BRT de São José quer pegar carona no Trivale de Alckmin

Desempenho do transporte coletivo, ainda mais dos ônibus articulados, melhoraria e muito com sistema BRT

Prefeito Felicio Ramuth diz que projeto deixado por seu antecessor tem falhas, e quer aproveitar projeto da EMTU para baratear custos

ALEXANDRE PELEGI

O BRT de São José dos Campos se tornou uma verdadeira novela. Em julho de 2015, quando visitava a cidade de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, o então ministro das Cidades, Gilberto Kassab, afirmava à imprensa regional: “As questões ligadas ao BRT estão bastante avançadas, vivendo seus últimos momentos até o começo das obras. Eu estou, inclusive, agendando uma visita a São José para que a gente possa avançar ainda mais neste projeto, um dos principais na área de mobilidade”. Em 29 de junho daquele ano o então prefeito de São José, o petista Carlinhos Almeida, comemorara a entrega do projeto básico do BRT à Caixa Econômica Federal.

Apesar do ufanismo do então ministro (que hoje ocupa a pasta das Comunicações no Governo Temer), as obras não começaram até hoje. E pelo visto não se sabe se, nem quando terão início.

“Senta que lá vem história”

Em fevereiro de 2017, portanto mais de ano e meio após a frase de Kassab, a prefeitura anunciava que a abertura da concorrência pública para as obras do BRT ficaria para 2018. De acordo com a administração local à época, era necessário primeiro analisar o impacto econômico-financeiro para a prefeitura.  A Caixa tinha liberado um financiamento de R$ 800 milhões para o projeto, mas o município precisava garantir uma contrapartida de R$ 42 milhões. Por falta de dinheiro no caixa da cidade todas as previsões ficaram para as calendas.

Em março deste ano, já com novo prefeito eleito e empossado, o tucano Felicio Ramuth, a história do BRT voltou ao ponto de partida. Felicio afirmou que o projeto básico, desenvolvido durante a gestão passada, possuía erros graves no desenho dos 62 quilômetros de corredores e dos terminais de embarque. Em entrevista ao jornal O Vale, da cidade, ele disse: “Nem oito quilômetros (de corredores) são para BRT. O que estava sendo desenvolvido não era um projeto de BRT. Eram corredores de ônibus com trechos de circulação exclusiva”.

Em janeiro, logo ao tomar posse, Felicio já determinara uma revisão no projeto de implantação do BRT, buscando identificar falhas nos estudos desenvolvidos pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e pela Fusp (Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo), contratadas pelo ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT).

Carona

Agora, em busca de baratear os custos da obra, o prefeito decidiu aproveitar a proposta de BRT do Governo do Estado, o projeto Trivale, ainda em fases de estudos por parte da EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano). Pela proposta do governo estadual, o Trivale (um sistema de média capacidade) fará a ligação entre as seis cidades da região, divido em 4 trechos: Jacareí-São José: 21,9 km; São José-Caçapava: 23,6 km; Caçapava-Taubaté: 22,1 km e Taubaté-Pindamonhangaba (incluindo Tremembé):17,3 km.

A ideia de Felicio Ramuth é compartilhar parte do recurso a ser investido pelo governo Geraldo Alckmin no corredor expresso metropolitano, visando reduzir o custo do projeto de BRT local. O governo Alckmin apresentou neste mês o esboço do Trivale, cujo projeto funcional foi concluído no fim do ano passado. Falta agora o governo definir a empresa responsável pela criação dos projetos básico e executivo do empreendimento.

Se a carona no Trivale de Alckmin, desejada pelo prefeito Felicio, vai dar certo, só o tempo dirá. Tempo que, até aqui, tem sido o maior inimigo do BRT de São José dos Campos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes