Empresas internacionais conhecem edital de concessão das linhas 5  Lilás do Metrô e 17 Ouro do Monotrilho

O secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, e a subsecretária estadual de Parcerias e Inovações, Karla Bertocco Trindade apresentam metrô e monotrilho a investidores internacionais – Foto: Divulgação Governo do Estado de São Paulo

Licitação foi apresentada em Bruxelas à Goldman Sachs, Arriva, Ratp, Keolis, Codatu, Dealmaker, JR East e para a brasileira CCR

ADAMO BAZANI

O Governo do Estado de São Paulo apresentou nesta terça-feira, 18 de abril de 2017, a investidores internacionais, o edital para concessão à iniciativa privada da linha 5 Lilás do Metrô e 17-Ouro do monotrilho.

A apresentação ocorreu na sede da União Internacional de Transportes Públicos – UITP, em Bruxelas, na Bélgica.

O secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, e a subsecretária estadual de Parcerias e Inovações, Karla Bertocco Trindade, a executivos de operadoras de transportes europeia Arriva, das francesas Ratp e Keolis, das agências Codatu e Dealmaker, também da França, da japonesa JR East, da brasileira CCR e da instituição financeira Goldman Sachs.

O edital já foi publicado e o leilão será no dia 4 de julho na Bovespa. O lance mínimo é R$ 189,6 milhões e a expectativa é de R$ 3 bilhões de investimentos e reinvestimento. O investidor privado, no entanto, vai investir em melhorias apenas R$ 88 milhões.

Para se ter uma ideia, os investimentos da iniciativa privada no pacote de concessões rodoviárias serão de R$ 5 bilhões.

O valor estimado do contrato é de R$ 10,8 bilhões, que corresponde à soma das receitas tarifárias de remuneração e de receitas não operacionais, como exploração comercial de espaços livres nas estações, por exemplo.

A concessão será por 20 anos.

A expansão da linha 5 Lilás do Metrô e a construção da Linha 17 Ouro do monotrilho continuam sendo bancadas pelo dinheiro público. A concessão envolve a operação.

Em nota sobre a visita, o governo do Estado diz que as duas linhas, quando completas, vão atender a 1,05 milhão de pessoas por dia.

O trecho completo da Linha 5-Lilás terá 17 estações, ao longo de 20,1 quilômetros, entre o Capão Redondo e a Chácara Klabin, incluindo dois pátios para estacionamento e manutenção de trens. Com demanda estimada em 850 mil passageiros por dia, o ramal fará interligação com as linhas 1-Azul, 2-Verde e 17-Ouro, do Metrô, a Linha 9-Esmeralda, da CPTM, e três terminais integrados de ônibus.

A Linha 17-Ouro integrará o Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária da capital paulista, com tecnologia de Monotrilho. Além de um pátio de manutenção e estacionamento, o trecho de 7,7 quilômetros de extensão compreenderá as seguintes estações elevadas: Congonhas, Jardim Aeroporto, Brooklin, Vila Paulista, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi. O ramal terá integração com a linha 5-Lilás, do Metrô, e a Linha 9-Esmeralda, da CPTM. A demanda diária prevista será de 200 mil usuários.

A linha 5 Lilás que, hoje liga Capão Redondo, no extremo Sul, à estação Adolfo Pinheiro, está em expansão com recursos do Governo do Estado. A administração Alckmin prevê que até julho devem ser abertas três estações da linha 5 Lilás: Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin. Em dezembro, devem ser inauguradas as estações Eucaliptos, Moema AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin. Em 2018, será entregue a estação Campo Belo.

A expansão é de 10 km com 10 estações. Hoje são 9,3 Km e 7 estações, entre Capão Redondo e Adolfo Pinheiro.

A concessão deve ser para a operação integral da linha.

A linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Em 2015, o orçamento ficou 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2018. Em 2010, o custo do quilômetro era de R$ 177 milhões. Em 2015, o custo por quilômetro seria de R$ 310 milhões e no primeiro semestre de 2016 foi para R$ 325 milhões. O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes