Ônibus transportam mais passageiros em 2016 e Metrô e CPTM perdem usuários

ônibus Crise afugentou passageiros de Metrô e CPTM, mas não de ônibus

Crise econômica foi o principal fator, segundo governo do Estado nos transportes de trilhos.

ADAMO BAZANI

Os ônibus municipais em São Paulo transportaram mais pessoas em 2016 que em 2015. É o que revela relatório de demanda da SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema da Capital Paulista.

Segundo os dados, em 2016, foram registradas 2 bilhões 915 milhões 278 mil 484 entradas de  passageiros no sistema. Em 2015, foram 2 bilhões 895 milhões 708 mil 458.

No período, as empresas do subsistema estrutural, que operam ônibus e linhas maiores, tiveram alta no número de passageiros, passando de 1,666 bilhão de registros, em 2015, para 1,671 bilhão, em 2016.

Já as empresas do subsistema local, que tiveram origem nas cooperativas, tiveram elevação de 1,229 bilhão de registros de passageiros, em 2015, para 1,244 bilhão, em 2016.

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O sistema de trilhos, por sua vez, perdeu passageiros na região metropolitana, tanto o Metrô de São Paulo como a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

Na CPTM, deixaram de circular pelos trilhos 12 milhões de pessoas entre 2015 e 2016, redução de 1,4%. Em 2016, o total foi de 819,4 milhões de registros.

Já o Metrô perdeu em 2016, 0,9% de sua demanda, passando de 1,11 bilhão, em 2015, para 1,107 bilhão de registros de passagens. É a primeira queda depois de 12 anos registrando elevações consecutivas.

Os resultados interferem diretamente na queda da arrecadação das companhias metroferroviárias.

O Governo do Estado de São Paulo atribui os resultados à crise econômica que gerou desemprego e, com isso, menos pessoas se deslocam habitualmente.

Mas o sistema de ônibus está no mesmo contexto de crise e, mesmo assim, transportou mais pessoas.

Assim, pode ter havido também uma migração dos trilhos para os ônibus. Superlotação dos trens e metrô, panes nas linhas da CPTM e do Metrô, e um aumento, mesmo que tímido, da velocidade operacional dos ônibus, em especial após a implantação de mais faixas, uma das políticas da gestão passada, de Fernando Haddad, podem ter ajudado neste resultado.

Em três meses, a gestão Doria não inaugurou nenhuma faixa de ônibus. Pelo contrário, tirou a exclusividade dos coletivos no viaduto da Avenida Nove de Julho, Centro, e estuda fazer o mesmo na Avenida Giovanni Gronchi, na região do Morumbi – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/02/14/prefeitura-de-sao-paulo-pode-liberar-faixa-de-onibus-da-giovanni-gronchi-para-carros/

Entretanto, a administração Doria pretende ampliar dos atuais 130 km para 344 km o total de corredores de ônibus, grande parte seria BRT – Bus Rapid Transit, estruturas mais adequadas. Entre os planos está a criação do sistema de ônibus expressos e semi expressos denominado Rapidão: https://diariodotransporte.com.br/2017/02/16/prefeitura-de-sao-paulo-apresenta-plano-para-344-km-de-corredores-de-onibus/

Além, da melhoria dos serviços de trens e metrô, a expansão da rede é considerada essencial para que os trilhos, apontados como principal solução de transportes para a cidade, a expansão da malha deve atrair mais pessoas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes