Radial confirma que ficará por 20 meses operando linhas da CS Brasil

Ônibus da Radial, que aumenta participação na região de Suzano e Mogi das Cruzes

Viação já assumiu. Aproximadamente 200 ônibus da empresa do Grupo JSL estão sendo utilizados por comodato. Licitação pode trazer surpresas

ADAMO BAZANI

A Radial Transporte empresa que assumiu no último domingo, 35 linhas da CS Brasil, do Grupo JSL, na Área 4 da EMTU confirmou que vai continuar as operações por 20 meses, prazo de prorrogação do contrato do governo do estado com consórcio Unileste até a realização de nova licitação na Grande São Paulo.

A Área 4 envolve os municípios de Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Suzano.

A CS Brasil fazia parte do Consórcio Unileste, agora liderado pela Radial Transporte. A empresa do Grupo Júlio Simões decidiu se retirar das operações por achar que o contrato não traria mais vantagens econômicas financeiras.

Em nota, respondendo os questionamentos do Diário do Transporte, a Radial informou que utiliza por comodato os ônibus da CS Brasil. Os cerca de 400 funcionários que optarem por permanecer nas linhas vão ser contratados e os veículos receberão identificação da nova empresa.

 

“Na madrugada de sábado (22) para domingo (23),  00h00, a Radial passou a operar as linhas intermunicipais EMTU, operadas CS Brasil e Julio Simões, face a prorrogação de até 20 meses do contrato de concessão. Antes disso a Radial operava 14 linhas intermunicipais da EMTU.

Não haverá nenhuma mudança, em linhas, itinerário, frota ou quadro funcional.

Os ônibus são os mesmos que eram utilizados antes da transferência, no total de 200, que estão em sistema de comodato, e sim, gradualmente serão identificados como Radial.  Não serão adicionados carros extras.

A garagem da CS Brasil não será aproveitada, os ônibus já estão sendo alocados nas nossas garagens de Ferraz e Suzano.

Os cerca de 400 funcionários da antiga empresa, que optarem por permanecer na Radial, serão contratados.”

Também em nota ao Diário do Transporte, a gerenciadora dos serviços, EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, do governo do estado, diz que “equipes de fiscalização da EMTU atuam na região para que as linhas operadas pelo Consórcio Unileste, que responde contratualmente à gerenciadora EMTU, continuem respeitando os intervalos entre partidas e itinerários divulgados no site www.emtu.sp.gov.br. O usuário será comunicado com antecedência sobre quaisquer alterações de intervalo entre partidas e itinerário das linhas que operam na região.”

LICITAÇÃO PODE REFORMULAR O MERCADO DE TRANSPORTES NA GRANDE SÃO PAULO:

A desistência do Grupo JSL da Área 4 da EMTU ocorre em pleno processo de licitação de toda a Grande São Paulo. No último dia 19 de setembro, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos realizou uma audiência pública, explicando como deve ser o modelo das cinco áreas operacionais da Grande São Paulo. Os contratos devem ser por 15 anos. O edital deve ser lançado até janeiro de 2017 e as assinaturas das empresas e consórcios vencedores devem ocorrer entre março e abril de 2017. Como haverá um ano para implantação do novo sistema, os serviços estarão em vigor pelo novo modelo em 2018. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/09/19/licitacao-da-emtu-mantida-a-area-5-concessao-sera-de-15-anos/

Em 2006, a EMTU já realizou uma licitação cujos contratos de dez anos vencem neste ano de 2016, por isso um novo certame.

Somente a Área 5, correspondente ao ABC Paulista, é que não foi licitada por causa de uma queda de braços entre empresários e governo do estado. Por seis vezes, a gerenciadora EMTU tentou realizar o certame, mas em uma delas o empresário Baltazar José de Sousa conseguiu barrar o certame na justiça e, em outras cinco, todos empresários da região esvaziaram a licitação. Os donos de viações alegam que o ABC tem maiores custos operacionais e linhas com menos demanda que as outras áreas.

A saída da CS Brasil, do Grupo JSL, levantou também uma série de apostas no mercado de transportes. Mesmo a empresa tendo operado originalmente a Área 4, é a Área 5 que acaba ganhando destaque nas discussões do mercado, inclusive envolvendo o grupo.

A Área 5 do ABC Paulista hoje do ponto de vista empresarial não está na mesma realidade que em 2006, apesar de os operadores serem praticamente os mesmos.

