Lente de contato pode ser a resposta para carros e ônibus elétricos
Publicado em: 6 de dezembro de 2016
Pesquisadores da Inglaterra desenvolveram um polímero que pode melhorar desempenho de supercapacitores
ADAMO BAZANI
Com agências internacionais
Hoje uma das grandes ressalvas que se faz em relação a carros e ônibus elétricos, além do custo inicial dos veículos, é autonomia e o tempo de recarga das baterias. Mas a solução pode estar na vista, sem trocadilhos.
É que pesquisadores Universidade de Surrey, Inglaterra, criaram um polímero que pode fazer com que haja melhora significativa no desempenho dos supercapacitores, que são componentes eletrônicos leves que armazenam e distribuem grandes volumes de energia.
Um veículo pode receber uma carga de energia para operar por cem quilômetros em questão de segundos
O plástico foi desenvolvido a partir da tecnologia das lentes de contato moles.
O segredo está na capacidade de transmissão do material. A pesquisa mostrou que o material pode ampliar a densidade energética dos supercapacitores entre 1.000 e 10.000 vezes.
À Bloomberg, Donald Highgate, 76 anos, que ajudou a comercializar a tecnologia das lentes de contato moles nos anos 1970, disse que no futuro, os supercapacitores poderão operar sozinhos para criar veículos elétricos que percorram distâncias similares às dos carros movidos a gasolina ou ônibus a diesel.
A tecnologia já foi testada no Departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade de Bristol, Inglaterra. Um dos participantes dos testes, Ian Hamerton, se mostrou otimista.
“Acreditamos que se trata de um avanço extremamente animador, um possível divisor de águas”
Segundo ainda a Bloomberg, em 2011, o fundador da Tesla Motors, Elon Musk, já havia dito que a evolução dos veículos elétricos está mais associada aos supercapacitores que às baterias.
Os supercapacitores já oferecem doses de energia para ajudar a impulsionar trens e ônibus em algumas partes do mundo.
As pesquisas anteriores se concentraram em melhorar a área das superfícies dos eletrodos, mas esta atual quis substituir o material usado como eletrólito.
O resultado mostrou que o material pode aumentar a densidade energética dos supercapacitores entre 1.000 e 10.000 vezes.
Os supercapacitores atuais têm densidade energética de cerca de 5 watts-hora por quilo, contra 100 watts-hora das baterias de íon de lítio, as mais normalmente usadas nos veículos elétricos.
Os carros movidos à gasolina têm uma densidade energética de 2.500 watts-hora por quilo.
“Se for 1.000 vezes mais poderoso, dá para usar nos ônibus”, disse à agência, Jim Heathcote, CEO da Augmented Optics, empresa de capital fechado com sede em Royston, Hertfordshire, Inglaterra. “Se chegar a 50 watts-hora, faria transporte em geral. Qualquer coisa acima disso é fantástico. Se isso se traduzir em algo 10 vezes melhor, ainda assim será ótimo.”
Diante do sucesso da pesquisa, investidores e estudiosos que participaram do desenvolvimento podem criar uma fábrica no Reino Unido com a tecnologia. Os investimentos iniciais devem ser de US$ 32 milhões
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


