Greve de ônibus em Curitiba e região deve continuar nesta sexta-feira, 17

Sindicalistas fazem manifestação em frente da Urbs. Foto: Sindimoc

Sindicato dos motoristas e cobradores se reuniu com presidente da Urbs. Encontro no TRT deve tentar acabar com paralisação

ADAMO BAZANI

Passageiros de ônibus de Curitiba e região metropolitana podem enfrentar o terceiro dia de greve nesta sexta-feira, 17 de março de 2017.

O Sindimoc, sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus, decidiu manter a paralisação que começou na quarta, dia 15, com adesão ao dia nacional de protestos contra a reforma da Previdência.

Nesta quinta e sexta o motivo da manifestação é o pedido de aumento de 15% nos salários por parte do sindicato.

As empresas de ônibus, alegando prejuízos financeiros por desequilíbrio entre a demanda de passageiros projetada pela Urbs – Urbanização de Curitiba S.A,  gerenciadora do sistema, e a demanda real aferida nas catracas, oferecem 5,43% referentes ao INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, acumulado desde fevereiro do ano passado, quando houve o último reajuste salarial.

O presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, outros representantes do sindicato, o presidente da Urbs, José Antônio Andreguetto, e o diretor da autarquia, Antônio Carlos Araújo, se reuniram na tarde desta quinta-feira.

O sindicato quer apoio da Urbs para acelerar as negociações, mas autarquia informou que não pode interferir numa relação entre empresas e empregados.

O dirigente sindical, em entrevista logo após o encontro, disse que ficou preocupado com o que ouviu da Urbs sobre a situação financeira do sistema.

“Saímos preocupados com o que nos foi apresentado pela Urbs. Foram nos passadas informações financeiras que deixam claro que teremos problemas pela frente. Permanecemos em greve e cumprindo a decisão judicial” – disse Teixeira.

A justiça determinou 50% de frota dos ônibus em operação em Curitiba e região metropolitana nos horários de pico e 40% das demais horas, no entanto, de acordo com a Urbs, apenas 37% dos ônibus circularam por volta das 17h30. Já a Comec,  que cuida dos ônibus metropolitanos, disse que os percentuais foram atendidos.

Em nota da Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura, o presidente da Urbs descartou novos aumentos de tarifa para reposição salarial dos trabalhadores.

No reajuste da tarifa ao passageiro no começo do ano, a URBS considerou todas as despesas previstas para o decorrer do período de fevereiro de 2017 a fevereiro de 2018. “A composição foi para reequilibrar econômica e financeiramente o Fundo de Urbanização, que remunera as empresas contratadas, evitando a continuidade de greves e paralisações por falta de pagamentos como as que ocorreram ao longo de 2016 e inicio de 2017. Agora, descartamos qualquer repasse acima do que foi projetado disse Andreguetto.

Para a reposição do aumento salarial da categoria de motoristas e cobradores, foi projetado 6%. Esse aumento precisa ser pago retroativo a data-base da categoria, que é 1º de fevereiro, e para fazer frente a esta despesa, a URBS precisou reajustar o valor da tarifa ao passageiro antes do acordo salarial, Todos os anos foi feito dessa maneira.

A Urbs ainda informou que o reajuste tarifário de 6 de fevereiro, quando as passagens subiram de R$ 3,80 para R$ 4,25, “também prevê a reposição da frota de 270 ônibus com vida útil vencida, aquisição de 24 novos biarticulados para implantar o novo eixo do ligeirão Santa Cândida – Capão Raso, reequilíbrio de custos de insumos como combustível, lubrificantes, pneus e outros.”

As empresas de ônibus dizem que não querem outro aumento diretamente para os passageiros, mas sim a readequação da tarifa técnica, conforme previsto em contrato.

A passagem nas catracas aumentou, mas as companhias continuam recebendo R$ 3,66 por passageiro transportado. Estudo encomendado pelas empresas de ônibus mostram a necessidade de uma tarifa técnica de R$ 4,57 para cobrir os custos.

O sistema de Curitiba é um dos poucos no Brasil no qual a tarifa paga pelos passageiros é maior do que a remuneração por pessoa transportada. Em grandes sistemas, como da cidade de São Paulo, por exemplo, asa operações recebem subsídios para as gratuidades e outros benefícios, com a integração pelo Bilhete Único.

A Urbs diz que só vai definir a tarifa técnica quando houver a decisão de qual índice de reajuste a ser aplicado nos salários e benefícios dos trabalhadores.

As companhias de ônibus dizem que a média de passageiros transportados entre março de 2016 e fevereiro de 2017 foi de 16,5 milhões pessoas por mês.

Segundo ainda as empresas de ônibus, como a Urbs – Urbanização de Curitiba S. A., gerenciadora do sistema, havia projetado uma média mensal de R$ 17, 6 milhões, houve um déficit de 1,1 milhão no número de passageiros,  o que, de acordo com os empresários, resultou em prejuízo de R$ 50 milhões às viações.

A remuneração das empresas leva em conta número de passageiros transportados, viagens realizadas, entre outros fatores. Ao tentarem demonstrar que têm transportado menos pessoas, as empresas querem uma tarifa técnica maior. Quanto mais pessoas transportadas, entre mais pessoas será a divisão dos custos e menor será a tarifa técnica unitária.

Na tarde desta sexta-feira, empresas de ônibus e sindicato devem se reunir no Tribunal Regional do Trabalho para tentarem um acordo e, assim, colocar fim definitivamente à greve.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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