Assaltos durante a espera pelo ônibus se tornaram um crime rotineiro na vida do usuário de transporte coletivo da capital; assaltos acontecem pela manhã, quando as vítimas estão saindo para o trabalho
ALEXANDRE PELEGI
Em matéria publicada pelo Diário do Transporte em 23 de abril de 2017, sob o título “Andar de ônibus no Brasil está a cada dia mais perigoso” (https://diariodotransporte.com.br/2017/04/23/andar-de-onibus-no-brasil-esta-a-cada-dia-mais-perigoso/), informávamos que a situação dos usuários de ônibus, diante da criminalidade crescente no sistema de transportes coletivos, estava gerando uma tensão diária na vida de passageiros das Regiões Metropolitanas de algumas importantes metrópoles brasileiras. A matéria citava os casos do Recife, Belo Horizonte e Fortaleza. Outra matéria (veja ao final do texto) citava o caso de Curitiba.
Pois agora também os arrastões tornaram-se grave problema nos pontos de ônibus da cidade de São Paulo. Reportagem do jornalista Alexandre Hisayasu, do Estadão, que analisou as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública do estado de SP, aponta que os assaltos durante a espera pelo ônibus se tornaram um crime rotineiro na vida do usuário de ônibus da capital.
A reportagem cita que as investigações da polícia sobre os arrastões nos pontos de ônibus constataram que até dez pessoas são roubadas de uma só vez. Esse tipo de crime preocupa as autoridades policiais porque, além do crime em si, impedem a queda do número de roubos na cidade.
O objeto preferido pelos meliantes é o celular e, na maioria dos casos, os assaltos acontecem pela manhã, quando as vítimas estão saindo para o trabalho.
ESTATÍSTICAS DA SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
Pelos dados colhidos pela reportagem do Estadão, pode-se ver que no 1º trimestre do ano foram registrados 41.181 roubos na capital e 81.981 no Estado.
No mesmo período de 2016 a capital teve 39.670 registros, ao passo que o Estado relatou 80.690.
As regiões com maior aumento de roubos na capital são Vila Santa Maria, na zona norte, de 48 para 129 casos (168,7%); Consolação, no centro, de 183 para 421 (130%); e Santa Cecília, também no centro, de 102 para 198 (941%).
Ouvida pela reportagem do Estadão, a delegada Raquel Kobashi Galinatti, presidente do Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo (Sindesp), diz que o aumento de crimes contra o patrimônio está diretamente ligado à falta de investimentos na polícia judiciária.
“A Polícia Civil de São Paulo está com seu quadro envelhecido e desfalcado em meio a uma estrutura que não oferece condições ideais de trabalho. Quanto mais crimes deixam de ser esclarecidos, maior a sensação de impunidade para o criminoso e pior serão as consequências para as pessoas de bem”, afirma.
AUMENTO NO EFETIVO
As Polícias Civil e Militar informam que aumentaram o número de operações em pontos de ônibus para inibir a ação dos criminosos. Em nota divulgada à imprensa a Secretaria da Segurança Pública afirma que as polícias vêm atuando para coibir os crimes contra o patrimônio, com uso de policiais da Rocam (patrulhamento com motos) principalmente nos horários de pico.
AINDA SOBRE O ASSUNTO:
Assaltos em ônibus da capital paulista crescem = https://diariodotransporte.com.br/2017/05/04/assaltos-em-onibus-da-capital-paulista-crescem-55/
Cresce número de assaltos a ônibus em Curitiba = https://diariodotransporte.com.br/2016/10/21/cresce-numero-de-assaltos-a-onibus-em-curitiba/
Alexandre Pelegi – jornalista especializado em transporte
