Enquanto prefeitura de SP socorre taxistas inadimplentes, aplicativo 99 comemora novo aporte de 100 milhões de dólares

Publicado em: 25 de maio de 2017

Americano Peter Fernandez, presidente executivo do 99POP, comemora investimentos e afirma que, daqui a dez anos, “transporte não será problema”

ALEXANDRE PELEGI

Em 19 de abril o Diário do Transporte noticiava que a categoria dos táxis pretos de São Paulo, que surgiu no final de 2015 como alternativa de alto padrão ao Uber Black (versão luxuosa do aplicativo), começava a amargar seus primeiros problemas. Dos 4.731 motoristas que se credenciaram para o serviço, 89% não tinham pago as parcelas do alvará à Prefeitura de São Paulo.

A licença, com validade de 35 anos, custa R$ 60 mil, valor que o taxista pode parcelar em até 60 prestações de R$ 1.000.

Ontem a Prefeitura de São Paulo veio em socorro da categoria, e decidiu flexibilizar as regras para os motoristas do táxi preto. A administração municipal anunciou duas medidas: a ampliação do prazo de pagamento do alvará, e a devolução do documento sem que seja preciso o pagamento integral da licença.

Anteriormente, a Prefeitura, devido ao elevado índice de inadimplência, já suspendera por 60 dias o pagamento da outorga, permitindo que mesmo em caso de inadimplência o taxista pudesse renovar o alvará.

AMPLIAÇÃO DO PRAZO E DEVOLUÇÃO SEM PAGAMENTO

De acordo com as medidas anunciadas ontem, está a ampliação do prazo de pagamento do alvará, que triplicou, passando dos atuais cinco anos para 15. Resta somente uma complementação da regulamentação da medida, a ser publicada nos próximos dias no Diário Oficial do Município.

A prefeitura também anunciou como vai ajudar o taxista que decidir devolver o alvará. Para isso basta ele quitar dívidas anteriores, ficando desobrigado de pagar o valor de parcelamento futuro. As licenças devolvidas voltam para a lista de espera para aquisição da outorga.

Publicação no “Diário Oficial” de ontem (quarta, dia 24) explicita o motivo para a perda de alvará dos táxis pretos. De agora em diante a perda ocorrerá se o dono da licença deixar de pagar três prestações consecutivas, ou cinco prestações intercaladas até a renovação da licença anual.

TAXISTAS: UMA CATEGORIA PROTEGIDA

Como apontamos em publicação passada (Leia: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/19/onibus-e-taxis-a-quem-a-prefeitura-mais-ajuda/), enquanto os taxistas sempre se beneficiaram de receitas municipais, os aplicativos entraram pesado no mercado apostando na livre inciativa.  Apenas na capital paulista os táxis se beneficiam de subsídios anuais que remontam a R$ 250 milhões, um valor absurdo quando consideramos que o sistema transporta apenas 1,5% dos que são atendidos pelo transporte público. Resumo: cada paulista que usa táxi recebe um subsídio na tarifa cinco vezes maior do que os que andam de busão. Como se não bastasse isso, os taxistas (de São Paulo e muitas outras cidades) gozam de privilégios como o de circular em faixa “exclusiva” de ônibus.

Apesar de toda a ajuda dos cofres públicos, o sistema de táxis vive em crise, e mais ainda aqueles que apostaram em segmentos mais elitizados. A categoria dos táxis pretos de São Paulo é um caso recente. Surgiu no final de 2015 para ser uma alternativa de alto padrão para competir com o Uber Black. Hoje, um ano e meio depois de seu surgimento, amarga problemas. A inadimplência com a prefeitura é um deles.

Como já prevíamos, mais uma vez a prefeitura veio em socorro da categoria.

ENQUANTO ISSO, STARTUP GARANTE QUE TRANSPORTE NÃO SERÁ PROBLEMA EM 10 ANOS

Enquanto os taxistas sofrem na pele os efeitos da crise e da concorrência dos aplicativos, o americano Peter Fernandez, presidente executivo da startup 99POP comemora investimentos de US$ 200 milhões de dólares.

No início do ano o aplicativo de transporte mais popular da China, o Didi Chuxing, aportou US$ 100 milhões, em parceria com o fundo de investimentos Riverwood. Ontem a startup brasileira recebeu mais US$ 100 milhões, desta vez da gigante de internet e telecomunicações japonesa SoftBank.

Numa entrevista exclusiva ao jornal O Estado de SP, o americano Peter Fernandez, um dos primeiros investidores na 99, e hoje seu presidente executivo, afirma que com mais recursos financeiros, “conseguiremos acelerar nossa missão, que é fazer o transporte ficar cada vez mais barato, rápido e seguro para os brasileiros”.

Num misto de arrogância e chute futurista, Peter vai além, ao afirmar que “daqui a dez anos, o transporte não será mais um problema. Ele vai simplesmente funcionar e será barato. Não vamos mais precisar pensar nisso”.

Resta perguntar de que transporte o jovem executivo está falando. Se for para atender a toda a população via aplicativos de transporte individual, faltarão ruas para tantos carros. Isso sem falar, nesse cenário hipotético, da poluição desenfreada e do natural aumento dos acidentes. Fora investimentos em infraestrutura, etc etc etc…

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

Comentários

  1. miltonjung disse:

    Pelegi, como leitor deste site (do qual me sinto ‘sócio-fundador’) tomei a liberdade de usar seu texto para escrever sobre o assunto no Blog do Mílton Jung. Você encaminha para um lado (com o viés do ônibus) , eu me concentro no mercado de táxis mesmo. Fiquei impressionado com o quanto ainda subsidiamos este mercado. Obrigado pelas informações. Abraços!

    1. Sócio titular e vitalício. O site é seu também, companheiro
      Abraços
      Adamo

  2. Em um país de corruptos o que manda é o dinheiro e a especulação estrangeira para fazer dos brasileiros escravos da cituação atual do país camelôs do asfalto seria o título certo pra essa nova modalidade.

  3. carlos disse:

    (Comentário excluído por desrespeito aos editores)

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