Volvo deve investir R$ 1 bilhão América Latina pelos próximos três anos

Vendas de ônibus para o mercado externo ajudaram a diminuir os impactos da crise brasileira

Em balanço, montadora admite crise, mas destaca que cresceu a participação no mercado em diferentes segmentos, como de ônibus

ADAMO BAZANI

A montadora de ônibus e caminhões Volvo anunciou que até 2020 deve investir R$ 1 bilhão, aproximadamente US$ 330 milhões na América Latina. Em torno de 90% desse valor devem ser aplicados no Brasil para o desenvolvimento de novos ônibus e caminhões e modernização da fábrica.

O plano anterior da montadora que terminou no final do ano passado previa investimentos e US$ 500 milhões.

Apesar das cifras menores, a Volvo acredita em recuperação econômica, mesmo que gradual.

A empresa diz que manteve o equilíbrio dos negócios da América Latina. Os efeitos da crise econômica brasileira foram compensados de certa maneira pelas vendas na região hispânica da América Latina.

Em nota, a Volvo fala sobre segmentos diferentes, como de ônibus, caminhões pesados e financiamentos:

Os negócios tiveram desempenho moderado, mas também com alguns resultados positivos. Em caminhões, por exemplo, a Volvo foi a marca que mais cresceu no continente. No Brasil, o FH foi líder de vendas no segmento de pesados.

 “Foi um ano difícil. Mas equilibramos nossos resultados na região, crescendo na América Latina e fazendo a lição de casa no Brasil”, declara Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina.

 A Volvo Bus Latin America também teve bons resultados, ganhando participação de mercado em ônibus rodoviários e urbanos no Brasil e ainda teve uma boa performance na exportação.

 No segmento de ônibus rodoviários e urbanos, a Volvo conseguiu aumentar seu market share, passando de 9,3% para 9,5%, uma ligeira mas importante expansão num mercado instável. As exportações, tradicionalmente muito importantes para a Volvo Bus, alcançaram mais da metade das vendas e contribuíram para sustentar os negócios como um todo.

 Braço financeiro do Grupo Volvo, a Volvo Financial Services Brasil bateu mais uma vez o recorde de vendas em consórcio, alcançando a casa de R$ 1,15 bilhão. O consórcio é um produto que vem ganhando importância, porque o transportador pode fazer a renovação de sua frota de forma planejada. Em 2016, a VFS ainda aumentou sua participação dos financiamentos de produtos da marca no País, com aproximadamente 50% do total.

 A Volvo Penta também teve um bom desempenho, mantendo a liderança no segmento de motores marítimos de lazer. A empresa expandiu sua atuação em motores industriais para geração de energia, aumentando a participação nessa área, incluindo novos mercados e promovendo a nacionalização do motor de 13 litros.

 

“Mantivemos em 2016 nossa posição de liderança em segmentos importantes, mesmo num ambiente econômico muito difícil e de forte retração. Mantemos nossa confiança no mercado e continuamos investindo em produtos e soluções que garantam eficiência de transporte e contribuam para o sucesso dos negócios dos nossos clientes”, afirma o presidente.

EXPORTAÇÕES SALVARAM ÔNIBUS:

Assim como nos demais segmentos, as exportações foram fundamentais para o mercado de ônibus da Volvo:

A Volvo Bus Latin America conseguiu um ligeiro crescimento em seu market share no Brasil no ano passado, mesmo num cenário econômico de grandes dificuldades. A marca saltou de 9,3% para 9,5% de participação de mercado nos segmentos de ônibus urbanos e rodoviários. A empresa também registrou expansão nos negócios em alguns importantes países da região hispânica.

 “2016 foi um ano de transição. Esperamos que a economia brasileira reaja gradativamente a partir de agora”, afirma Fabiano Todeschini, presidente da Volvo Bus Latin America. Durante esse período, a vocação exportadora da Volvo na America Latina contribuiu para o equilíbrio do negócio.

 As exportações representam mais da metade dos negócios no ano passado. A Volvo avançou em alguns importantes mercados hispânicos, aumentando, por exemplo, sua participação em 65% no Peru, alcançando inéditos 30% de market share no segmento de ônibus rodoviários naquele país. “A cada três chassis vendidos no Peru, um é da Volvo”, comemora Todeschini. Na Colômbia, outro importante mercado na região, a Volvo cresceu 20% e atingiu 17% de market share também com ônibus rodoviários.

 Atualmente, as exportações correspondem a 53% das vendas da Volvo na América Latina. “As vendas externas foram muito importantes para equilibrarmos nossos negócios e compensar a queda no mercado doméstico. Este ano, esperamos fazer novas vendas externas, principalmente na América Central, onde existe a possibilidade de negócios com volumes maiores”, informa o presidente.

Para 2016, a previsão é de que em todo mercado, o segmento de ônibus tenha crescimento de 10% a 15%.

A montadora com sede em Curitiba opera hoje com 60% de ociosidade e espera vender 700 ônibus rodoviários e urbanos em 2017, ante 644 no ano de 2016. A venda de caminhões pesados e semipesados voltou para os patamares de 2012, chegando no ano passado a 29 mil e 600 unidades. A expectativa é que em 2017 haja um aumento de 10% nas vendas totais de caminhões.

Futuramente, a Volvo não descarta apresentar no Brasil ônibus e caminhões autônomos ou semiautônomos que operam independentemente da ação total do motorista.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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