Prefeitura de Diadema vai recorrer de decisão que permite retirada de cobradores de ônibus na cidade

Lei de 2013 impede que motoristas dirijam e cobrem ao mesmo tempo, mas companhias estão amparadas em liminar

ADAMO BAZANI

Parcela significativa da frota de ônibus municipais de Diadema, na Grande São Paulo, já é operada apenas pelo motorista, que além de dirigir, é obrigado a cobrar a passagem, recebendo dinheiro e fazendo troco.

As duas companhias de ônibus da cidade, Mobibrasil e Benfica, estão amparados numa decisão judicial que permite a prática.

Entretanto, a Lei Municipal 3.310, de 2013, assinada pelo prefeito Lauro Michels, que voltou ao comando Paço, proíbe a dupla função.

Segundo o texto da lei, “ É vedado, aos motoristas dos ônibus do município de Diadema, a função de cobrar passagens ou função que implique a supressão da função de cobrador”

A liminar contesta justamente os efeitos dessa lei, que momentaneamente estão suspensos.

A prefeitura, entretanto, declarou que pretende recorrer desta decisão.

A administração ainda afirma que um acordo com as companhias de ônibus impede as demissões. No entanto, segundo o sindicato que representa os trabalhadores, diversos cobradores já perderam o emprego desde o ano passado.

Mesmo dizendo que vai recorrer da lei, a prefeitura incentiva a bilhetagem eletrônica para que não haja pagamentos em dinheiro dentro dos ônibus.

A passagem em dinheiro hoje na cidade de Diadema custa R$ 4,20 e, paga com o cartão SOU, uma espécie de bilhete único da cidade, sai por R$ 4.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Prefeitura de Diadema vai recorrer de decisão que permite retirada de cobradores de ônibus na cidade

  1. Lamentável. Se os motoristas receberem mais essa atribuição, teremos varias situações onde linhas com horários apertados passarão a circular com atrasos, afinal, o motorista: deverá cuidar da catraca ( meu cartão não está sendo validado -motorista, me ajuda por favor?) ; atenderá pessoas com mobilidade reduzida no embarque e no desembarque; prestará informações( motorista, este onibus passa pelo hospital municipal?), fará os relatórios que são feitos pelo cobrador e claro: irá dirigir.
    Então, as empresas, não irão colocar os ônibus para trafegar em maior velocidade, não por preocupação com a segurança, mas por questões financeiras (multas) , mas irão adequar os atrasos a uma nova tabela de horários.
    Resultado: maior tempo de espera nos pontos.

  2. MARCOS NASCIMENTO // 27 de abril de 2017 às 18:50 // Responder

    Comentário perfeito do Leonardo Rocha que reflete a realidade das cidades que já tem 100% dos ônibus sem cobrador há vários anos como é o caso de Sorocaba e Joinville. Importante dizer ainda que sem a presença do cobrador que poderia ser AUXILIAR DE BORDO em caso de ônibus com catracas eletrônicas, vale dizer que É IMPRESSIONANTE a quantidade de pessoas que entram pela porta traseira sem pagar e saem pela mesma porta traseira. O calote é grande especialmente nos horários de pico e isso pude comprovar pessoalmente observando o volume de ônibus circulando em várias avenidas e ruas nas cidades citadas, o que garante que a mesma situação esteja ocorrendo em outras cidades já 100% ou pelo menos parcialmente sem a figura do cobrador.

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