Empresas de ônibus do Rio de Janeiro têm R$ 3,5 bilhões para comprar veículos com ar condicionado e não fizeram, diz MP

Ônibus sem ar-condicionado ainda são maioria na cidade do Rio

Companhias afirmaram que vão avaliar o cálculo do Ministério Público e que contrato não exigia equipamentos

ADAMO BAZANI

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou que as empresas de ônibus da capital fluminense acumularam nos últimos quatro anos, R$ 3,5 bilhões para comprar os veículos com ar-condicionado que deveriam ser integralmente implantados na frota municipal até o final do ano passado. O valor seria suficiente, ainda de acordo com o órgão, para adquirir 9.576 ônibus e é referente ao cálculo da tarifa já levando em conta os gastos com a renovação.

As informações foram divulgadas pela TV Globo

A frota atual do Rio de Janeiro é de 8,1 mil ônibus.

O Ministério Público anexou o cálculo, com base em planilhas oficiais, no processo que corre na 8ª Vara de Fazenda do Tribunal de Justiça.

O órgão pede intervenção da prefeitura nos contratos em um mês e aumento da multa para cada ônibus sem ar-condicionado, hoje estipulada em R$ 20 mil. Os promotores também querem auditoria nos contratos com as empresas de ônibus.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a prefeitura tem se esforçado pouco para cobrar o acordo firmado com as companhias de transporte.

A prefeitura rebate e diz que não é possível haver intervenção nas empresas de ônibus e que tem negociado com aswviações.

Já o Rio Ônibus, sindicato que reúne as companhias, diz que no dia 31 de março recebeu ofício da secretaria de transportes solicitando a compra emergencial de um lote de ônibus novos. O total seria de 196 veículos com ar-condicionado a ser colocados em circulação em 90 dias.

O sindicato afirmou que as respostas serão apresentadas dentro dos prazos estipulados e que o contrato de concessão, assinado em 2010, não exigia a instalação de ar-condicionado. Mesmo assim, para tentar cumprir parte do acordo de 2013, os consórcios de empresas aumentaram a frota de veículos com equipamento de refrigeração em 272%.

Sobre o valor de R$ 3,5 bilhões, o Rio Ônibus afirmou que as empresas estão analisando o cálculo do Ministério Público.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes