Imobilidade: 68% dos carros em São Paulo circulam apenas com uma pessoa

Transporte público e mobilidade ativa são principais soluções para reverter o quadro

ADAMO BAZANI

A cena é comum. Enquanto um ônibus está preso no trânsito com mais de 60 pessoas dentro, ao lado dele estão carros e mais carros: a maioria com uma pessoa.

O que aos olhos nus é obvio, a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego mensurou: 68% dos carros que circulam na cidade de São Paulo andam apenas com uma pessoa, de acordo com levantamento da companhia passado para a GloboNews.

E o pior, todos estes carros que ocupam mal as vias na cidade são responsáveis por em torno de 60% das emissões de poluentes na cidade.

De acordo com o professor Paulo Saldiva, chefe do laboratório de poluição da USP – Universidade de São Paulo, a cada hora exposto ao trânsito, é como se o cidadão consumisse um cigarro. O problema, segundo o médico, é que neste caso, as pessoas não têm escolha entre “fumar ou não”, inclusive crianças e doentes. Saldiva reforçou que por causa da poluição, quatro mil pessoas morrem por ano só na cidade de São Paulo e que, devido ao trânsito, as pessoas perdem convívio social, sono e os jovens que perdem tempo nos congestionamentos têm menos chances de se desenvolver profissionalmente e ter uma vida melhor no futuro.

Para o especialista, a principal solução é o transporte coletivo.

Aplicativos de carros compartilhados são apontados como uma das alternativas, mas não a principal.

Para dar conta da demanda e aproveitar os espaços urbanos de maneira eficiente e humana, é necessário investimento em sistemas de média e alta capacidade conectando corredores comuns de ônibus, BRTs, que são corredores mais eficientes e de maior capacidade, à rede metro-ferroviária. Os sistemas de ônibus locais, muitas vezes esquecido nos planejamentos e propagandas públicas, talvez por só atenderem a periferia e não terem o glamour do Metrô, também precisam de qualidade e eficiência. Afinal, é por estes sistemas que as pessoas que mais dependem de transporte público chegam aos BRTs, corredores, trens e Metrô.

A licitação de transportes coletivos da capital paulista tentará, segundo a prefeitura, aumentar a eficiência qualidade dos ônibus da cidade de São Paulo e atrair mais pessoas para o transporte público.

Confira matéria sobre o mau uso da cidade com o privilégio ao transporte individual:

https://diariodotransporte.com.br/2017/05/23/carros-de-passeio-emitem-73-das-emissoes-de-poluentes-em-sao-paulo-mas-so-transportam-30-das-pessoas/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Glauber disse:

    E infelizmente isto vai continuar enquanto não se oferecer um transporte público no mínimo decente.
    Com o que o poder público oferece (e não só na cidade de São Paulo), não existe a mínima forma de atrair pessoas para deixarem os carros em casa e aderirem ao transporte público.

  2. Daniel Duarte disse:

    Notícia triste essa hein, é o egoísmo humano matando nossas cidades, tem pessoas que tem metrô passando ao lado de casa e se recusa a usar o transporte coletivo.

  3. Adir de Jesus Cardoso disse:

    Em Florianópolis costumo caminhar ao redor de 7h00 da manhã e vejo todo o trânsito engarrafado. Infelizmente somos um povo pobre de espírito. Enquanto na Europa estão vendo possibilidades de se livrar desse entulho capitalista desbragado aqui o infeliz do brasileiro se sente orgulhoso de ter seu transporte próprio financiados muitos em até 72 meses. Dá status. Miserável, pobre e burro, mas alegrito.. Aqui até 90% dos carros possuem só um vivente. Somos uma ilha e um litoral com mais de 500 km, mas o poder econômico fala mais alto. Utilização do mar para transporte jamais. Nesse aspecto, somos parecidos com o Rio de Janeiro que utiliza o Catamarã para o trajeto até Niterói em 20 minutos. Aqui teríamos inúmeros trajetos perfeitamente utilizáveis nesse tipo de transporte que leva até mais de 200 pessoas sentadas e escutando música ambiente. Abraços.

  4. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Permitam-me discordar.

    Não gosto desta linha de raciocínio de que os carros são culpados.

    Que tal pensar de outra forma.

    Será que não usamos o carro porque em especial o buzão de Sampa, não funciona, não evoluiu em seus itinerários, não é amigável a mudanças em função do tempo, o 21/21, as linhza caranguejadas zigzagueadas, o carro bota, a tarifa cara, e todos os demais problemas que todos já conhecem.

    Não precisamos nem sair do Estado de São Paulo.

    Aqui mesmo temos a prova.

    Por que a METRA funciona ???

    Sejam pelo menos humildes, reconheçam que falta capacidade técnica, entrega tudo pra Metra, quero ver se não funciona.

    Vamos sonhar 30 segundos.

    “IMAGINEM SAMPA SEM CARRO E TODO MUNDO NO BUZÃO”

    Qual seria o prejuízo financeiro que todos iriam arcar ????

    Simplesmente Sampa pararaia, porque não caberia todos nos buzões.

    Sejamos mais sensatos.

    Não adianta fugir do problema, se o problema é no pé, não adianta operar o coração.

    Acho que o buzão de Sampa não está com esta bola toda, para ficar esnobando os carros.

    Quem não tem competência não se estabelece.

    Só para finalizar:

    Por que a 8023 faz ponto inicial em cima da faixa do buzão ??

    Quem responde esta tecnicamente ????

    Pááára.

    Att,

    Paulo Gil

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