Crise econômica fez poluição diminuir em São Paulo, mas crescimento de frota anula ganhos tecnológicos, diz CETESB
Publicado em: 11 de outubro de 2016
Idade da frota dos veículos no Estado de São Paulo cresceu, o que contribui para poluição. Confira um raio X dos ônibus do Estado
ADAMO BAZANI
A CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo divulgou nesta segunda-feira, 10 outubro de 2016, o relatório de emissões veiculares de 2015. O estudo traz dados oficiais sobre o impacto da circulação dos veículos no meio ambiente em todo estado.
De acordo com o relatório, houve uma queda, em 2015, de 9% das emissões de poluentes na comparação com 2014.
A maior substituição da gasolina pelo etanol e a crise econômica, que fez com que não aumentasse, o número de viagens, sejam por motos, carros, caminhões e ônibus, são apontadas como alguns dos motivos para esta redução de emissões de poluentes.
Os veículos emitiram um total de 40,9 milhões de toneladas de CO2eq (que não engloba os biocombustíveis). Houve redução, na ordem de 9% em relação ao ano anterior, em especial pelo aumento no uso do etanol em substituição à gasolina e pela redução do consumo aparente de diesel. A maior contribuição vem dos caminhões, cerca de 15 milhões de toneladas de CO2eq, seguido dos Automóveis com cerca de 12 milhões de toneladas.
Em 2015, a estimativa da frota circulante no Estado foi de 15,4 milhões de veículos, pouco acima da estimativa do ano anterior. Desses, 10,2 milhões são automóveis, 2 milhões são comerciais leves, 600 mil ônibus e caminhões e 2,6 milhões de motocicletas.
Em 2015 foram emitidas no Estado 366 mil toneladas de CO, 79 mil toneladas de NMHC, 197 mil toneladas de NOx, 5,5 mil toneladas de MP, 4,7 mil toneladas de SO2 e 1,6 mil toneladas de aldeídos, todos poluentes tóxicos. Em média, 60% dessas emissões estão concentradas na Macrometrópole Paulista, área geográfica que reúne as Regiões Metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista, Vale do Paraíba e Sorocaba, além de aglomerações urbanas importantes como Jundiaí, Bragança Paulista e Piracicaba. Foram estimadas também as emissões localizadas na nova Região Metropolitana de Ribeirão Preto, localizada no oeste do Estado. Os automóveis e as motocicletas foram os maiores emissores de CO e de NMHC. Os caminhões foram os maiores emissores de MP, NOx e SO2. As emissões de SO2 ocorrem em função da existência de enxofre nos combustíveis fósseis. Quando comparado aos dados de 2014, as emissões em 2015 foram menores, em especial pela redução na atividade veicular e no consumo de combustível em função da crise na economia.
O relatório, entretanto, faz questão de enfatizar que esta queda não é motivo para cruzar os braços e que ainda muito deve ser feito, principalmente em relação ao incentivo ao transporte público e também à situação da frota dos caminhões, que é antiga e muito poluente.
“A participação dos Caminhões foi de 37%, seguida por Automóveis em 30%. Apesar da frota de Caminhões ser de apenas 3% da frota total, conforme pode ser constatado na Tabela 9, os veículos são movidos a diesel, cuja parcela fóssil é de 93% em volume. Além disso, tem intensidade de uso alta. Assim, sua participação na emissão torna-se bastante relevante. Cabe destacar que para GEE, diferentemente dos poluentes locais, a localização geográfica da emissão não interfere no impacto, visto que as consequências dessa emissão são contabilizadas em caráter global. No caso dos Automóveis, a participação na frota é predominante (66%).. Mesmo utilizando parcelas maiores de combustíveis renováveis (27% do volume da gasolina e 100% do volume do etanol consumidos), ainda assim o impacto de uso com gasolina é significativo.”
IDADE DA FROTA:
Se por um lado, a crise econômica reduziu o número de viagens, fazendo com que as emissões caíssem, segundo os técnicos da CETESB, também contribuiu para elevação da idade média dos veículos no Estado de São Paulo que, em 2014 era de 8,6 anos, e passou para 8,9 anos em 2015.
Quanto mais antigos os veículos, mais eles tendem a poluir, principalmente no caso dos movidos a diesel. A idade média dos caminhões semi-leves ainda é alta: 17,1 anos. Já a idade média dos ônibus rodoviários é de 12,13 anos, seguidos pelos urbanos com 10,7 anos e pelos micro-ônibus com 9,3 anos.
CARRO AINDA DOMINA AS RUAS:
Com poucos incentivos ao transporte coletivo, carros e motocicletas dominam as ruas e rodovias do Estado de São Paulo. Em 2015, havia registrados no estado 15,39 milhões de veículos dos quais, 2,62 milhões são motos e 10,19 milhões são carros.
O pior problema, entretanto, não é em relação ao tamanho da frota, mas o uso que se faz dela. Como não há redes de metrô e trens suficientes e os ônibus não recebem prioridade no espaço urbano mais pessoas, principalmente na macrometrópole, acabam utilizando excessivamente os carros e motos nos deslocamentos diários.
O relatório deixou claro que as evoluções tecnológicas dos veículos, tanto automóveis como pesados (ônibus e caminhões) trouxeram ganhos ambientais, mas que acabaram sendo anulados pelo aumento da frota circulante ao longo de 11 anos.
“O impacto das emissões veiculares é sentido nas regiões em que a qualidade do ar apresenta elevados níveis de concentração de ozônio e de MP. Ainda que os fatores de emissão dos veículos novos estejam decrescendo, o aumento da frota e o intenso uso dos automóveis comprometem os ganhos obtidos com os avanços tecnológicos. O gráfico de evolução entre 2006 e 2015 mostra a redução das emissões totais ao longo desse período. A emissão de GEE decresceu, em especial pela maior utilização de etanol em substituição à gasolina e a redução do consumo aparente de diesel.”
ÔNIBUS:
A CETESB também fez um panorama de como está a frota dos ônibus no Estado de São Paulo. De acordo com o estudo eram 108.572 veículos de transporte coletivo registrados em 2015, sendo 64.912 urbanos, 29.227 rodoviários e 14.433 micro-ônibus.
Os ônibus que estão de acordo com a fase P7 do Proconve, com base nas normas internacionais de restrição à poluição Euro V somam apenas 23% da frota do Estado de São Paulo. Estes veículos são fabricados desde 2012 e emitem até 80% menos materiais particulados e 63% menos óxidos de nitrogênio. A maior parte dos ônibus ainda é da fase anterior P 5, mais poluentes.
Como nas regiões que mais concentram frotas de ônibus no Estado de São Paulo, a idade média é de 10 anos, somente a partir de 2022 é que os ônibus P7 devem ter predominância na frota, porém até lá, uma nova fase mais exigente já deve estar em vigor.
Em relação às regiões, no norte e no oeste do Estado de São Paulo estão concentrados os ônibus mais velhos, com idades variando entre 16 e 18 anos e 19 e 25 anos.
Na faixa leste, se encontram os ônibus mais novos, com idades entre 7 e 12 anos em média
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Maior parte dos ônibus em São Paulo ainda é frota de tecnologias antigas, que poluem mais, diz relatório de emissões veiculares – Foto: Adamo Bazani








Amigos, bom dia.
O transporte publico NAO precisa de incentivos, precisa e de tecnica para funciobar de maneira pratica e inteligente, so isso.
No mais, e tambem uma questao tecnica, se polui, NAO RODA.
Att,
Paulo Gil