HISTÓRIA: Os Flxible também brilharam na Breda e na telonas – De Diplomata para Bandeirante até ser Estrela de Cinema
Publicado em: 23 de outubro de 2016
Modelo de ônibus importado dos EUA são mais conhecidos na Expresso Brasileiro, mas antes de se aposentarem, também ofereceram seu requinte com o apelido Bandeirante
ADAMO BAZANI
Um dos ônibus que mais marcaram a história dos transportes no Brasil foi o Flxible VL (Vista Liner) 100, importados pela empresa Expresso Brasileiro Viação Ltda, em 1956.
O veículo foi feito pela Flxible, empresa norte-americana fundada em 1913, em Loudonville, Ohio, especializada em ônibus, ambulâncias, carros funerários e utilitários, que operou até 1996.
A importação foi para a Expresso Brasileiro fazer frente na altamente lucrativa linha Rio – São Paulo à rival Viação Cometa, que dois anos antes, em 1954, havia importado os luxuosos GMPD 4104, também norte-americanos, chamados por aqui de Morubixabas.
Foram 30 ônibus VL – 100, com vidros Ray-ban, carroceria em dois níveis e motor Detroit – Diesel 6-71, de 211 cavalos, o mesmo usado no GM PD 4104. Originalmente, os Flxible tinham motor Cummins, mas a troca teria sido um pedido da Expresso Brasileiro.
O motor Detroit Diesel também foi conhecido como GM Marítimo por equipar algumas embarcações como as balsas que faziam a travessia – Santos / Guarujá – do canal de acesso ao porto de Santos.
Porém, o que seria sonho para Manoel Diegues, fundador da Express o Brasileiro, foi praticamente seu fim nos negócios.
Esses ônibus ficaram quase três anos retidos na Alfândega. Era época de política desenvolvimentista do parque industrial brasileiro, mas a indústria de ônibus, apesar de evoluir, ainda estava passos atrás das fabricantes internacionais, principalmente norte-americanas e europeias de ônibus.
A Expresso Brasileiro teria então importado os ônibus como material náutico para se livrar dos tributos e encargos criados justamente para desestimular as importações e gerar receita para o parque fabril no País, que não era necessariamente brasileiro, já que, em especial no setor automotivo, a indústria de automóveis tinha a predominância de capital estrangeiro.
Porém, há correntes de historiadores que dizem que os ônibus não precisariam ficar tanto tempo retidos e que isso de fato aconteceu por influência dos responsáveis pela Cometa, que queriam desestruturar a concorrente.
Com ou sem intenção, o que ocorre é que a Expresso Brasileiro foi de fato desestruturada. Ela tinha feito um grande investimento, vendendo carros e outros bens, para a compra dos ônibus Flxible e via esse investimento enferrujar na alfândega.
Com falta de ônibus, a Expresso teve de operar menos viagens e com veículos mais desgastados.

O charme e o conforto dos ônibus norte-americanos fizeram a Expresso Brasileiro se destacar novamente na linha Rio – São Paulo
Os passageiros nesta época preferiam os luxuosos importados da Cometa.
No entanto, com a liberação dos Flxible, que foram chamados de Diplomata, a Expresso Brasileiro conseguiu um charme na ligação Rio São Paulo e, consequentemente, bons resultados nos negócios.
Havia até a brincadeira nas estradas: Quem chegava antes, a Cometa ou a Expresso?
Mas a história dos Flxible no Brasil não acabou na ligação Rio – São Paulo.
DE DIPLOMATA PARA BANDEIRANTE:
Após cruzar várias vezes a rodovia Presidente Dutra desde 1958/1959, em 1967, os ônibus foram comprados pela empresa Breda, com sede em São Bernardo do Campo.
Os veículos então foram pintados nas cores da Breda, azul e vermelho, mas mantinham o fundo de tom alumínio, preservando o requinte especial da época da Expresso Brasileiro.
O apelido Diplomata passou a ser Bandeirante, algo de São Paulo mesmo.
Os ônibus faziam serviços que ligavam os aeroportos de Congonhas, na capital paulista, e o de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo.
Apesar de os ônibus já estarem bem usados pela Expresso, eles fizeram sucesso. O design era diferente e o conforto não ficava para trás de muitos veículos novos para aquela época.
A Breda fazia questão de exibi-los em propagandas e realmente os ônibus chamavam a atenção. Era um serviço diferenciado.
A empresa Breda não apenas deu “um tapa” no visual dos ônibus. Houve uma reforma que tornaram os veículos melhores. Por exemplo, a suspensão por barras de torção e borrachas chamada de Torsilastic foi substituída por bolsas pneumáticas de suspensão usadas nos ônibus Scania.
Os ônibus começavam a se aposentar no Brasil entre 1977 e 1981. Muitos já tinham sido desmontados porque a manutenção ficava cara devido às dificuldades de importação das peças ou fabricação de componentes similares nacionais.
Segundo registro do pesquisador Itamar Lopes da Silva, o colecionador Antônio Carlos Tosche adquiriu o mesmo ônibus dirigido por seu pai e o recuperou. O ônibus era do lote 10335 dirigido por Onofre Tosche.
Outra unidade foi comprada para restauro a fim de compor o acervo da família do Tito Masciolli, fundador da Viação Cometa, e declarado fã da GM.
ESTRELA DE CINEMA:
A unidade restaurada por Antônio Carlos Tosche foi uma estrela do cinema nacional “Fogo e Paixão”, de 1998, escrito, produzido e dirigido por Isay Weinfeld e Marcio Kogan.
Segundo o pesquisador Evaristo J. Mesquista, no filme, um grupo de pessoas em um ônibus de excursão faz um passeio turístico por uma grande cidade. A maior parte das cenas foi filmada na cidade de São Paulo, com o Flxible VL 100.

Cenas do Filme “Fogo e Paixão” mostram como era a concepção do interior em dois níveis. É possível ver asa aberturas do teto solar e as primeiras poltronas, que ficavam num nível mais baixo das demais no salão de passageiros
No site “Fanático Del GM” – http://fanaticodelgmc.blogspot.com.br/ , o pesquisador Roberto Zulkiewicz, fez um resumo especial do modelo no Brasil:
FLXIBLE VL-100
Vista Liner, 41 passageiros (sem WC). Não é GM, mas usa o mesmo motor.
Motor
Diesel 2 Tempos, traseiro longitudinal, Detroit 6-71, 211 CV
Cambio
Mecânico de 5 velocidades
Características
É um modelo único que marcou o acirramento da concorrência entre o EBVL – Expresso Brasileiro Viação Ltda e a Viação Cometa, sendo pioneiro no Brasil com a carroceria em dois níveis, que foi copiada posteriormente pela Nielson com o seu primeiro Diplomata. Na versão com banheiro a capacidade era para 37 passageiros.
Originalmente possuía suspensão “torsilastic”, substituída posteriormente pela Breda.
Possuía ar condicionado e calefação.
Tinha janelas traseiras cortadas por grossos frisos de alumínio em posição horizontal, cujo efeito visual era apenas estético, dando um ar de modernidade.
Possuía luminoso central traseiro retangular com a logomarca do Expresso Brasileiro.
Tinha grades na traseira e nas laterais traseiras.
Apelidos dos Operadores
“Diplomata” (Expresso Brasileiro) e “Bandeirante” (Breda).
Empresas
Expresso Brasileiro Viação Ltda. até 1967 quando os que restaram foram vendidos à Breda Turismo.
Linhas Operadas
São Paulo-Rio pelo Expresso Brasileiro
Aeroporto Congonhas-Aeroporto de Viracopos pela Breda Turismo
Anos de Fabricação / Quantidade produzida
1955 a 1959 / 248 unidades produzidas
Quantidade Importada / Ano(s)
30 unidades (32 unids. serial de 10309 a 10340 conforme roster da marca) / 1958 e 1959
Final
Rodaram até 1981 quando foram desmontados e sucateados.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes















Amigos, bom dia.
Adamo, parabéns por mais esse registro e matéria aula sobre o buzão.
Essa matéria comprova que o Efeito Brasil é bem velhinho e perdura até hoje, infelizmente.
Independentemente do motivo, nada justifica o tempo de quase 3 anos dos Flxibe’s do Expresso Brasileiro ficarem retidos na alfândega.
Por causa do Efeito Brasil, o Brasil não decola.
Posso até ter visto os Flxible´s do Expresso Brasileiro, mas tenho na memória como se você hoje os Flxible´s da Breda tanto em Congonhas como na sua garagem da Avenida do Estado.
Realmente eles de destacavam, pelo design, pelas cores, pela elevação e pelo ronco de um legítimo GM marítimo.
Foi muito legal também conhecer a historia da família Tosche.
Att,
Paulo Gil
Boa noite amigos
Concordo e endosso os comentarios e elogios do Paulo Gil.
Tenho vivo em minha memoria os onibus da Cometa e do Brasileiro, em especial os TOPs da linha São Paulo/Rio naquela epoca em que a Dutra não era 100% duplicada.
No caso do Diplomata, Criou uma nova era para os onibus rodoviarios, que passaram a ter um teto em dois niveis fazendo com que diversos chassis, com motor dianteiro ou trazeiro, passassem a adotar o novo lay out.
Outro item copiado era o acabamento externo do vidro trazeiro.
Obrigado Adamo por permitir que eu voltasse ao delicioso passado dos icones dos transportes rodoviarios dos anos 50.
Jair, boa noite.
Valeu!
Sera que dai que nasceu os 7 quedas da Nielson ???
Tem chance ne.
Att,
Paulo Gil
Há muito buscava essa reportagem dos Diplomatas. Parabens pelo conteudo. Estes ônibus ficaram na minha lembrança quando menino via passar na Dutra em minha cidade de Barra Mansa-RJ.
Muito bacana a matéria, que legal!!
De acordo com o sr valter o “ Valtinho” foi a produtora quem restauro o carro pro tosche!! E o mesmo não é colecionador de nada, pergubta quantos carros ele tem!?
Tirando isso conteudo brilhante!!
Gostaria de rever os Leyllandes Tiger, estes ônibus eram operados pelas empresas Auto do Pari e pela Guarulhos.
Viajei num desses para Aparecida/SP. Empresa Breda
Esses clássicos VL-100 Diplomata da Expresso Brasileiro e os PD-4104 Morubixaba da Viação Cometa, sem dúvida os ônibus mais icônicos que já rodaram em estradas brasileiras, especialmente na Via Dutra, na linha entre São Paulo e o Rio de Janeiro! Se algum busólogo tiver fotos desses dois clássicos juntos, e quiser presentear os fanáticos dessa modalidade, nós, aficcionados agradecemos!
Abraços!!!