Estatal prevê crescimento de veículos elétricos no Brasil

Diretor da Empresa de Pesquisa Energética estima que em 2026 Brasil vai licenciar cem mil carros elétricos

ALEXANDRE PELEGI

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal, estima que nos próximos dez anos haverá um aumento de veículos elétricos no Brasil.

Atualmente há muitos entraves para a expansão do mercado de veículos elétricos e híbridos no país, como o custo das baterias, a infraestrutura de recarga e os preços finais dos veículos. A afirmação partiu do diretor da EPE José Mauro Ferreira Coelho, presente ontem (24 de maio) em evento de lançamento do “Caderno de Carros Elétricos”, da FGV, no Rio. A publicação objetiva promover a discussão sobre como a inserção dos veículos elétricos pode alterar o mercado energético, automobilístico e ambiental brasileiro.

O diretor da EPE disse ainda que no ano passado foram licenciados 2 milhões de veículos leves no país, dos quais apenas 1.091 são elétricos ou híbridos.

Segundo o site da FGV, em texto para divulgação do evento de lançamento dos Cadernos, “a mensagem que o Acordo de Paris transmite é que o mundo está disposto a transformar sua maneira de gerar e consumir energia e, neste sentido, descarbonizar o setor de transportes é uma peça fundamental para se atingir esse objetivo”.

O diretor da EPE estima que em 2026 o número de licenciamento de veículos leves chegará a 4,4 milhões de unidades, e a estimativa da estatal é de que cem mil veículos, ou 2,5% do total, sejam elétricos ou híbridos. Hoje o Brasil possui apenas 3.600 carros elétricos.

Para Tatiana Bruce, pesquisadora da FGV Energia e uma das autoras do documento lançado ontem, um dos principais obstáculos para o mercado de veículos elétricos no país é o custo da bateria, que representa um terço do custo total do veículo elétrico. A pesquisadora ressaltou, no entanto, que o custo está em queda, e ela estima que na próxima década os preços serão comparáveis aos dos veículos convencionais.

Quanto à recarga, outro entrave para expansão desse mercado, Reive Barros, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), alegou ser esta a principal preocupação da autarquia. Para ele, a preocupação é que o custo da recarga seja assumido pelo proprietário do veículo, e não dividido pela sociedade.

Alexandre Pelegi – jornalista especializado em transportes