Pesquisa anual da FGV projeta que Brasil alcançará um smartphone por habitante até outubro

Conectividade da maioria das pessoas é benéfica para os transportes públicos

ALEXANDRE PELEGI

Dados da 28ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), projeta que o Brasil terá um smartphone em uso por habitante até o final deste ano. A FGV-SP divulgou a pesquisa nesta quarta-feira (19), projetando um aumento da base instalada até outubro para 208 milhões de aparelhos.

Para o setor dos transportes públicos, em particular, esta revolução digital é muito benéfica. Para se ter uma idea disso, no Reino Unido a maioria das grandes empresas, prefeituras e órgãos públicos tem aplicativo próprio há alguns anos, além de manterem seus dados abertos para que desenvolvedores possam criar seus próprios apps. A prefeitura de São Paulo lançou há poucos anos o Mobilab (Laboratório de Mobilidade Urbana e Protocolos Abertos), que trabalha com desenvolvimento de soluções para a melhoria da gestão do transporte, do trânsito e da mobilidade urbana. Vários aplicativos, para diferentes faixas de idade e interesses foram lançados, como o Parknet, que ajuda idosos e pessoas com deficiência a encontrar vagas de estacionamento em São Paulo.

Outro fato importante relacionado ao avanço dos smartphones é que tais aparelhos rapidamente substituíram os computadores no acesso à internet. A maioria dos cidadãos carrega hoje a tiracolo um aparelho que o mantém conectado 24 horas do dia à rede, podendo acessar informações e, mais importante, podendo se comunicar com outras pessoas e até instituições públicas.

Além dos aplicativos desenvolvidos pelo Mobilab, outras iniciativas se espalharam por muitas cidades. Um exemplo recente foi o aplicativo desenvolvido com o apoio da EMTU e da Metra, que permite aos passageiros registrar reclamações sobre os serviços de ônibus em tempo real, o que permite que as gerenciadoras públicas e as empresas operadoras de transporte possam, através de acesso imediato, realizar intervenções rápidas. Veja mais aqui: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/24/aplicativo-que-torna-passageiro-mais-atuante-nos-transportes-vence-hackatona-emtumetra/

Em resumo: nunca foi tão fácil ouvir o usuário do transporte público, os pedestres e os ciclistas. Falta ao poder público, que durante décadas só comunicou o que quis, aprender a receber sugestões, ideias, indicações e críticas. Pesquisas em tempo real, segmentação por regiões e temas, tudo é possível hoje nesse novo mundo digital.

Mas como todos sabemos, não basta ter canais de comunicação: é preciso saber usá-los como instrumento de fortalecimento da opinião pública e de aperfeiçoamento da gestão. Os dados estão disponíveis, falta só a inteligência dos gestores em saber usá-los em benefício da cidade.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte