Para que veio o VLT? Uma análise sobre o Veículo leve sobre trilhos
Publicado em: 31 de outubro de 2016
ATILIO FLEGNER/Diário do Rio
O sistema VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, que foi implementado no Centro e Zona portuária do Rio, ainda não mostrou para que veio. Qual a sua função na rede de transportes do Rio de Janeiro? Inaugurado no dia 5 de Junho de 2016, o VLT transporta pouca gente, anda devagar e os intervalos são muito altos.
Ao custo de 1,2 bilhão de reais, por enquanto temos somente uma única linha de 6,5 Km de comprimento, ligando o Aeroporto Santos Dumont a Rodoviária Novo Rio. Inegável que é uma ligação importante, o VLT passa ainda pela AV. Rio Branco e também por toda a Zona Portuária, porém devido a uma falta de visão do contexto urbano e social do Rio, o VLT não se insere como modal de sucesso.
Cabe lembrar que essa não é a primeira experiência com VLT no Rio de Janeiro. No passado, o Rio possuiu uma rede de mais de 400Km de bondes urbanos, essa rede foi desmantelada nos anos 1960, sobrando apenas o bonde de Santa Tereza. Posteriormente, na década de 1970, foi implementado o primeiro VLT do Brasil, no leito que hoje corre a Linha 2 do metrô. O sistema inédito, chamado de pré-metrô e operado pela Companhia do Metropolitano, operou até meados de 2004, quando os VLT´s foram substituídos por composições de metrô. Infelizmente os bondes que trafegavam na Linha 2 estão todos abandonados bem em frente à prefeitura, aos olhos cegos do poder público. O VLT do pré-metrô podia transportar cerca de 650 passageiros, o VLT Carioca, apenas 420.
Em diversas cidades da Europa vemos o VLT trafegando nas ruas. Paris, Budapest, Berlin, são exemplos de cidade com esse sistema. Ocorre que aqui no Rio o custo por quilometro do VLT atingiu cifras estratosféricas. Quando a Linha 2 do VLT estiver pronta, teremos duas linhas, somando um sistema de 12,2 Km (A Linha 1 tem 6,5 Km e a Linha 2 compartilha parte dessa quilometragem, mas percorre 5,7Km em outros trilhos). O VLT custou 1,2 bilhão de reais, sendo assim o custo por Km foi de 98,3 milhões de reais.
É um custo muito elevado para transportar poucas pessoas. Estive na parada Santos Dumont do VLT Carioca e os bondes saiam a cada 15 minutos, um intervalo demasiadamente alto. Se o passageiro perder o VLT e seu destino for a Cinelândia, por exemplo, vale mais a pena ir a pé do que esperar longos 15 minutos pelo próximo VLT.
Com 15 minutos de intervalo, o VLT possui capacidade de transportar apenas 1680 passageiros/hora/sentido, equivalente a uma linha de ônibus, a título de comparação, uma linha de metrô custa entre 350 e 500 milhões de reais o Km, mas pode transportar 80 mil passageiros/hora/sentido. As promessas de retirar carros das ruas com o VLT não se concretizaram, bem como as linhas de ônibus retiradas da Av. Rio Branco, muitas tiveram que ser repostas.
O VLT é um modal interessante devido ao seu caráter silencioso e não poluidor, mas a sua implementação no Centro do Rio tem se mostrado desastrosa. Devido a erros construtivos no sistema de drenagem, quando chove, os trilhos do VLT acabam alagando, como mostra a imagem abaixo,
Recentemente saiu na imprensa o problema das obras paradas na região da Central do Brasil, trata-se do trecho da Linha 2 do VLT, que não tem previsão de entrar em funcionamento, inicialmente iria ser inaugurado em agosto, mas com o atraso o prazo foi modificado para final de 2016. A Linha 3 do VLT (que passaria na Av. Marechal Floriano) não possui previsão de sair do papel, as obras ainda não foram iniciadas.
Outro fator que tira a paciência dos usuários é a baixa velocidade média do modal. Na Av. Rio Branco, existem cerca de 15 cruzamentos e o VLT para em todos eles, a baixa velocidade média, aliado ao longo tempo de espera, fazem do VLT um modal nada recomendável para quem está com pressa. Infelizmente inauguraram o VLT sem antes acertar as questões relativas a preferência semafórica. Deve ser também o único VLT do mundo que trafega com motos a frente. Cena um tanto inusitada, para não dizer ridícula.
Pesa também contra o VLT o alto preço da tarifa em relação a pouca quilometragem que ele anda. Aqui no Rio o VLT custa R$3,80, mas o nosso salário mínimo é de 880 reais. Em Paris, onde o salário mínimo equivale a cerca de 5 mil reais, a tarifa de VLT custa o equivalente a R$6,45. Em Budapest capital da Hungria, conhecida por sua grande rede de VLT´s amarelos, o salário mínimo equivale a 1125 reais e a tarifa de bonde custa equivalente a R$3,85 (valores de cambio 25/10/2016). Ou seja, pelo salário mínimo que temos no Brasil as passagens deveriam ser bem mais baratas. No caso do VLT a falta de integração tarifária com outros modais, ainda prejudica o seu uso.
Infelizmente o VLT não possui transparência em passar seus números. Numa recente tentativa de saber quantos passageiros por dia o VLT Carioca está transportando, recebi um e-mail nada amigável do consórcio
Mesmo sendo um serviço público, construído com dinheiro público o consórcio diz que os dados são “confidenciais”. É muito frustrante conseguir acesso ao carregamento de VLT´s de várias partes do mundo, mas não ter acesso ao carregamento do VLT de sua própria cidade. O
O VLT, por se tratar de um serviço público, está sujeito as normas da Lei Lei Nº 12.527/ 2011, a Lei de Acesso a Informação. Cito ainda a Lei Nº 8.987/95 onde no Capitulo III, Artigo 7° item 2 diz o seguinte: “receber do poder concedente e da concessionária informações para a defesa de interesses individuais ou coletivos.
Esse modal VLT tem um contrato para lá de amigável, não com a população. Caso o consórcio não atinja um determinado número de usuários, a prefeitura entra com recursos públicos para cobrir o prejuízo. Se o calote dos passageiros for alto a prefeitura também injeta dinheiro no consórcio operador. A prefeitura ainda subsidia o modal. É como você ter uma loja e se não vender uma certa quantidade de produtos o governo vem e tira dinheiro de outras áreas para cobrir seu prejuízo, enfim, um ótimo negócio, não para a população.
Para o VLT ter alguma expressividade na rede de transportes metropolitanos do Rio, primeiramente ele deve satisfazer o princípio da transparência ao usuário, atualmente não temos acesso aos números da empresa. Posteriormente deve atender a requisitos básicos como capacidade de transporte (diminuindo intervalos), confiabilidade e tarifa acessível e integrada, fatores esses que infelizmente não são atendidos atualmente.
Atilio Flegner
Administrador do Movimento O Metrô que o Rio Precisa
Membro do Fórum de Mobilidade Urbana do Clube de Engenharia, administrador do movimento O Metrô que o Rio Precisa, estudante de Urbanismo e História, pesquisador sobre transportes, administrador da página História das Barcas e ciclista usuário de transporte público.





Atilio Fleger, boa noite.
Irreparavel o seu texto.
Esse e o famoso e conhecido Efeito Brasil.
O importante em qualquer modalidade do transporte coletivo no Brasil, NAO importa o sucesso para o passageiro contribuinte.
$O IMPORTA O $U$$E$$O PARA O$ ME$MO$.
No Brasil, so fazendo igual supermercado nos primeiros dias do ano novo.
FECHADO PARA BALANCO.
Zera tudo elimina no minimo 97% de todo e qualquer tipo norma ou legislacao E COMECA DO ZERO.
O Brasil fundiu, NAO DA MAIS RETIFICA.
Att,
Paulo Gil
VLT e nada mais nada menos que os antigos bondes, com trilhos reaproveitados, e vagões modernos, e SP isso foi retirado décadas atras, pra colocar carros nas ruas, vergonha.
Em Curitiba um dos candidatos queria trocar o BRT por esse VLT, ainda bem que não ganhou, nada contra o modal, acho que cada meio de transporte tem seu espaço, local e demanda, mas trocar um modal que já não é tão rápido, por um sistema conhecido pela lentidão, não seria coerente.
Complementando.
O pre metro inutilizado e um forte agravante.
Negar informacao e ilegal e nao se pode alegar desconhecimento de nenhima lei.
Inclui-se ai nesta situacao lamentavel o Aerotrem de Sampa, o VLT de Cuiaba e a Ferro Norte.
Haja peroba nesse pais, a unica cara de pau que nunca estara em extincao.
Att,
Paulo Gil
Rodrigo Santos, bom dia.
De pleno acordo, trocaram 6 por meia duzia.
BRASILLLLLLLLLL
Abcs,
Paulo Gil
Fui ao Rio durante os jogos olimpicos e utilizei o VLT, ou melhor, tentei. Foi em um domingo, demorou a passar, o trajeto foi feito com muita lentidão. Houve problema com as portas, pois como o trem estava lotado, as pessoas seguravam a porta para poderem entrar. O trem ficou cerca de 05 minutos parado para resolver o problema. Para não me atrasar desci e fui de taxi. A ideia é boa, mas o planejamento foi errado talvez.Não há segregamento da via, as paradas são muito próximas uma da outra, o intervalo é muio longo o que gera outro problema, a superlotação. Enfim, com R$ 1,2 bi poderiam haviam outras opções mais adequadas a realidade carioca do que esse VLT.
Semana passada andei no VLT de Santos.
As constatações deste Administrador do Movimento carioca pendem forte para os pontos negativos, mas basicamente há consistência.
Para operarem com eficácia, VLTs precisam de segregação e cruzamentos devem ser não apenas evitados, mas tanto quanto possível suprimidos.
Bons projetos arquitetônicos (senão fica horrível e “cortando” bairros ao meio) são necessários pra isto, em nome de boas velocidades médias.
Critica a intervalos grandes não se sustenta: é questão de se ter mais trens.
Não conheço VLT do Rio, mas o conforto, silêncio interno, aceleração, frenagem, portas, ar condicionado do santista são ótimos.
Luiz Vilela, boa noite.
Infelizmente aqui no Brasil, segregacao de vias e supressao de cruzamentos em VLT, Corredor e BRT ainda nao fazem parte das especificacoes.
Muito menos o “Y” no Aerotre.
Nem imagino se isso um dia se torne realidade.
Abcs,
Paulo Gil
O custo de construção da linha vermelha e verde foi de € 728 mi (R$ 2,92 bi)
***Detalhe:
Linha Vermelha: 20,7 km
Linha Verde: 24,5 km
https://en.wikipedia.org/wiki/Luas