Seccionamento das Tarifas: Quer pagar quanto?

Fichas de secções de ônibus. Passageiro só pagava pelo trecho que usava. Hoje, com tecnologia, tarifas diferenciadas podem voltar a ser implantadas em mais sistemas, com maior segurança e praticidade.

Bilhetagem traria valores mais justos para os passageiros que pagariam apenas pelo trecho que usarem o transporte. Operadores dizem que modelo atual, com a mesma tarifa para todos, traz equilíbrio

ADAMO BAZANI

Quem é um pouco mais experiente e usava transportes coletivos até mais ou menos os anos de 1970 se lembra das fichinhas, muitas feitas em cartolina, com cores diferentes.

Cada cor representava um trecho ou uma secção da linha e o passageiro só pagava pelo percurso que era transportado.

Com o passar do tempo esta prática acabou sendo deixada de lado e por isso recebeu muitos questionamentos.

É justo o passageiro pagar uma tarifa inteira sendo que anda no ônibus por poucos minutos ou poucos quilômetros?

Muitos, inclusive, pegam ônibus intermunicipais e metropolitanos para fazer deslocamentos dentro de uma única cidade não porque querem, mas porque às vezes é a única opção que possuem.

No entanto, operadores de transporte coletivo defendem a prática e alegam que a cobrança de tarifa cheia para todos os passageiros proporciona equilíbrio financeiro da empresa, que poderia operar apenas no trecho de maior movimento, e também para o passageiro. Se a cobrança fosse somente seccionada, alegam, quem anda pouco pagaria menos, no entanto, quem anda a linha inteira pagaria um valor maior que os praticados atualmente.

Já especialistas em Direito do Consumidor dizem que o pagamento deve ser feito apenas com base no trecho utilizado pelo passageiro, seria como “pagar apenas pelo que usar”.

A discussão é grande, mas independentemente destas questões de subsídios cruzados dentro da própria linha, da compensação financeira ou justiça no valor, falta de tecnologia para o seccionamento tarifário não é desculpa, garantem as empresas que atuam em sistemas de bilhetagem eletrônica.

A Transdata Smart, por exemplo, diz que a implantação de bilhetagem seccionada é relativamente fácil e usa o sistema de geoposicionamento para calcular os diferentes trechos e valores pagos pelos passageiros.  A empresa também diz que uma cobrança mais justa pode deixar o transporte coletivo mais atraente

“A tecnologia permite que o passageiro pague apenas o valor equivalente ao trecho percorrido, o que aumenta a atratividade do serviço oferecido”, explica Devanir Magrini, diretor comercial da empresa.

Em nota, a empresa que possui equipamentos de diferentes tipos de bilhetagem eletrônica para algo em torno de 18 mil ônibus pelo país, explica como é o funcionamento da forma seccionada de cobrança.

“No momento em que o usuário passa o cartão, a leitora de seccionamento identifica a localidade de embarque e libera a catraca. No desembarque, o mesmo equipamento novamente reconhece a localidade, calcula a tarifa e libera a catraca mediante o pagamento.  Tal qual na versão urbana, este sistema possui ferramentas para importação e exportação de dados através da rede Wi-Fi da garagem que, por sua vez, é conectada ao Datacenter da empresa operadora de ônibus – funcionalidade que permite a atualização de valores a serem cobrados.”

Assim, do ponto de vista tecnológico, é possível fazer com que volte o sistema de fichinhas de cobrança por secções, só que de uma maneira mais moderna e segura, evitando evasão de tarifas e ação dos passageiros espertalhões, que ajudaram a terminar com este sistema.

Sobre os subsídios e a viabilidade financeira, basta haver bom senso entre poder público, passageiros e operadores. Um aspecto é fato: uma tarifação mais justa e com valores menores pode atrair mais passageiros para o transporte coletivo, meta que deve ser a principal em qualquer politica de mobilidade urbana.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

8 comentários em Seccionamento das Tarifas: Quer pagar quanto?

