Andar de ônibus no Brasil está a cada dia mais perigoso

A tensão é diária na vida de passageiros das Regiões Metropolitanas do Recife, BH e Fortaleza

ALEXANDRE PELEGI

Andar de ônibus está ficando perigo no Brasil. As notícias recentes comprovam isso. Na Região Metropolitana do Recife (RMR), apenas durante o feriado de Tiradentes (21 de abril), 11 linhas de ônibus e estações de BRTs foram assaltadas. O Sindicato dos Rodoviários do Recife contabiliza que durante o ano 1300 ônibus já foram assaltados na RMR, sendo que só no mês de abril este número alcança já 253 coletivos.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte a situação também está fora de controle. O caso mais recente reforça uma história de repetidos relatos de arrastões. Um assalto a um ônibus da linha 4155 (Estação São Gabriel/Imperial – Santa Luzia, norte de BH) nesta sexta-feira (21), terminou de forma trágica, com o motorista assassinado com um tiro na cabeça.

Os ônibus das linhas que trafegam na Grande BH têm sido alvos frequentes de criminosos nas rodovias estaduais MG-010, em Morro Alto, Vespasiano; MG-050, entre Betim e Mateus Leme; LMG-808, em Nova Contagem; LMG-806, em Justinópolis, Ribeirão das Neves; BR-356, entre o Aglomerado do Morro do Papagaio e o BH Shopping; e, com maior frequência, na BR-381, em Contagem, depois do Carrefour, e entre os bairros PTB e Jardim Teresópolis, já em Betim.

A prefeitura de BH lançou a operação “Viagem Segura”, em janeiro, onde guardas municipais acompanham as viagens dos ônibus na capital. Mas em fevereiro, após o início da operação, uma passageira morreu ao pular de um ônibus em movimento quando tentava escapar de um arrastão no centro-sul da capital.

Em Fortaleza os ônibus vêm sofrendo seguidos ataques, levando a Polícia a organizar comboios e escolta. Diferente da situação de Pernambuco e Minas, os ataques a ônibus em Fortaleza decorrem de guerra de facções criminosas.

Mas uma coisa é certa: não bastassem todos os problemas que os passageiros de ônibus diuturnamente enfrentam país afora, assaltos, arrastões e ataques agora vieram se somar ao dia-a-dia das viagens de milhares de brasileiros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes