Subsídios para sistema de ônibus vão precisar de R$ 3,3 bilhões em 2017, de acordo com a SPTrans

Publicado em: 4 de janeiro de 2017

São Paulo terá menos viagens de ônibus

Dado faz parte de um relatório da gerenciadora publicado nesta terça-feira. Frota vai diminuir, mas lucro dos empresários vai aumentar

ADAMO BAZANI

Congelar a tarifa de ônibus em São Paulo vai custar muito mais do que se imaginava.

Um relatório da SPTrans – São Paulo Transporte prevê a necessidade de um total de R$ 3,3 bilhões para subsidiar o sistema de ônibus da capital paulista.

O documento já projeta um impacto desse congelamento da tarifa básica e o reajuste das integrações. O valor é 26% maior do que o que foi gasto em 2016 – R$ 2,6 bilhões e praticamente o dobro da verba de R$ 1,75 bilhão reservada no orçamento da prefeitura para 2017, que estimava um aumento do valor das passagens.

Os dados foram trazidos pelos jornalistas  Bruno Ribeiro e Fábio Leite de O Estado de São Paulo e confirmados nesta manhã pelo Diário do Transporte 

Em um ano, o custo de operação dos ônibus municipais subiu 16,2% chegando hoje a R$ 6,64 por passageiro.

Este número leva em conta que 75% dos passageiros pagam a tarifa, dos quais desse total, entretanto, 25% pagam com desconto, como, por exemplo, os estudantes que contam com meia tarifa. Os outros 25% dos passageiros como estudantes com passe livre, idosos, portadores de deficiência e algumas classes trabalhistas contam com gratuidade total.

PARTICIPAÇÃO DA PREFEITURA:

A participação da prefeitura no custeio dos transportes vai aumentar neste ano de 2017. Em 2016, era de 31% e agora, neste ano, será 40%, o que significa R$ 75 milhões a mais dos cofres públicos para o sistema.

Contando com as integrações, o valor médio gasto por cada passageiro em 2017 será de R$ 3,19, o valor consegue bancar 48% do custo total, outros 10% são pagos pelos empregadores que compram vale-transporte e 2% vêm de receitas extra tarifárias.

Atualmente, 24,6% dos passageiros não pagam tarifa, contando com os idosos com idades entre 60 e 64 anos, que Doria inicialmente pretendia retirar o benefício. Sendo assim, a gestão municipal vai ter de financiar R$ 2,67 por passageiro transportado. Isso significa um gasto de R$ 227,7 milhões por mês de subsídio direto por passageiro. Se for contada a infraestrutura do sistema e manutenção, como de terminais, o valor sobe para R$ 275,5 milhões.  Para comparação: Em 2017, o subsídio por passageiro será de R$ 2,67, em 2016, foi de R$ 1,76.

O QUANTO SERIA PELA INFLAÇÃO E O QUANTO SERIA SEM GRATUIDADES:

O relatório também mostra que se não houvesse gratuidade e as integrações fossem pagas, a tarifa hoje seria por passageiro de R$ 2,83. Se fossem mantidas as mesmas gratuidades e integrações do ano passado, havendo a correção pela inflação, hoje a passagem seria de R$ 4,06.

FROTA SERÁ MENOR E LUCRO DAS EMPRESAS SERÁ MAIOR:

O relatório ainda mostra estimativa para 2017 de retirada de cem ônibus da frota, passando para a pouco menos de 14,7 mil. O número de viagens também será reduzido de 243,8 milhões por mês para 239,6 milhões. No entanto, o lucro dos donos de empresas de ônibus vai passar a de 5,1% para 5,6% neste ano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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