Projeto de Lei que quer proibir radares móveis é aprovado em comissão da Câmara Federal

Autor do PL diz que projeto objetiva coibir o uso dos equipamentos com fins arrecadatórios

ALEXANDRE PELEGI

O Projeto de Lei (PL) 3340/2015, de autoria do deputado federal  Antonio Goulart dos Reis (PSD/SP), quer proibir o uso de radares móveis na fiscalização de velocidade de veículos.

Na justificativa do PL o autor descreve a motivação principal da medida:

“Esta proposição tem como objetivo eliminar com uma pratica recorrente dos órgãos de trânsito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, a instalação de radar móvel, ‘armadilhas’ destinadas a cumprir com o poder arrecadatório das autoridades de trânsito do País. Essa pratica enaltece a punição pecuniária em detrimento do caráter educativo”.

O PL, proposto em 2015, e que tramita na Câmara Federal , recebeu parecer favorável semana passada (24/5) da Comissão de Viação e Transportes (CVT). Com a aprovação, o texto aguarda agora o aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso obtenha, segue ao plenário da Casa para votação.

O PL 3340/2015 cita a capital paulista como exemplo do que chama de “armadilhas”:

“O exemplo mais recente dessa prática tem acontecido na cidade de São Paulo, onde estão sendo instalados radares nos ônibus, sem qualquer contrapartida no que tange à redução dos índices de violência no trânsito”. Importante frisar que o PL foi redigido em 2015, quando a gestão da prefeitura de SP estava sob administração do prefeito Fernando Haddad.

O texto do PL cita ainda que o uso de radares móveis “traz insegurança jurídica às relações entre o Estado e o cidadão”. Isso porque, segundo o deputado, a prática dá excessivo poder às polícias e agentes de trânsito e fortalece o que chama de “indústria da multa”.

Mais à frente, ele conclui: “esses equipamentos e sua utilização indiscriminada tiveram pouca influência na redução dos índices de violência no trânsito”.

OUTRO LADO:

Parece claro que há uma correlação positiva entre aumento da fiscalização e redução de acidentes. Um estudo realizado no município de Montgomery (Virginia), nos Estados Unidos, apontou que a quantidade de acidentes fatais ou com sequelas graves caiu 39% depois que a cidade diminuiu a velocidade máxima de algumas vias e instalou radares fixos e móveis. O estudo foi realizado pela instituição sem fins lucrativos Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), que avalia a segurança do trânsito norte-americano.

A engenharia de tráfego, no caso de países em desenvolvimento (como é o caso brasileiro), defende que as intervenções destinadas a reduzir a velocidade do tráfego são essenciais para a prevenção de acidentes de trânsito. E neste quesito estão os radares de controle da velocidade.

Um dos problemas associados à aplicação de radares fixos, no entanto, é a tendência de muitos motoristas em frear ao passar pelo equipamento, para em seguida exceder o limite de velocidade. É o chamado “efeito canguru”, descrito como a desaceleração e aceleração rápida antes e após os locais dos radares.

Um exemplo pode ser visto em matéria do jornal mineiro “O Estado de Minas”, publicada em março deste ano.

Veja o vídeo da matéria aqui:

A matéria, sob o título “Radares de BH não conseguem conter velocidade de motoristas”, descreve como os radares fixos servem como “contenções temporárias para a alta velocidade de motoristas infratores”.  A reportagem cita casos de veículos que, ao passarem pelo radar onde a velocidade permitida é de 60 km/h, pisam fundo no acelerador. “Alguns chegam a impressionantes 154 km/h em menos de 400 metros”, descreve a matéria.

Ou seja: os radares fixos são eficientes apenas em pequenos trechos das vias, pouco antes e pouco depois da localização do equipamento.

O ideal seria, em lugar dos radares fixos que medem a velocidade de um veículo em um ponto, a implantação de sistemas de controle de percurso, que medem as velocidades médias em mais de uma distância, de pelo menos 500 metros até vários quilômetros. Na ausência desses sistemas, a fiscalização rigorosa e mais imprevisível – o que inclui o uso de radares móveis – são ações sugeridas pela engenharia de tráfego.

Parece claro que o principal objetivo da fiscalização será sempre o de reduzir os acedentes e, por consequência, proteger a vida humana.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Eu disse:

    Parabéns ao deputado. A indústria da multa precisa acabar. As multas tem que ter carater educativo, e não arrecadatório.
    E concordo com o jornalista: o meio mais eficaz e até mesmo justo é medir a velocidade média dentro de um percurso.

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Isso ai existe há mais de meio século, não entendo porque agora está dando tanto pano “pra manga”.

    Nas estradas principalmente isso sempre foi usual, nunca me esqueço de uma multa que tomei na conservadíssima BR 101 no Espirito Santa há mais de 20 anos.

    E tem mais, o radar não multa ninguém.

    Só multa quem passa em velocidade superior.

    Não gosto de radares também, mas se com eles o trânsito já tem um zilhão de acidentes e X% do PIB gasto com os acidentes, imaginem sem os radares.

    Radar tem é que colocar no Congresso Nacional, para mutar GRANDE$ INFRA$$ÕES.

    Mas só quem apanha é o contribuinte.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Edson Profeta Ramos de Araujo disse:

    Desde a invenção do automóvel a intenção do ser humano foi de aumentar a velocidade do seu deslocamento. Então a indústria automobilística produz e vende veículos que atingem velocidades insanas e depois sobra para o governo tentar convencer os motoristas a trafegar em baixa velocidade. Aí vem um nobre deputado e diz que é suficiente educar esses motoristas para que obedeçam as regras de trânsito e que os radares móveis, cuja eficiência está comprovada, devem ser banidos das vias.

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