Maio Amarelo: Números de acidentes crescem em meio a medidas midiáticas e aumento de multas

Acidentes representam perdas de vidas e de altos recursos, com a mobilização de grande infraestrutura para reparar danos. Fotos Uol

Autoridades de trânsito ainda não conseguiram resultados efetivos que marquem o começo de um trânsito mais seguro

ALEXANDRE PELEGI

A efeméride do Maio Amarelo tem levado os jornais a dispensarem um tempo maior às estatísticas do trânsito. Algo que deveria ser rotina nas redações, torna-se notícia apenas quando os órgãos públicos resolvem divulgar ações em conjunto para chamar a atenção para os graves problemas ocasionados pelo desrespeito generalizado às mais comezinhas regras do Código de Trânsito Brasileiro.

O Brasil continua a matar no trânsito. O compromisso assumido com a ONU, no lançamento da “Década de Ações para a Segurança no Trânsito” em 2011, está muito distante de ser alcançado. Mas se há algo benéfico no Maio Amarelo é destacar as falhas que o país está cometendo quando o assunto é violência no trânsito.

Um destaque é o alto número de motoristas embriagados, que continuam sendo os grandes responsáveis pelo elevado número de tragédias nas vias urbanas e nas rodovias das principais capitais.

Distrito Federal: álcool e volante

O Distrito Federal é um exemplo negativo: o número de motoristas multados por embriaguez cresceu 58,4% entre o primeiro trimestre de 2016 e os primeiros três meses deste ano. Enquanto nos três meses em 2016 o Detran multou 3.069 motoristas, agora em 2017 o número saltou para 4.863, o que representa uma média de 54 pessoas multadas por dia.

A Lei Seca, que completa dez anos em junho de 2018, já teve tempo mais do que suficiente para conscientizar motoristas de todo o país. Campanhas de educação foram até aqui não apenas insuficientes para alterar comportamentos, como demonstraram que sem fiscalização rigorosa, e sem ações penais exemplares, a violência seguirá sua rotina de produzir mortos e feridos.

Em Curitiba a velocidade é a maior infração

Velocidade, com ou sem álcool, continua sendo outro grave problema. Em Curitiba está no topo do ranking das multas aplicadas para o motorista da capital paranaense. Nos primeiros três meses do ano, 69.528 motoristas foram flagrados nas ruas de Curitiba dirigindo a uma velocidade até 20% acima do permitido. Transitar em velocidade de 20% a 50% acima do limite permitido rendeu outras 5.932 infrações. No total, são mais de 75 mil multas por excesso de velocidade.

Na Grande Vitória, uso do celular preocupa Detran

O diretor geral do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), Romeu Scheibe Neto, tem uma certeza: 90% dos acidentes e mortes no trânsito poderiam ser evitados. Romeu afirma que a principal causa das infrações que causam ocorrências no trânsito são fruto de decisões erradas dos motoristas.

Das mais de 500 mil multas registradas pelo Detran na Grande Vitória, cerca de 33 mil são por uso de celular ao volante. Nas estradas do Estado, das quase 850 mil multas, mais de 245 mil são por excesso de velocidade.

São Paulo: aumento de acidentes nas marginais é fruto de  imprudência, diz prefeito

Matéria do jornal Folha de SP deste domingo, com dados da Polícia Militar, apontou que nos dois primeiros meses depois do aumento das velocidades nas marginais houve aumento de 51% nos acidentes com vítimas. O aumento refere-se ao período de fevereiro e março do ano passado, quando os limites ainda eram de 50 km/h na pista local, 60 km/h na central e 70 km/h na expressa.

Como seu maior compromisso de campanha, o prefeito João Doria elevou as máximas para 60 km/h (local), 70 km/h (central) e 90 km/h (expressa) em 25 de janeiro. E foram sob esses novos limites que as marginais bateram recorde de ocorrências em março: 143 acidentes com vítimas, maior número mensal desde janeiro de 2015, quando teve início a série histórica da estatística da PM.

O prefeito reagiu dizendo não haver “nenhuma correlação entre o aumento da velocidade nas marginais e o número de acidentes”. No entanto não há nada que corrobore sua opinião. Até agora não há dado oficial, seja do governo do Estado, seja da prefeitura, que mostre a velocidade dos veículos envolvidos em cada um desses acidentes. No 1º trimestre, 57% dos acidentes com vítimas nas marginais foram colisões traseiras.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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