um período de nove anos em que trabalhei na buscar era só felicidade sempre fazia algo mais todos os dias ,lembro de um momento em estamos sem produção e precisamos acaba o um carro urbano e não tínhamos rebite para acaba os pega mãos sai procurando no pátio da empresa o povo esperdisava muitos materiais porcas,rebites,parafusos,roelas e muito mas sai a procura então achei e limpei e pintei e consegui acabar o carro era questão de honra trabalhar na buscar .

  14. Não consigo me cadastrar por este site,como faço??

  15. Israel Carvalho // 6 de julho de 2017 às 11:24 // Responder

    Notei que a empresa pode vir a ser chamada de Carbuss, mas pelas fotos vi que tinha veículos inacabados na linha de produção. O que irá acontecer a eles? Imagino ser bastante provável que a empresa será nova com projetos e modelos novos.

  16. Como ex funcionário pode pegar o PPP já que não a informação sobre isso, obrigada.

  17. QUERO ENVIAR CURRÍCULO

  18. Ke venha nova Buscar. Estamos todos ansiosos. Eu trabalhei nos protótipos junbus de 88 a 91.

  19. Eu sou motorista de onibus rodoviario,más gostaria de informar para os diretores da nova buscar que, quando for começar a projetar os novos onibus, que façam uma ampla pesquisa de campo para avaliar as situações das estradas do escaldante clima do norte das necessidades de inovações de tecnologia embarcada. pois com estes subsidios de informações creio que o sucesso será garantido. A marca buscar é forte visitei varias vezes a linha de produção e vejo que merece voltar ao mercado, não como mais uma,más para fazer a diferença em preço resistencia e beleza é claro.

  20. Que excelente! A Busscar era a única que fazia concorrência forte à Marcoplo. Qualidade chegava a ser ligeiramente superior. Designs sempre foram bonitos.
    Mais uma vez: excelente notícia!

  21. Que excelente! A Busscar era a única que fazia concorrência forte à Marcopolo. Qualidade chegava a ser ligeiramente superior. Designs sempre foram bonitos.
    Mais uma vez: excelente notícia!

  22. Elcidia Novak Gama // 21 de setembro de 2017 às 10:58 // Responder

    FIico feliz que a empresa Busscar vai voltar a atuar em nossa cidade pois sentimos orgulho de te-los aqui conosco joinville merece pois aqui fizemos historia

  23. Eu so queria que me pagasse o que me devem pois trabalhei 6 anos de graça e venderão por merreca em várias vezes

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