  1. Aqui em Niterói, esse sistema seccionado iria cair como uma luva, pois o sistema municipal tem carência de ligação entre alguns bairros (os itinerários e pontos do sistema niteroiense são mal planejados), servidos apenas por linhas intermunicipais.

    Por exemplo, para eu ir de minha casa a São Francisco, eu teria a linha 731 (Charitas/Candelária) como opção, já que não existe ligação entre Santa Rosa e arredores por meio de linhas municipais, obrigando a pagar quase 7 reais para cumprir o citado deslocamento.

  2. Quando eu era pequeno e mudei para o meu bairro em 1984, não existia linha de onibus aqui tinhamos que andar 20 minutos a pé para pegar a linha municipal Jd. Farina-Jd. da Represa que era operada pela Auto Abc Ltda e Viação Cacique em conjunto…até que em 1985, modificaram a linha da Eav São Bernardo que hj é a atual 153 porem ia até o Alto da Serra, colocaram ela na entrada do meu bairro, e naquela época utiliza as fichinhas de meia passagem para quem ia até o Rudge Ramos e passagem inteira para quem entrasse na cidade de São Paulo e ia até o PD.Pedro II, a Viação Riacho Grande assumiu a linha e aí a linha começou a entrar dentro do bairro isso em 1986……..porem a tarifação seccionada continuou até 1990, quando a prefeitura criou a linha municipal 38 Terra Nova Rudge Ramos, para não ter sobreposição a tarifa do 153 foi mudada para apenas tarifa cheia………..hoje utilizo a linha 153 diariamente, porem percebo que dentro do bairro que moro a 153 mesmo tendo a passagem de R$5,55, carrega mais passageiro do que a linha municipal 38, pois os intervalos da linha 153 são mais curtos e os ônibus vão direto sem dar voltas pelos bairros vizinhos, ao contrario da linha municipal que tem intervalos que chegam a 0:30, e ainda da volta nos bairro vizinhos. Sendo assim o método mais justo de tarifação com certeza é pagara apenas pelo que viajar e não tarifa cheia, essa seria a unica forma de quem anda poucos KM para o trabalho deixar o carro em casa e passar a andar de onibus, pois hoje para quem anda poucos KM, são mais barato ir de carro……..não adianta colocar onibus com ar, suspensão automatica e tarifas absurdas…pois enquanto foi mais viável andar de carro, as pessoas andaram de carro…

  3. Eduardo urashima // 10 de Abril de 2016 às 13:42 // Responder

    Algumas linhas da EMTU na região leste de SP, 038 que liga Mogi-Metrô Armênia (SP), ou a 075 Arujá-Metrô Brás (SP) tem tarifas seccionadas. São linhas muito longas, em que o pico de movimento está no miolo do itinerário. Fazer seccionamento da tarifa é algo que pode ser interessante, dependendo do perfil da linha. /fazer apenas por fazer pode levar a distorções fazendo com que a maioria pague mais caro a tarifa.

  4. Amigos, bom dia.

    Uma catraca ja e um inferno, imaginem duas, sem contar que catraca e um objeto tao arcaico como o buzao urbano.

    So para conhecimento de todos, a tarifa seccionada existe ate hoje e e praticada na Viacao Osasco, com as mesmas fichinhas de papel (passagem) ha mais de meio seculo.

    Adamo publica a foto das passagens que eu ja te mandei.

    Abaixo a catraca, FORA duas catracas.

    Se ainda temos a “passagem”, basta colocar o validador movel no corpo docobrador e eliminar a maldita catraca e aquele monte de ferro retorcido que a acompanha.

    O Buzao precisa de patricidade e nao de mais complicacao.

    O passageiro ja esta dispensando o buzao agora com 2 catracas o proprio buzao esta se auto eliminando.

    Ta dificil a situacao do meu querido buzao.

