ENTREVISTA: Dono de empresa que teve 21 ônibus queimados acredita em incêndio criminoso

Parte da frota destruída. Prejuízo é de em torno de R$ 6 milhões.

Veículos da Viação Mimo foram destruídos em garagem de São José dos Campos. Caso aconteceu dois dias antes de a empresa assumir contrato com a Queiróz Galvão

ADAMO BAZANI

A direção da Viação Mimo, empresa de fretamento que atua no Estado de São Paulo e que teve 21 ônibus destruídos num incêndio na garagem filial de São José dos Campos, interior paulista, diz não ter dúvidas de que houve um ato criminoso.

O incêndio ocorreu na segunda-feira desta semana, 13, e durou mais de duas horas. Dez viaturas e 30 homens do Corpo de Bombeiros foram mobilizados.

Em entrevista ao Diário do Transporte na manhã desta quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017, o proprietário da empresa, Cláudio Moreira, afirmou por telefone que o incêndio ocorreu dois dias antes de a companhia assumir um importante contrato de transportes de funcionários na região.

“Hoje começaríamos a prestar serviços para a Queiroz Galvão. Vencemos uma concorrência de tomada de preços para esse transporte. Desde que tínhamos ganhado essa concorrência, começamos a sofrer ameaças. Nosso gerente comercial, por exemplo, chegou a ser ameaçado de morte” – relata o empresário.

Uma outra empresa que antes prestava serviços para Queiroz Galvão não teve o contrato renovado.

Segundo ainda Cláudio Moreira, a perícia esteve no local e encontrou um coquetel molotov que foi jogado entre os 21 veículos. Pela posição que foi encontrado, o artefato teria sido lançado a partir dos fundos da garagem.

O empresário de ônibus também disse que espera da polícia uma atuação mais firme.

Segundo Moreira, o delegado responsável pelas investigações disse que a própria empresa tinha de ajudar a angariar todos os materiais possíveis para elucidar o caso porque a delegacia não tinha toda estrutura de investigar o fato.

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Coquetel molotov teria sido lançado pelos fundos da garagem

A Viação Mimo calcula que o prejuízo foi em torno de R$ 6 milhões.

Os 21 ônibus destruídos foram fabricados entre os anos de 2013 e 2015 e a empresa ainda estava pagando o financiamento dos veículos, que não possuíam seguro.

Adamo Bazani jornalista especializado em transportes