“Cidade do Automóvel” da China cria fundo para veículos a hidrogênio

Publicado em: 22 de setembro de 2016

VLT Chinês é movido a hidrogênio

 

Serão US$ 30 milhões para a indústria de ônibus e carros não poluentes. No Brasil, projeto quer tornar viável ônibus a hidrogênio

ADAMO BAZANI

Conhecida como a “Cidade do Automóvel” da China, Wuhan, capital da Província de Hubei, no centro do País, anunciou nesta quarta-feira, 21 de setembro de 2016, que quer mudar de paradigma e se tornar a cidade do automóvel e do ônibus não poluente.

O governo local assinou um acordo com duas das melhores universidades da China, a Universidade de Tongji e a Universidade da Geociência da China, para estabelecer em conjunto um fundo equivalente a 200 milhões de yuans (US$ 30 milhões) com esforços para iniciar a indústria de ônibus e carros a hidrogênio, segundo a agência CRI on Line, de notícias chinesas.

Entre os objetivos está estimular as atuais fabricantes de ônibus e carros movidos a diesel e a gasolina a também fazerem veículos a hidrogênio, mas o foco principal é estabelecer marcas de veículos de hidrogênio independentes.

Para iniciar o projeto, que visa criar uma espécie de “Cinturão Verde da Produção de Veículos”, o governo local deve obter recursos do fundo provincial.

A cidade de Wuhan é a maior base de produção de automóveis da China, sede de grandes empresas como a Shanghai General Motors, a fábrica de Dongfeng Renault, a PSA, Honda e uma grande cadeia de autopeças. A indústria automobilística hoje responde por 20% da produção industrial da cidade e emprega mais de um milhão de pessoas.

ônibus a Hidrogênio

Ônibus a hidrogênio é estudado para se tornar viável no Brasil

Veículos Elétricos com energia gerada pelo hidrogênio são apontados como integrantes da mobilidade limpa no futuro.

Em 2015, a China se tornou o primeiro país para utilizar a tecnologia de energia de hidrogênio num VLT – Veículo Leve sobre Trilhos da China South Rail.

No Brasil, foram apresentados oficialmente no dia 15 de junho de 2015, três ônibus movidos por células de hidrogênio no Corredor Metropolitano ABD, na Grande São Paulo, operado pela empresa Metra.

O projeto foi implantado por meio de uma parceria entre Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, Ministério de Minas e Energia – MME, Agência Brasileira de Cooperação – ABC e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S.A. – EMTU/SP, que exerce a Coordenação Nacional do Projeto.

Os ônibus a hidrogênio não emitem nenhum tipo de poluição durante a operação, são mais silenciosos, mas ainda representam uma novidade tecnológica tanto no Brasil como no mundo, com o projeto ainda sendo de alto custo.

De acordo com EMTU, apenas três países, além do Brasil, testam ônibus com esta forma de tração: Estados Unidos Canadá e Alemanha.

No dia 1º de julho 2009, o primeiro modelo de ônibus a hidrogênio foi apresentado também no corredor ABD. A tecnologia era mais simples na época, tinha menor índice de peças nacionais e o veículo tinha menor capacidade de passageiros, já que parte do conjunto de tração e baterias ficava localizada na traseira do ônibus, roubando espaço interno. Os novos modelos que estão sendo testados possuem a maioria dos equipamentos no teto.

De forma bem simplificada, ônibus a hidrogênio “funciona a água” e libera vapor em vez de fumaça.

A separação do hidrogênio e do oxigênio presentes na água é feita por um processo chamado eletrólise. Pelo hidrogênio é gerada a energia elétrica que vai para as baterias, permitindo o funcionamento do veículo.

Na garagem da Metra, em São Bernardo do Campo, foi instalada a primeira Estação de Produção de Hidrogênio da América do Sul pela empresa Hydrogenics Advanced Hydrogen Solutions, em parceria com a Petrobras Distribuidora.

A água fornecida pela Sabesp chega aos tubos e passa por filtragem para a retirada de sais minerais. No outro compartimento, as pilhas de células de hidrogênio quebram as moléculas de água (eletrólise) para separar os dois gases, hidrogênio e oxigênio. Depois, o hidrogênio é purificado. O hidrogênio sai com alta pureza (sem gases, resíduos, água, oxigênio) e sem umidade, para garantir o bom funcionamento do ônibus. Depois, o gás é comprimido em alta pressão e fica reservado em tanques que abastecerão os cilindros dos veículos.

Os ônibus carregam quatro cilindros feitos de fibra de carbono. Cada um deles tem capacidade para 31 quilos de hidrogênio cada. Os veículos também contam com células de combustível e baterias. O teto abriga os tanques, em sua parte dianteira, e as células, na traseira.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Falando em buzao a hidrogenio Metra/EMTU, pergunto:

    Quais os resultados obtidos ate hoje ?

    Sao viaveis tecnica e economicamente ???

    Att,

    Paulo Gil

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