    Att,

    Paulo Gil

  5. Edson Profeta (Técnico de Transportes - SPTrans) // 10 de Abril de 2016 às 16:10 // Responder

    Me chamou a atenção em Montevidéu o ônibus urbano sem catraca. O passageiro paga a passagem ao cobrador ou encosta o cartão no validador e este emite uma espécie de extrato e pode ficar onde quiser no ônibus. No trajeto um fiscal confere os extratos. Já onde moro no litoral sul de São Paulo os ônibus da EMTU tem duas catracas. Um motorista comentou que perde muito tempo explicando como funciona o sistema aos turistas. Se o passageiro pagar em dinheiro, o motorista entrega um cartão que deve ser aproximado do validador na entrada e depositado em um orifício no validador para liberar a catraca na porta traseira. Na primeira vez que usei não senti muita dificuldade, e penso que se a empresa usa esse sistema é porque vale o custo.

    • Mesmo sendo um sistema caótico, as linhas alimentadoras de Lima usam um sistema parecido, de confirmação da passagem ao longo da viagem. Me embananei um pouco pois pensava que seria como no Consórcio Anhanguera, em que vc recebe o papel e é esquecido, rs.
      A dupla catraca já existe no litoral norte de SP, só creio que poderia ser melhor utilizada usando a geolocalização, como já havia pensado e a SmartData confirmou ser viável.
      Como falta postos de recarga nessa RMSP de meu Deus para mim haveria um valor mínimo de R$1 e um máximo que variaria a cada região (como é hoje, e que não deveria ter passado de R$5, pouquíssimos passageiros fazem o ponta-a-ponta das linhas comuns com valor daí em diante) para quem paga com cartão, e os valores fechados hj usados para quem pagasse com dinheiro, até disseminar o uso do cartão.
      E estou sugerindo isso pras comuns, pois as seletivas são outra lógica.

  6. Bruno Quintiliano dos Santos // 10 de Abril de 2016 às 20:42 // Responder

    Uma catraca já atrasa a viagem, imagina duas. Sem contar que retiraria espaço interno disponível para os passageiros.
    E será mesmo que uma tarifação justa passa por esta diferenciação dos valores? É importante lembrar que, na forma como São Paulo (e outras cidades brasileiras) é organizada, no geral, quanto mais pobre a pessoa, mais longe do emprego, estudo, infra estrutura em geral ela mora. Assim, essa diferenciação seria uma distribuição de renda às avessas, onde o valor maior recairia sobre os mais pobres.

  7. Tudo tem dois lados…..
    O problema da tarifa seccionada é para o trabalhador que mora longe de sua residência, que muitas vezes teria que completar do bolso a diferença de valores.
    Hoje em São Paulo, muitas empresas pagam somente uma tarifa para o trabalhador, e se ele utiliza o metro e o ônibus a diferença sai do bolso dele, conheço várias pessoas que isso acontece…
    Se o seccionamento fosse implementado muitos trabalhadores teriam que pagar a diferença de valores ainda maiores, pois imagina quem mora na Cidade Tiradentes e trabalha na Berrini, hoje acaba pagando a diferença da integração do ônibus com o Metro/Trem, que no final do Mês pesa e muito……
    Concordo que nem todas as empresas fazem isso, mais uma maioria, infelizmente, faz, e quem acaba pagando a conta é o trabalhador, por isso o Russomano perdeu a eleição de 2012, pois uma das propostas dele era exatamente o seccionamento do transporte público.
    Essa situação poderia ser evitada, poderia, mais quem valoriza o Servidor Público neste país?? Pois o único meio de se evitar isso era se ter fiscais do trabalho em número suficiente para se fiscalizar todas as empresas e fazê-las cumprir a lei, como a do vale-transporte, dentre outras que várias empresas vem descumprindo de maneira até sistemática, o que não creio que acontecerá tão cedo….

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