Naquela ocasião, o empresário Baltazar José de Sousa era forte.  Hoje envolto a dívidas de cerca de R$ 1 bilhão, segundo a Receita Federal, e mais de 200 processos judiciais, seu grupo não tem mais condições legais de participar de um certame. Assim, EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André, Viação Ribeirão Pires, Viação São Camilo, Empresa Urbana Santo André, Viação Riacho Grande, Viação Triângulo e Viação Imigrantes não devem participar, abrindo um enorme “buraco” na região que deve ser preenchido por outros empresários.

O empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC, encontra-se envolto com a Operação Lava Jato e perdendo cada vez mais espaço, como para o grupo da Suzantur que, além de ter assumido em 2013 todas as linhas da cidade de Mauá, às quais Baltazar e Ronan queriam de volta de forma integral,  opera por contrato emergencial um dos maiores desejos de Ronan em Santo André: as 15 linhas do sistema Vila Luzita, antes de responsabilidade da Expresso Guarará, empresa da família que decretou autofalência.

Em 2013, para tirar a empresa paranaense Leblon Transporte de Mauá, que não tinha relação com os empresários do ABC e que quebrou o monopólio dos transportes na cidade, nos bastidores Ronan teria dado suporte à Suzantur, empresa com ligações históricas com a financeira Caruana, especializada em financiar ônibus.

Desde 2011, com a venda da Inter-Bus e Humaitá para a família Setti & Braga, do Grupo Auto Viação ABC (https://diariodotransporte.com.br/2011/01/07/e-oficial-grupo-abc-comprou-interbus-e-humaita/ ), Ronan não atua mais em linhas intermunicipais no ABC Paulista, mas poderia figurar como interessado na área 5 nesta fase.  Ronan encontra-se isolado de prefeitos do ABC Paulista, como Donisete Braga, de Mauá, e Carlos Grana, de Santo André.

Alguns grupos empresariais da região que, por força de reorganização das operações ao longo tempo, chegaram a ter parcerias com Ronan, hoje não se interessam mais em compor qualquer quadro com empresário.

A eventual presença da Suzantur em linhas intermunicipais no ABC não é descartada pelos profissionais dos transportes, assim como a presença do Grupo JSL pela CS Brasil ou outra empresa, em áreas que não sejam a 4 da EMTU. Também há dúvidas se a Mobibrasil, de um grupo originalmente do Recife, permanecerá como está.

Nada ainda está fechado, mas a verdade é que enquanto você lê este texto, muitos acordos (alguns tidos como improváveis) e reuniões acontecem. Certamente os empresários e seus respectivos departamentos jurídicos e financeiros estão se movimentando.

Pode haver surpresa no final, inclusive a surpresa de não haver nenhuma surpresa.

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. clebson disse:

    e uma pena uma guerra de empresarios travando sobre o transportes urbarnos,mais segurança e qualidades para os funcionarios e usuários nada se falão.o que manda mesmo e dinheiro ou lucros

  2. Almir Aparecido da Silva disse:

    Deus queira que o Baltazar pule fora do ABC… Agora uma duvida o GRUPO AUTO ABC é o dono da METRA???

  3. Anselmo Rosa disse:

    A linha 335 que operava com cobrador pela CS Brasil, está desde domingo 23/10, início da operação Radial operando sem cobrador. Então, é mentira o que diz a Radial. As linhas 076 e 205 operadas pela Radial estão com operação suspensa aos domingos e no site da EMTU consta várias partidas dessas linhas.

  4. Jaílton disse:

    A EMTU diz:
    “equipes de fiscalização da EMTU atuam na região para que as linhas operadas pelo Consórcio Unileste, que responde contratualmente à gerenciadora EMTU, continuem respeitando os intervalos entre partidas e itinerários divulgados no site http://www.emtu.sp.gov.br. O usuário será comunicado com antecedência sobre quaisquer alterações de intervalo entre partidas e itinerário das linhas que operam na região.”

    A Realidade Fala:
    075 operando de hora em hora (deveria operar de 15 em 15 min)
    075 VP1/ 549 operando com a grade da 075
    141/277 operando com intervalos de 1h30 o dia inteiro (devia estar com intervalos de 45min intercalados)
    301/302 operando com apenas 1 carro
    038/144 operando com um carro!
    480 não operando depois das 19hs na semana!
    273 com intervalo de 1h após as 20hs!
    076/205 operando com atrazo nas partidas e sem operar no domingo (e a 075 ta indo junto!)

    Cade a fiscalização, EMTU?

  5. paulo lima leite disse:

    gostaria muito de fazer parte do quadro de colaborador como cobrador qualquer coisa me mande um email ou ligue 997681129 paulo lima estou prescisando muito deus abencoe voces….

    1. blogpontodeonibus disse:

      Favor entrar em contato com a empresa. Somos apenas site de notícias

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