Emissões por carros e motos tiveram aumento de 192%, de acordo com Iema

Publicado em: 26 de setembro de 2016
ônibus elétrico

Especialistas dizem que cidades brasileiras devem ter mais sistemas de ônibus elétricos em corredores

 

Entidade diz que políticas de incentivo ao transporte individual causam exclusão social

ADAMO BAZANI

O crescimento das emissões de poluentes no Brasil por causa do incentivo ao transporte individual e dos investimentos insuficientes no transporte coletivo é maior do que muitos especialistas pensavam.

É o que revela estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente  – IEMA, que mostra que entre 1994 e 2014, as emissões de gases de efeito estufa pelos carros de passeio e motos tiveram crescimento de 192%.

De acordo com o levantamento, a emissão pelos transportes cresce em média 5,6% por ano, desde 1994. Em 2014, os transportes emitiram 220,5 milhões de toneladas de gás carbônico.

Quase metade desse total de emissões foi pelo setor de transportes de cargas. Os pouco mais de 105 milhões de toneladas de gás carbônico lançadas no ar, representam mais que todas as usinas termelétricas brasileiras poluem juntas.

Os transportes de passageiros são a grande preocupação dos especialistas em meio ambiente, isso porque o uso do automóvel aumentou neste período.

Já o uso de fontes energéticas menos poluentes não avança no País. O etanol, por exemplo, teve queda de participação na matriz energética dos veículos; em 2009 representava 33,2%, e, em 2014, apenas 26% de acordo com o Iema.

A eletromobilidade, com a criação de programas de ampliação da frota de ônibus elétricos, ainda não é realidade, situação grave, de acordo com os especialistas.

Poucas cidades possuem ônibus elétricos no País, uma realidade diferente da Europa, Ásia e América do Norte. E mesmo as cidades que possuem modelos não poluentes, ainda registram percentuais pequenos da frota cadastrada para operação – excluindo as unidades em testes. Na Capital Paulista, são 201 trólebus para uma frota de quase 15 mil ônibus. No Corredor Metropolitano ABD, na Grande São Paulo, são pouco mais de 80 trólebus e alguns ônibus híbridos. Em Campinas, 10 elétricos com bateria e, em Curitiba, em torno de 30 ônibus híbridos elétricos.

Os técnicos do Iema dizem que investir no transporte coletivo, aumentando a participação dos modais como ônibus, metrô e meios não motorizados no conjunto de deslocamentos da população é essencial para o meio ambiente, mas também para evitar a exclusão social.

Acompanhe nota:

Nas últimas décadas, as políticas de transporte adotadas por um número significativo de cidades abriram mão do transporte público e propiciaram facilidades para o deslocamento das pessoas com veículos particulares. Os resultados dessa prática que beneficia apenas uma parcela da sociedade são velhos conhecidos: transporte coletivo de baixa qualidade e insuficientes, apropriações indevidas do espaço público, exclusão social, degradação da qualidade do ar, emissão de gases de efeito estufa e poluição sonora, só para citar alguns.

Para enfrentar essa situação, o IEMA entende que é necessário superar a análise fragmentada dos problemas de transporte, trânsito e circulação, adotando a abordagem da mobilidade urbana. O conceito de mobilidade deve ser entendido como uma combinação de políticas de transporte, circulação e planejamento direcionadas a promover o acesso amplo e democrático ao espaço urbano. Esse processo, porém, só é possível com a priorização de modos coletivos e modos não motorizados, que são socialmente inclusivos e ambientalmente sustentáveis.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    O problema da mobilidade urbana no Brasil tem de ser enfrentada e realizada com TECNICA e nao com politica.

    So assim poderao ser evitatadas “tragedias” como o Aerotrem de Sampa, VLT de Cuiaba, Ferro Norte e outros.

    Ninguem explica tecnicamente, como serao resolvidas estas “tragedias”.

    Att,

    Paulo Gil

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