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Alckmin e Doria firmam acordo para privatização de Bilhete Único

Convênio reúne secretarias de desestatização e de transportes da cidade de São Paulo, SPTrans CPTM e Metrô

ADAMO BAZANI

O plano de privatização do Bilhete Único, apresentado pelo prefeito de São Paulo, João Doria, dentro do pacote de 55 equipamentos e serviços concedidos ou vendidos para iniciativa privada, deu mais um passo nesta terça-feira 23 de maio de 2017.

As secretarias de Desestatização e de Mobilidade e Transportes; e a SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus, da gestão do prefeito João Doria, assinaram um convênio com o Metrô e a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, da gestão do Governado Geraldo Alckmin, para estruturar a concessão da operação de vendas de tarifas à iniciativa privada.

De acordo com publicação nesta quarta-feira no Diário Oficial da Cidade de São Paulo, o convênio não vai envolver transferência de recursos entre Governo do Estado e prefeitura; apenas transferências técnicas e de conhecimento.

Modelos de concessão semelhantes em outros países farão parte dos estudos previstos neste convênio.

Conforme adiantou o Diário do Transporte, em 13 de março de 2017, já houve interessados nos serviços do Bilhete Único e, principalmente no banco de dados de 15 milhões de cartões cadastrados , que já consultaram a prefeitura, entre eles internacionais, como empresas dos Estados Unidos, da Europa e do Japão:

https://diariodotransporte.com.br/2017/03/13/privatizacao-do-bilhete-unico-ja-tem-ao-menos-dez-interessados/

De acordo com o poder público, a gestão e operação do Bilhete Único têm um custo anual completo de R$ 430 milhões ou R$ 250 milhões apenas para a comercialização. No entanto, a alta movimentação de recursos, com quase 9 milhões de clientes cativos, tem chamado a atenção da iniciativa privada.

A ideia da prefeitura, além se livrar do custo anual de Bilhete Único, é transformar o cartão em multiuso. Assim, o bilhete poderia ser usado como crédito, débito e para pagar refeições e atividades culturais.

Empresas nacionais e estrangeiras dos segmentos de aplicativos, bilhetagem eletrônica de outros sistemas de ônibus, e do ramo financeiro estão entre as interessadas no sistema de cartões de ônibus, também usado no Metrô e na CPTM, segundo a administração.

A prefeitura garante que a forma de uso dos créditos não vai mudar, assim como as gratuidades para estudantes e idosos.

Com a privatização, o prefeito João Doria também pretende que até o final de sua gestão, o cartão do Bilhete Único não seja a única forma de pagar a tarifa de ônibus, com uso, por exemplo, de celulares. Testes com a empresa sul-coreana Samsung devem começar no segundo semestre para determinar a tecnologia para o uso desta forma de pagamento. Relembre

https://diariodotransporte.com.br/2017/04/14/prefeitura-de-sao-paulo-firma-parceria-com-samsung-para-testar-pagamento-de-tarifa-onibus-por-celular/

Até o final do ano a prefeitura deve formalizar um PMI – Procedimento de Manifestação de Interesse para colher informações e impressões do mercado sobre como viabilizar a atuação da iniciativa privada no Bilhete Único e como será o processo de concessão.

A prefeitura acredita que o contrato de concessão do Bilhete Único será assinado no início de 2018.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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