Governo do Estado se queixa de falta de diálogo com Consórcio Intermunicipal ABC sobre mobilidade urbana na região

onibus Ônibus em Rio Grande da Serra. Primeira cidade a tirar o Plano de Mobilidade do ABC do papel

Segundo presidente da EMTU, algumas intervenções podem até mesmo afetar o equilíbrio dos novos contratos que devem ser estabelecidos com as empresas de ônibus na Área 5 Consórcio diz que 

ADAMO BAZANI

O Plano de Mobilidade Urbana para sete cidades do ABC Paulista tem deixado de lado o Estado de São Paulo, o que pode prejudicar a operação dos serviços de ônibus e até mesmo desequilibrar os novos contratos que devem ser assinados com as empresas operadoras em 2017, após a conclusão da licitação das linhas metropolitanas da Grande São Paulo, que inclui a Área 5, correspondente à região.

Segundo o presidente da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, Joaquim Lopes, em nenhum momento o Consórcio intermunicipal do ABC apresentou para a gerenciadora de transportes os projetos de mobilidade para região.

“O Consórcio conseguiu ao longo do tempo viabilizar uma série de recursos. A União passaria os recursos diretamente para os municípios. Isso formalmente nunca foi apresentado à EMTU. Entendemos que do ponto de vista institucional isso traz problemas sérios, o risco que esses empreendimentos podem vir a trazer a estes contratos que estamos licitando se não forem discutidos e não forem acertados com o Governo do Estado. São só municípios fazendo projetos sem a presença do Estado. O Estado é um ente federativo, assim como os municípios” – disse Joaquim Lopes, que participou nesta quarta-feira, com o governador Geraldo Alckmin e com o secretário de transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, da entrega de dez novos trólebus pela empresa Metra ao Corredor Metropolitano ABD.  Relembre em: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/05/metra-alckmin-corredor-abc-novos-trolebus/

Ouça trecho da entrevista coletiva:

Em nota, o Consórcio Intermunicipal ABC rebate e diz que os projetos foram apresentados ao Governo do Estado e que a EMTU não pode alegar desconhecimento

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC esclarece que os projetos do Plano de Mobilidade Regional foram apresentados durante o processo de elaboração do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) da Região Metropolitana de São Paulo à Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), órgão do governo estadual que atua como secretaria executiva do chamado plano diretor metropolitano. Integrante do processo de elaboração do PDUI, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) não pode alegar desconhecimento dos projetos do Consórcio para a criação de corredores intermunicipais na região. Tais declarações demonstram a ineficiência do planejamento metropolitano, coordenado pelo governo do Estado, que desconsidera os planos regionais apresentados reiteradas vezes.

O plano de mobilidade para o ABC é dividido em duas etapas, sendo a primeira orçada em R$ 1 bilhão e que está em andamento. Do total, são R$ 876 milhões do Orçamento Geral da União – OGU que já foram empenhados e R$ 139 milhões de contrapartidas das prefeituras. Dessa etapa, já foram iniciadas obras em Rio Grande da Serra. Na menor cidade do ABC, o plano engloba a pavimentação da Avenida Guilherme Pinto Monteiro até limite com Ribeirão Pires; implantação de tratamento preferencial ao transporte coletivo na Avenida Dom Pedro I e nas ruas Prefeito Carlos José Carlson, Pastor Aquilino Sartori e José Maria Figueiredo; pavimentação e implantação de via exclusiva para ônibus na Rua Prefeito Cido Franco e pavimentação da Avenida José Bello e ruas Natal Perilo, José Carlos Pace e Valeriano Carreria Gonçalvez. Em todos os locais serão feitas ciclovias, readequação de calçadas, além de obras de drenagem e muros de contenção.

A segunda etapa das obras do PAC Mobilidade deve contar R$ 1,1 bilhão e engloba 21 projetos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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