Doria ignora gratuidades para prometer congelamento de tarifa de ônibus

Conta do sistema de transportes não fecha

Os R$ 550 milhões apontados como necessários pelo prefeito eleito são referentes apenas ao percentual de reajuste que deveria ser aplicado, mas não contemplam o aumento de gastos algo que, segundo a equipe de Doria, é Haddad que deve resolver

ADAMO BAZANI

Por várias vezes, o prefeito eleito de São Paulo, João Doria disse que para manter a tarifa de ônibus congelada em R$ 3,80 no ano que vem, serão necessários até R$ 550 milhões a mais nos subsídios aos serviços de ônibus. Antes o valor anunciado era entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões.

Entretanto, esta conta só leva em consideração o percentual de reajuste que seria necessário sobre o custo atual estimado dos transportes por ano, que é de R$ 7,5 bilhões e desconsidera o valor dos custos por causa da ampliação de benefícios, como gratuidade para estudantes que tiveram benefício integral, idosos que começaram a contar com a passagem livre a partir dos 60 anos e não mais 65 anos, e o congelamento do Bilhete Único nas modalidades diária, semanal e mensal. Estes benefícios representam impacto de mais R$ 650 milhões.

Assim, seriam necessários mais R$ 1,2 bilhão aos subsídios, além de R$ 1,79 bilhão previsto no Orçamento da Prefeitura para 2017. Mais que o dobro dos R$ 550 milhões projetados por Doria.

E mesmo assim, a conta é conservadora porque o custo de transportes de São Paulo na prática será maior que os R$ 7,5 bilhões.

Para se ter uma ideia, o valor de R$ 1,794 bilhão de subsídios que deveria durar todo este ano, acabou na segunda semana de setembro, conforme adiantou Diário do Transporte. – Relembre em: https://diariodotransporte.com.br/2016/09/19/valor-de-subsidio-aos-transportes-de-sao-paulo-previsto-para-todo-ano-acaba-nesta-semana/

O secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, calculou então que o custo dos subsídios neste ano seria de R$ 2,4 bilhões. A conta agora está em R$ 2,65 bilhões.

Assim entre o subsídio projetado em 2016 para o custo real, há um rombo de R$ 1 bilhão aproximadamente.

Em 2017, o buraco deve ser até maior. O subsídio projetado também é de R$ 1,7 bilhão, mas empresários do setor e técnicos da própria SPTrans – São Paulo Transporte dizem que a diferença entre o arrecadado nas catracas e os custos o sistema deve chegar a R$ 3 bilhões, havendo um buraco de 1,3 bilhão.

HADDAD QUE SE VIRE:

Mas sobre o fato de Doria praticamente ignorar o peso por causa das gratuidades a mais, a equipe do prefeito eleito joga as responsabilidades sobre as costas do prefeito atual, Fernando Haddad.

Em entrevista aos repórteres Bruno Ribeiro Juliana Diógenes, do jornal Estado de São Paulo, o chefe da equipe de transição de Doria, Júlio Semeghini, disse que este problema é de Haddad e deve ser resolvido ainda na atual gestão.

“Pega 7% de R$ 7,5 bilhões (o custo total do transporte). Dá exatamente os R$ 500 e poucos milhões (que Doria admite precisar para cumprir a promessa). O resto é problema do prefeito (Haddad). É a Prefeitura que está trabalhando e eles que estão tentando resolver. Estamos acompanhando para ver como eles vão resolver ..  Qual é o tamanho do problema dos benefícios para o ano que vem? R$ 1,3 bilhão. Está sendo discutido de que maneira isso será resolvido … O que tem de ser resolvido são os (cerca de) R$ 600 milhões, que são fruto dos outros benefícios dados em 2015, começo de 2016, que o prefeito (Haddad) está tentando achar uma forma de resolver” – disse Semeghini.

O coordenador de transição disse também que ainda não há um Plano B para o caso de Haddad não conseguir apresentar formas para manter as gratuidades.

Segundo Semighini, neste caso, o caminho seria discutir com as empresas de ônibus alternativas como melhoria na eficiência e redução de custos. O político, entretanto, descartou que Doria deve propor a redução da frota de ônibus ou linhas para diminuir os gastos.

Esta proposta foi levantada pela SPTrans para este ano. De maneira informal, sindicato das empresas de ônibus, donos das empresas que surgiram das lotações e sindicato dos trabalhadores já foram consultados sobre o tema, mas se mostraram contrários à ideia de redução de 5% na frota operante, o que significaria 736 ônibus a menos nas ruas. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/25/paulistanos-podem-perder-736-onibus-por-causa-de-dividas-da-prefeitura-com-sistema-de-transportes/

Uma das alternativas apresentadas pelas empresas de ônibus seria a retirada dos cobradores do sistema.

Segundo as viações, os trabalhadores representam um custo de R$ 1 bilhão por ano nos serviços. A medida, ainda de acordo com a posição das empresas, não faria tanta diferença para a população, já que 96% das passagens são pagos por meio de bilhetagem eletrônica.

No entanto, uma decisão judicial amparada em lei municipal proíbe a retirada dos trabalhadores. Além disso, o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo – Sindimotoristas diz que haverá protestos caso a prefeitura insista em retirar os cobradores.

Uma das propostas de João Doria na campanha, chamada de Rapidão, prevê ônibus sem cobrador nos cobradores. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/13/doria-deve-travar-queda-de-braco-com-cobradores-em-corredores-de-onibus/

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Joao Luís Garcia disse:

    Em um País sério a atual Gestão seria condenada pelo TCM antes de conceder as gratuidades, estender a mais tantas ja existentes.
    O que vemos hoje e a consequência de um Governo populista aonde primeiro concede-se depois estuda-se como e de onde tirarão os recursos para custear.
    E o Sr João Doria, caminha para o mesmo erro, pois prometeu em sua campanha eleitoral não reajustar o transporte público e pelo visto não tinha realizado nenhum estudo anterior sobre o assunto e o que é pior, a sua atitude acabará por ocasionar um caos no setor pois outras Capitais e Municípios serão pressionados pela opinião pública a não reajustarem a tarifa, lembrando que o subsídio não existe em todas as cidades, logo como será possível?
    A queda de passageiros em alguns municípios chega a 20%, os custos operacionais continuam subindo.
    O que veremos será o caos no setor.

  2. Marcos disse:

    Gosto bastante de ler seu blog. No entanto tenho notado uma falta de imparcialidade política nos textos, o que me deixa um pouco desmotivado para a leitura!

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