Ônibus e táxis: a quem a prefeitura mais ajuda?

Cada paulistano que usa táxi recebe um subsídio na tarifa cinco vezes maior do que os que usam ônibus. Agora a prefeitura quer salvar a pelo dos Táxis Pretos, que amargam grave inadimplência

ALEXANDRE PELEGI

Depois do imbróglio causado aos aplicativos de transporte individual em votação recente na Câmara Federal, que coloca em risco o serviço de transporte individual praticado por empresas como Uber, Cabify e similares, eis que outro lado começa a surgir nesse segmento. Trata-se dos taxistas que se arriscaram na aventura de competir com o Uber, e hoje amargam pesada taxa de inadimplência.

Enquanto os taxistas sempre se beneficiaram de receitas municipais, os aplicativos entraram pesado no mercado apostando na livre inciativa.  Apenas na capital paulista os táxis se beneficiam de subsídios anuais que remontam a R$ 250 milhões, um valor absurdo quando consideramos que o sistema transporta apenas 1,5% dos que são atendidos pelo transporte público. Resumo: cada paulista que usa táxi recebe um subsídio na tarifa cinco vezes maior do que os que andam de busão. Como se não bastasse isso, os taxistas (de São Paulo e muitas outras cidades) gozam de privilégios como o de circular em faixa “exclusiva” de ônibus.

Apesar de toda a ajuda dos cofres públicos, o sistema de táxis vive em crise, e mais ainda aqueles que apostaram em segmentos mais elitizados. A categoria dos táxis pretos de São Paulo é um caso recente. Surgiu no final de 2015 para ser uma alternativa de alto padrão para competir com o Uber Black (versão luxuosa do aplicativo). Hoje, nem um ano e meio depois de seu surgimento, a modalidade amarga seus primeiros problemas. Dos 4.731 motoristas que se credenciaram, 89% não pagaram as parcelas do alvará à Prefeitura de São Paulo.

A licença, com validade de 35 anos, custa R$ 60 mil, valor que o taxista pode parcelar em até 60 prestações de R$ 1.000.

Resultado: vem aí mais ajuda da prefeitura. Diante do aumento na inadimplência, a prefeitura de João Doria decidiu mês passado suspender por 60 dias o pagamento da outorga, permitindo a renovação do alvará mesmo para quem está devendo. Além disso, foi criado um grupo de estudos que terá dois meses de prazo para avaliar o modelo e editar novas regras.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes