História

HISTÓRIA: Bossa Nova, sinônimo de evolução, de inovação

Caio Bossa Nova conviveu com diversos modelos e conseguiu fatias importantes de mercado

E isso não foi apenas na música. No mundo dos transportes, também

ADAMO BAZANI

Bossa Nova é a cara do Brasil! O estilo musical que surgiu no final dos anos de 1950, mas que tem origem em 1930, é uma das características da musicalidade e também do estilo brasileiro de empregar o que é melhor do próprio país e do mundo e dar uma cara nova.

O movimento oficialmente foi lançado por artistas como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e chegou a ser considerado uma reformulação estética dentro do moderno samba carioca urbano. Mas foi bem mais que isso e teve influências do Samba, Jazz, Choro, Pop, Blues e até da Moda de Viola.

Sucessos como “Garota de Ipanema”, composto em 1962 por Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim, logo influenciaram artistas e estilos e ficavam conhecidos internacionalmente.

O nome do movimento musical também faz parte da história dos transportes.

Aproveitando o sucesso das composições e o que significavam, a Caio – Companhia Americana Industrial de Ônibus, localizada à época na Capital Paulista, lançou em 1960 o modelo Bossa Nova, que já tinha apresentação em 1959.

Modelo era inovador e logo chamou a atenção em eventos automotivos

Modelo era inovador e logo chamou a atenção em eventos automotivos

E se Bossa Nova representou inovação e uma nova página na história da música, nos transportes não foi diferente.

O modelo foi a primeira carroceria com estrutura chamada de tubular da companhia, sendo feita com chapas estampadas em U, o que facilitava a produção e a manutenção.

Esteticamente e funcionalmente também trazia novidades: As janelas eram mais largas no lugar dos vidrinhos quadrados dos modelos anteriores. Os para-brisas eram panorâmicos para os padrões da época e a abertura por sistema de guilhotina nas laterais das janelas dava lugar aos vidros deslizantes.

As colunas eram  inicialmente retas, mas depois ficaram inclinadas nos modelos mais recentes para acompanhar o padrão estético da época.

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Em suas diversas versões e aplicações, o Bossa Nova agradou diferentes sistemas de transportes. Na ordem, Empresa Auto Ônibus Alto do Pari (São Paulo,SP), Viação Padroeira do Brasil (Santo André,SP) e Viação Joana D´arc (Colatina, ES)

Em suas diversas versões e aplicações, o Bossa Nova agradou diferentes sistemas de transportes. Na ordem, Empresa Auto Ônibus Alto do Pari (São Paulo,SP), Turi Transportes (Rio de Janeiro, RJ), Viação Padroeira do Brasil (Santo André,SP) e Viação Joana D´arc (Colatina, ES)

E como é o brasileiro, o Bossa Nova não poderia deixar de ser flexível.

O ônibus foi encaroçado sobre os mais diversos chassis disponíveis na época, como Mercedes-Benz, FNM e até plataformas de caminhões Ford.

Além disso, o Bossa Nova é contemporâneo ao início da produção mais profissionalizada de trólebus no Brasil, com destaque para companhias como a Villares e Ansaldo.

Assim, sistemas de transportes como de São Paulo, São Carlos, Araraquara, Belo Horizonte e Recife, receberam trólebus com carroceria Caio Bossa Nova.

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Já na busca das cidades por um transporte mais limpo, silencioso e eficiente, Bossa Nova marcou a geração nacional de trólebus dos anos de 1960.

Já na busca das cidades por um transporte mais limpo, silencioso e eficiente, Bossa Nova marcou a geração nacional de trólebus dos anos de 1960.

O modelo urbano, mas que também era empregado nas estradas, também inspirou o ônibus rodoviário Caio Papa-Léguas, uma carroceria tipo Monobloco com mecânica GM Coach, desenvolvido a pedido da Expresso Brasileiro Viação Ltda, uma das maiores empresas de transportes rodoviários que operava a importante linha Rio-São Paulo e precisava dar continuidade ao sucesso dos seus ônibus norte-americanos importados GM ODC 210 que já sentiam o peso do tempo.

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Bossa Nova "emprestou" componentes para o luxuoso Caio Papa-Léguas

Bossa Nova “emprestou” componentes para o luxuoso Caio Papa-Léguas

Vários componentes do Bossa Nova foram usados no Papa-Léguas . A plataforma era feita pela própria Caio. Somente a mecânica era GM.

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Versão rodoviária era requintada e chamava a atenção por onde passava, como essa unidade da Reunidas Paulista

Versão rodoviária era requintada e chamava a atenção por onde passava, como essa unidade da Reunidas Paulista

O Caio Bossa Nova é prova de que um sucesso chama o outro.  O modelo abriu o caminho para o Caio Jaraguá, outra inovação nos transportes cuja história você relembra aqui: https://diariodotransporte.com.br/2016/06/05/historia-caio-jaragua-o-marco-inicial-de-uma-trajetoria-de-sucesso/

As últimas unidades foram feitas em 1966.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Adamo parabéns por mais uma matéria aula sobre o buzão, é dessas que eu mais gosto.

    Eu não sabia que a Ipojuca fez a linha Lapa – Osasco, conforme a primeira foto, aprendi mais uma, legal.

    Fotos sensacionais, mas quanto ao da Joana D´arc, tenho dúvidas se é um bossa nova.

    Realmente a legítima Caio era sensacional, principalmente pelas formas arredondadas que dão um charme especial; lembrando que tudo era feito em metal, o que demonstra a união entre a capacidade técnica e artesanal.

    Lembro de um bossa nova da Viação Santa Amélia, com sua pintura verde amarela e vermelha à época, mas …

    Abçs,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  2. jair disse:

    Adamo parabéns

    Revivi meus 14 anos quando chegaram esses veiculos na Viação Brasilia, na linha Vila Ester (divisa entre Santana/Casa Verde/ Imirim) Paissandú/Av Rio Branco.
    E depois com 15 anos quando chegaram os FNM da CMTC na garagem Barra Funda (60 caio)
    Minha Paixão já era grande por transporte urbano e fiquei maravilhado com o desenvolvimento ocorrido depois do Bossa Nova, e também com a música.
    Muito obrigado

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