Caso aconteceu em Belo Horizonte após discussão com passageira
ADAMO BAZANI
Com Informações O Tempo BH
Arquivo Diário do Transporte – Adamo Bazani
Um motorista de ônibus em Belo Horizonte teve uma atitude inusitada na manhã desta quarta-feira, 28 de setembro de 2016.
De acordo com informações da repórter Fernanda Viegas, do Jornal O Tempo, o condutor abandonou o veículo que tinha aproximadamente 20 passageiros na praça Sete/Savassi.
O motorista trabalhava na linha SC02 e, minutos antes, discutiu com uma passageira, de acordo com testemunhas.
Ainda segundo outros passageiros, na Avenida Getúlio Vargas com a Gonçalves Dias, o motorista parou um pouco antes do ponto. Algumas pessoas caminharam até o veículo e entraram, mas uma mulher ficou na calçada.
Ela então deu sinal novamente e o ônibus parou um pouco adiante. Ainda de acordo com uma das testemunhas ouvidas pela reportagem, a mulher começou a discutir pedindo nome do motorista para cobradora, dizendo que iria fazer uma reclamação formal.
A passageira continuou a discussão e houve um bate-boca. Ela acusou o motorista de não saber atender bem os passageiros e disse que o motorista precisava de reciclagem. O condutor tentava argumentar que havia parado no espaço reservado para embarque e desembarque de passageiros e que não tinha feito uma operação inadequada.
Ele prosseguiu viagem, mas na praça da Savassi, parou em um ponto na Rua Alagoas, se levantou e disse aos passageiros que não tinha mais condições psicológicas de continuar dirigindo o ônibus e que poderia colocar em vida em risco a vida dos passageiros. O condutor desceu do coletivo e pegou um ônibus que passava do lado oposto.
Alguns passageiros tentaram demovê-lo da ideia, mas ele se mostrava nervoso, porém, não agressivo.
Uma apuração ser aberta pela Empresa de Transportes e trânsito de Belo Horizonte – BHTrans que é responsável pelo gerenciamento dos serviços na capital mineira.
Em 2014, também em Belo Horizonte, o motorista da linha 61 -Estação Venda Nova/Centro parou o veículo em um ponto da Avenida Santos Dumont, disse que ia lanchar e abandonou os passageiros sem voltar em seguida.
De acordo com profissionais da saúde, existem mais de 30 doenças que são desenvolvidas ou agravadas em trabalhadores do setor de transportes no país por causa do estresse, problemas cardiovasculares e ortopédicos.
Segundo levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais e do Sindicato dos Rodoviários, um em cada três motoristas e cobradores de lotações em Belo Horizonte, uma média de 35%, teve de licenciar nos últimos 12 meses, por problemas de saúde relacionados à atividade profissional.
PIOR PROFISSÃO DO PAÍS, DIZEM PESQUISAS
O Diário do Transporte mostrou em 2014 uma pesquisa realizada pela SulAmérica Saúde com dez setores diferentes da economia. O levantamento revela que os trabalhadores em transportes são os que apresentam os piores indicadores de saúde.
A pesquisa foi bem extensa e abordou 41 mil 366 profissionais dos seguintes setores: indústria da transformação; atividades financeiras ; informação e comunicação; comércio; transporte; saúde; outros serviços; atividades administrativas; atividades profissionais; e construção.
Somente do setor de transportes foram 2 mil 735 pessoas que trabalham em 240 empresas de diferentes regiões em todo o País, entre carga e passageiros.
Foram analisados nos profissionais das dez áreas, 15 indicadores de saúde. O setor de transportes recebeu as piores notas em sete deles: Índice de Massa Corpórea (IMC), glicemia, colesterol total, tabagismo, consumo de álcool, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), e Escore de Framingham (risco de doença cardiovascular ocorrer em 10 anos).
Segundo os resultados, 62,4% de todos os profissionais pesquisados na área de transportes estão com o Índice de Massa Corpórea (IMC) acima do limite aceitável.
Já 61,9% dos trabalhadores em transportes sofrem com sedentarismo. O colesterol está acima do normal para 33,5% dos profissionais avaliados.
A pressão arterial é problema para 20,6% dos profissionais, sendo que 10,7% sofrem de pressão arterial e 0,5% já tiveram infarto.
O vício também é um problema recorrente em quem dirige ônibus, caminhões, táxis, vans ou outros veículos de maneira profissional. O índice de tabagismo é de 9% e de alcoolismo é de 4,2%
São vários os fatores que podem explicar estes números tão negativos.
O estresse é um deles. Segundo a Organização Mundial da Saúde, motorista de ônibus urbanos está entre as profissões com maior nível de estresse no Brasil.
Além das situações visíveis, como o trânsito ruim e o relacionamento com os passageiros, há outros fatores geradores de estresse: como altas cargas horárias, pressão para cumprimento de tabelas cada vez mais apertadas, medo da violência (assaltos e até incêndio a ônibus) e a dupla função, pela qual o motorista dirige e cobra a passagem ao mesmo tempo.
A nossa reportagem também teve acesso a um estudo do site especializado em carreiras Adzuna mostra que a condição de trabalho dos motoristas de ônibus piorou.
Segundo o levantamento, o ofício de motorista de ônibus urbano é considerado a pior profissão no País.
O estudo levou em consideração a relação entre fatores como remuneração, nível de estresse, pressão no trabalho, riscos de acidentes, assaltos e doenças trabalhistas e até mesmo a relação com as empresas, além das possibilidades de crescimento na carreira.
Foram analisadas mais de duas milhões de profissões e ofícios.
A média de todos os quesitos analisados na profissão de motorista somou 36 pontos negativos.
A pesquisa, que foi feita entre os anos de 2012 e 2013, mostra a urgência da revisão das relações trabalhistas no setor de transportes, que é bem diversificado.
Enquanto existem empresas de ônibus que realizam treinamentos de qualificação profissional, eventos sobre saúde e bem estar e respeitam cargas horárias, outras permitem que o motorista extrapole sua jornada, não realizam manutenção nos veículos, o que causa desgaste do profissional, não depositam direitos trabalhistas, como depósitos do FGTS e INSS, e não proporcionam um bom ambiente de trabalho.
Reveja matéria na íntegra: https://diariodotransporte.com.br/2013/09/12/motorista-de-onibus-e-o-pior-emprego-do-pais-diz-pesquisa/
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
